UM BREVE COMENTÁRIO SOBRE AS ANTENAS

Neste artigo nossa atenção volta-se para as antenas, caso você queira saber mais sobre o assunto procure se orientar em bons livros técnicos ou trocar idéias com quem tem muita experiência com as mesmas.

UM BREVE COMENTÁRIO SOBRE AS ANTENAS

Não quero neste comentário, dar fórmulas mágicas para instalar antenas, nem tão-pouco dar esquema de antena milagrosa que da um montão de decibeis na sua escuta. Quero apenas trocar algumas idéias com os amigos sobre minhas experiências e meu ponto de vista .

Uma antena é melhor do que nenhuma, e uma boa antena e melhor do que todas. Este era o comentário em uma revista de eletrônica de 1943. Já naquela época as antenas exerciam um certo fascínio nos técnicos , engenheiros, amadores, radioescutas, e em leigos .Confesso que, jamais vou encontrar a antena ideal, pois para mim a antena ideal é aquela que ainda não experimentei. Quem sabe uma Beverage ou uma Rhombica vai parar minha eterna busca pela antena ideal.

Pude ao longo dos anos encontrar técnicos, amadores e experimentadores que tinham um grande conhecimento nesta área, em contrapartida, ouvi as mais absurdas afirmações como as que se segue:

_É bom retirar o isolamento do fio da antena, pois o mesmo dificulta a entrada da radiofreqüência!

_Um milímetro a mais ou a menos em um dos lados de um dipolo descasa a antena!

_Não existe nada melhor para linha de alimentação do que o cabo torcido, mas se destorcer, o rendimento da antena cai 90%”

Nós que usamos a antena apenas na recepção, levamos a vantagem sobre aqueles que trabalham com transmissão, onde há necessidade de projetos envolvendo cálculos complicados. Mas nem pôr isso vamos montar uma antena gambiarrada, ou melhor, aquela caranguejola que fica dependurada dando uma péssima impressão.

Muitas vezes fiquei fascinado com algumas publicações em revistas de eletrônica montei muitas, que só me deram grande canseira nada mais.

Algumas tinham várias bobinas, e pedaços de fios dependurados formando uma verdadeira árvore de natal, e o pior é que seus idealizadores atribuíam a ela ganhos mirabolantes.

Muitas vezes uma antena de ferrite dá mais resultado que uma antena externa mal elaborada. O ideal seria que tivéssemos uma referencia de alguém que já montou a antena que estamos querendo instalar, mas na maioria das vezes temos que arriscar um olho pois é bem possível que vamos ficar um esperando o outro e adeus antena!

Em se falando de espaço, o melhor é estudar a melhor maneira de aproveitá-lo e use a sua criatividade. Jamais diga aquela máxima dos derrotados:

– “Lá em casa não tenho espaço para antena. Procure ler artigos sobre as comunicações na Segunda Grande Guerra Mundial, procure saber como a Resistência Francesa instalava os rádios e as antenas em cima de árvores, debaixo de telhados, pontes, usando as hélices de grandes moinhos e tudo isso era temporário, pois logo depois de uma transmissão toda estação tinha que ser rapidamente desativada pois caso fosse descoberta os operadores eram executados ali mesmo pelo soldados alemães.

Não quero dizer para copiar seus projetos, mas sim, mostrar que sua residência tem um lugarzinho para ela e é você que tem que descobrir. Em meu QTH uso um cano de três polegadas que sustenta uma V invertida pelo centro com 10 metros para cada lado.

Também é bom destacar o uso da antena ativa. Não tive bons resultados com a antena ativa, montei alguns circuitos, mas não deram resultados pois a mesma atenuava os sinais, pode ser erros no projeto ou na minha montagem.

Já na faixa de FM é mais fácil de realizarmos experiências, pois existe no comércio uma infinidade de modelos de antenas com os números de elementos que lhe convenha por preços acessíveis.

No mês de junho eu e o amigo Andersom Assis, aqui de Itaúna, realizamos alguns testes no alto da serra do empanturrado com uma antena de oito elementos e verificamos que este número de elementos ainda é baixo para uma boa experiência nesta faixa, em grandes altitudes. O ideal é que tenhamos uma antena com um número bem acentuado de elementos para ficar muito diretiva e que discrimine bem os sinais que venham pelas costas.

Há alguns anos atras quando direcionávamos uma antena do alto de um morro em uma dada direção era comum recebermos sinais fracos de emissoras de FM distantes. Hoje esta cada vez mais difícil essa tarefa, pois o que se tem de emissoras piratas, comunitárias, e mesmo comerciais na banda é de encabular.

Caro amigo radioescuta ou dexista! Monte a sua antena da forma mais adequada, mesmo que você more no meio de um prédio de 20 andares, e teste seu rendimento seja qual for o resultado envie suas informações para o DXCB queremos saber mais sobre as experiências dos colegas. Caso sua antena lhe deu uma enorme decepção, não se preocupe, monte outra, que sabe a outra será melhor!

Wilson Rodrigues

DX Clube do Brasil



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RÁDIO E FAMÍLIA

Wilson Rodrigues

Nos contatos com os colegas praticantes do hobby da radioescuta e dexismo sempre percebo nos comentários de alguns, certo descontentamento com a família por não darem o devido valor ao seu hobby. Na verdade tal fato ocorre com outros tipos de lazer, passatempos, etc. Contrastando com um mundo de alta tecnologia, a ciência avançando cada vez mais, temos um mundo violento e a incompreensão das pessoas é muito visível.

O hobby do radioescuta e dexista é em geral praticado isoladamente, quando colocamos o fone de ouvido, ficamos isolados do mundo! Para aqueles que convivem conosco, esposas, filhos e pais, as vezes tal fato provoca um certo desconforto, pois as pessoas sentem-se menosprezadas! Felizmente a maioria não pensa assim.

Tenho observado a pouca participação de jovens solteiros nas nossas atividades, possivelmente, impedidos pelas namoradas que dão um ultimato ao jovem, ou chantageiam-os no afã de impedir a sua ausência.

Sempre gosto de comentar sobre um fato ocorrido aqui em minha cidade, com um amigo que era muito ligado ao radioamadorismo e ter o caso dele como um exemplo de “tragédia radial”. Este amigo tinha alguns equipamentos valvulados e usava diariamente nos momentos de folga. A esposa sempre via nos rádios um inimigo que lhe roubava boas horas da companhia do amado esposo. Ou ainda, lhe roubava a companhia do marido nas lidas domésticas, lavar louças, varrer a casa, limpar, limpar e limpar!

Observei ainda que a esposa do amigo não visse com bons olhos a minha presença periódica na sua residência: “Acho que você devia largar este negócio de rádio e gastar seu tempo com coisa que dá dinheiro, ou que seja mais útil a sociedade, como por exemplo um clube de serviços, ou alguma coisa filantrópica”, salientava ela!

E não deu outra coisa, ele acabou cedendo a pressão da esposa e filiou-se um clube de serviços e se afastou do rádio!

Um ano depois de ficar sem contato com o mesmo, encontro a esposa na fila de um banco e assim que iniciamos a conversa ela comentou muito chateada: “Não sei onde estava com a cabeça quando incentivei meu marido a largar o hobby que ele tanto gostava. No clube onde ele atuava se envolveu com bebidas, mulheres e tal fato quase o fez perder o emprego, hoje não escuta rádio nem no carro! Naquele tempo bastava eu estalar os dedos e ele vinha me atender!”

É uma pena que esta senhora tenha acordado tarde demais! O casamento é parceria, elo, amizade dentre outras coisas. Quando o rádio quebra este elo, temos que rever nossas posições. Também a idéia de duelar com a esposa fica definitivamente descartada! Mas ir para a sala assistir novelas só para agradar esposa está fora de cogitação! Cada macaco no seu galho. Ela com as novelas e eu com a BBC! Certamente a maioria das esposas se pudesse levantariam bandeiras gritando o tradicional: “Mulheres de dexistas, unidas jamais serão vencidas.”

As expedições, DX Camp, e outras atividades de rádio, são um verdadeiro manjar para todos rdioescutas e dexistas, ao passo que para as esposas e namoradas uma tentação que roubou a pessoa amada.

Sempre que se promove uma atividade, por mais simples que seja, como um encontro numa manhã no centro de São Paulo, por exemplo, imaginamos que muitos não compareceram por problemas de trabalho, financeiros ou outros similares. Mas sempre fica a dúvida se a ausência não foi provocada pela esposa que não abre mão de um dia para que quem ela chame de “bem” possa se reunir com os amigos. Certamente se fosse para ir para caso do sogro consertar a torneira, ela aplaudiria e até iria junto para agradar.

Aqueles que são mais antigos no DXCB sabem que a coordenação sempre procurou programar os eventos com bastante antecedência para que o pessoal possa se organizar para a atividade proposta! Infelizmente há pessoas que sempre encontram obstáculos em tudo. Há orquidófilos que nunca expuseram suas orquídeas, torcedores que nunca foram ao campo torcer pelo seu time, assim como dexistas que nunca foram a uma DX Camp, ou um encontro, mesmo quando tais eventos ocorrem próximos a sua região! Claro que deixamos claro que há situações em que realmente não dá para participar. Mas por toda uma vida, realmente não entendemos!

Um exemplo recente de vencer barreiras ocorreu com o amigo Luís Gauna, de Campo Grande-MS que aproveitando um serviço que acabara de realizar para a empresa que trabalha em vez de retornar da cidade de Juiz de Fora-MG para Campo Grande, se dirigiu para São Paulo, e de lá foi para Ilha Comprida participar do DX Camp. Aparentemente pode parecer fácil tal feito, só que o Luiz Carregava uma caixa de isopor enorme pesada e cheia de material perecível e com gelo, além de sua mala com objetos pessoais, mais um Transglobe. Imagine deslocar de ônibus, metrô, fazendo várias mudanças de itinerários! E no final voltar para São Paulo e de lá para Campo Grande! Certamente o Luís não tem o vírus do desânimo!

Este é um tema que ficaríamos discutindo por longo tempo e foge a nossa meta que sempre foi focar o rádio. Acho que os colegas que enfrentam problemas familiares com relação ao rádio, devem por sua parte mostrar de forma clara que o nosso hobby esta dentre um dos melhores do mundo. Convença sua família que ele é um hobby que embriaga sem beber, um esporte que não machuca, educa só ouvindo, não polui, é realizado dentro de casa e dentre outros, é muito barato pelos benefícios que proporciona. Quem sabe com uma boa conversa eles verão sua atividade com outros olhos!

DX Clube do Brasil


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O Brasil e a Guerra Fria no Rádio

Nas Ondas Curtas da Guarujá Paulista

Por Sarmento Campos

No momento cultural desta semana, vamos fazer uma viajem no tempo. Desde 1947, logo após o fim da segunda guerra mundial até os tempos de hoje, quando o mundo tem assistido a dramáticas mudanças geopolíticas.

Desde a década de 50 onde os países capitalistas liderados pelos Estados Unidos e Inglaterra iniciaram a chamada Guerra Fria contra a antiga União Soviética, passando pela criação da Cortina de Ferro para isolar econômica e culturalmente os países do então bloco comunista liderado por Moscou, até os dias de hoje, ouviremos trechos de gravações do rádio de ondas curtas.

Neste momento cultural, vamos rapidamente ouvir trechos de programas de rádio que nos mostram que apesar de todas as mudanças políticas e ideológicas que o mundo tem enfrentado, o rádio de ondas curtas se mantém importante e presente, mesmo nos atuais dias de aparente tranqüilidade.

Iremos ouvir um áudio da Rádio Nacional do Brasil, anunciando o rompimento das relações diplomáticas com a antiga União Soviética, após a Gazeta Literária de Moscou publicar um artigo contra o governo do então presidente Eurico Gaspar Dutra e as forças armadas brasileiras.

As relações entre os nossos países, começaram a ser problemáticas no final de 1946, quando o secretário da embaixada brasileira em Moscou se desentendeu com um gerente de hotel da cidade.

O episódio provocou a troca de acusações entre a imprensa dos dois países.

Em maio de 1947, o embaixador soviético se retira do Brasil após o Tribunal Superior Eleitoral cassar o registro do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Vamos ouvir o áudio desta transmissão histórica :

Momento Cultural - Russia

No auge das transmissões internacionais em ondas curtas, em especial em nosso idioma para o nosso país, a então Rádio Central de Moscou divulgava as noticias e fatos sob outro ponto de vista, possibilitando assim conhecermos mais detalhes e até de fatos então censurados pelo regime militar que através de um golpe, assumiu o poder no ano de 1964.

Enquanto os regimes militares do Brasil, Argentina e Chile, entre outros, seqüestrava, tortura e matava milhares de cidadãos, a Rádio Central de Moscou, a Rádio Havana Cuba e até a Rádio Tirana da Albânia, emitiam programas para o Brasil, noticiando fatos sobre nosso país e sobre o regime militar, além da cultura, artes e música destes países, que não podiam ser censurados, pois as ondas curtas do rádio não sabem o que são e nem respeitam os limites territoriais.

Vamos ouvir um trecho já histórico da abertura da programação para o Brasil da Rádio Central de Moscou, transmitindo desde a antiga União Soviética :

Momento Cultural - Russia

Após as mudanças no leste Europeu, com a quebra da então União Soviética e de suas republicas satélites, a Rússia voltou a ser um país único, porém, manteve sua estrutura de ondas curtas, passando a chamara a emissora oficial de Rádio Voz da Rússia, que continua no ar até hoje, transmitindo desde Moscou.

Ouviremos a seguir, um trecho de abertura da Rádio Voz da Rússia, que continua transmitindo para o Brasil, porém, com uma programação totalmente diferente e adaptada ao novo contexto geopolítico da Rússia.

Momento Cultural - Russia

Com a produção e apresentação de Sarmento Campos, ficamos por aqui, espero contar com sua companhia no próximo encontro, onde falaremos sobre algum aspecto relevante histórico e cultural do rádio de ondas curtas.



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O verdadeiro inventor do Telefone não foi Alexander Graham Bell

Publicado na lista Radioescutas@ por Manuel Jesus

RESUMO BIBLIOGRÁFICO (13/04/1808 – 18/10/1896)
Antonio Santi Giuseppe Meucci, Nasceu em San Frediano, atualmente um bairro de Florença, na Itália, em 13 de Abril de 1808. Estudou na Academia de Belas Artes da capital de Toscana, trabalhando posteriormente como empregado da alfândega e como técnico de cenários no Teatro da Pergola, onde conheceu sua futura esposa, Ester Mochi.

Estudou engenharia química e engenharia industrial. Foi preso entre 1833-1834, por participar no movimento de libertação italiano. Casou-se o dia 7 de agosto de 1834 com Ester Mochi. Foi acusado de participar na conspiração do Movimento de Unificação Italiana e preso novamente, durante três meses.

Em Outubro de 1835, o casal deixou Florença para sempre, emigrando para o continente americano, com primeira parada em Cuba, onde Meucci aceitou um emprego no Gran Teatro de Tacon em Havana. Em 1850, Meucci e sua esposa emigraram para os Estados Unidos, fixando residência em Clifton (em Staten Island, perto da cidade de Nova Iorque), onde viveram o resto de suas vidas.

Antonio Meucci morreu em 18 de Outubro de 1889, na cidade de Nova York, nos Estados Unidos.

O TELEFONE, uma invenção sem a qual nenhum de nós poderia viver nos dias atuais, uma ferramenta da comunicação moderna, tão importante que muitas das atividades sociais e de negócio, de hoje, seriam inconcebíveis na sua ausência, ele está no centro de uma série de eventos tão estranhos e em tamanha quantidade como os que vemos em um filme de ficção.

A maioria de nós aprendeu a ver, em Alexander Graham Bell, através da história, a figura romântica de um inventor, com traço e encanto. Algumas destas impressões favoráveis devem ter vindo da apócrifa mas famosa frase: “Come here Watson, I want you” (“Watson, venha até aqui, eu preciso de você”; frase legendária da invenção do dispositivo, cuja tradição foi aumentada pela versão em filme desta fábula, na qual o ator, Don Amiche, se tornou mais ou menos unido, de forma permanente à pessoa de Graham Bell.

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Antonio Meucci

Mas parece que a história deve ser reescrita, para que a justiça seja feita a um imigrante de Florença, Itália: Antonio Meucci, que inventou o telefone, em 1849, e registrou seu primeiro pedido da patente (intenção de registrar uma patente), em 1871, dando início a uma série de eventos misteriosos e injustiças, que seriam até inacreditáveis se não estivessem tão bem documentados.

Meucci foi uma pessoa enigmática, um homem incapaz de superar sua falta de talento gerencial e empreendedor, um homem atormentado por sua inabilidade para comunicar-se em outros idiomas, exceto o italiano. Os eventos trágicos de sua vida pessoal e profissional, de suas realizações e de sua associação com o grande patriota italiano, Giuseppe Garibaldi, já deveriam ser legendários por si mesmos mas, curiosamente, o homem e sua história são praticamente desconhecidos nos dias atuais.

Antonio Meucci nasceu em San Frediano, perto de Florença, em 13 de abril 1808. Estudou engenharia mecânica e de projetos na Academia de Finas Artes de Florença, e trabalhou no Teatro Della Pergola, bem como em vários outros teatros, como técnico de palco, até 1835, quando aceitou um trabalho como projetista cênico e técnico de palco no Teatro Tacon, em Havana, Cuba.

Absolutamente fascinado por qualquer tipo de pesquisa científica, Meucci lia qualquer tratado científico que chegasse em suas mãos, e despendia nas pesquisas todo o seu tempo livre, em Havana, inventando um novo método para galvanização de metais, o qual aplicou em equipamentos militares, para o governo cubano; ao mesmo tempo, continuava o seu trabalho no teatro e prosseguia com experiências sem fim.

Uma dessas experiências, disparou uma série de eventos fatídicos. Meucci desenvolveu um método que usava choques elétricos para tratar doenças, que se tornou bastante popular em Havana. Um dia, ao preparar-se para administrar esse tratamento num amigo, Meucci ouviu uma exclamação do amigo, que estava num quarto próximo, através de uma peça do fio de cobre que os conectava. O inventor compreendeu imediatamente que tinha em suas mãos algo muito mais importante do que qualquer outra descoberta que havia feito, e gastou os dez anos seguintes para desenvolver o princípio descoberto até um estágio prático. Mais dez anos foram gastos para aperfeiçoar o dispositivo original e tentar promover a sua comercialização.

Com este objetivo, saiu de Cuba para Nova York em 1850, estabelecendo-se em Clifton, uma seção de Staten Island, há algumas milhas de New York City. Ali, além dos problemas de natureza estritamente financeira, Meucci concluiu que não conseguiria se comunicar adequadamente em inglês, problema que havia sido atenuado pelas similaridades entre o italiano e o espanhol, durante sua residência em Cuba. Além disso, em Staten Island, encontrou-se cercado por refugiados políticos italianos; Giuseppe Garibaldi, quando exilado da Itália, viveu um período nos Estados Unidos, na casa de Meucci.

O cientista tentou ajudar aos seus amigos italianos, idealizando um grande número de projetos industriais, usando métodos de manufatura, novos ou melhorados, para diversos produtos, tais como a cerveja, as velas, os pianos e o papel. Mas ele não detinha a arte da gerência, e mesmo aquelas iniciativas que tiveram sucesso, viram seus lucros corroídos por gerentes ineptos ou inescrupulosos, ou pelos próprios refugiados, que gastavam mais tempo em discussões políticas do que trabalhando ativamente.

Entrementes, Meucci continuou a dedicar seu tempo para aperfeiçoar o telefone. Em 1855, quando sua esposa se tornou parcialmente paralisada, Meucci montou um sistema telefônico, ligando diversos quartos de sua casa, com sua oficina de trabalho, em outro edifício, próximo dali, a primeira instalação telefônica do mundo. Em 1860, quando o aparelho se tornou mais prático, Meucci organizou uma demonstração, visando atrair investimentos financeiros, onde a voz de um cantor foi ouvida claramente, por espectadores, a uma distância considerável. Uma descrição do aparelho foi logo publicada em um dos jornais italianos de Nova York, e a notícia, junto com um modelo da invenção foi levada à Itália, por um certo Signor Bendelari, com o objetivo de conseguir sua produção naquele país; nada resultou desta viagem, nem das muitas promessas de apoio financeiro que haviam emergido da demonstração.

Os anos que se seguiram, trouxeram pobreza crescente para um amargurado e desencorajado Meucci, que, não obstante, continuou a produzir uma série de invenções novas. Sua precária situação financeira, entretanto, obrigou-o, amiúde, a vender os direitos das suas invenções e, apesar disso, permanecia sem os recursos para tirar a patente final do telefone.

Um evento dramático, no qual Meucci teve severas queimaduras, durante a explosão do navio a vapor Westfield, retornando para New York, levou as coisas para um estado ainda mais trágico. Enquanto Meucci jazia no hospital, miraculosamente vivo após o desastre, sua esposa vendeu muitos dos seus modelos de trabalho (inclusive um protótipo do telefone), assim como outros materiais, a um negociante de objetos usados, por seis dólares.

Quando Meucci tentou comprar de volta estes preciosos objetos, foi informado de que haviam sido revendidos “a um jovem desconhecido”, cuja identidade permanece um mistério até hoje. Esmagado, mas não vencido, Meucci trabalhou noite e dia para reconstruir sua invenção, bem como para produzir novos desenhos e especificações, claramente apreensivo de que alguém a pudesse tentar roubar, antes que conseguisse ter sua patente. Incapaz de levantar a soma para uma patente definitiva (US$250, bastante considerável naqueles dias), ele entrou com processo no ‘Embargos ou Notificação de Objetivos’ (Caveat or Notice of Intent), registrado em 28 de Dezembro de 1871, e renovado em 1872 e em 1873 mas, tragicamente, não mais depois disso.

Imediatamente após receber a certificação do Caveat, Meucci tentou, outra vez, demonstrar o enorme potencial do dispositivo, entregando um modelo e detalhes técnicos ao vice-presidente de uma das filiais da, recentemente estabelecida, ‘Western Union Telegraph Company’, pedindo permissão para demonstrar-lhes o seu “telégrafo falante”, no sistema de fios da Western Union. Entretanto, todas as vezes que Meucci tentava contactar este vice-presidente, um certo Edward B. Grant lhe comunicava não ter havido tempo para arranjar o teste. Dois anos se passaram, depois dos quais Meucci exigiu a devolução dos seus equipamentos, ao que lhe responderam que “tinham sido perdidos.” Isso ocorreu em 1874.

Em 1876, Alexander Graham Bell requereu uma patente que não descrevia realmente o telefone, mas referia-se a ele como tal. Quando Meucci soube disto, instruiu seu advogado a entrar com protesto junto ao Escritório de Patentes dos Estados Unidos (U.S. Patent Office), em Washington, algo que nunca foi feito. Não obstante, um amigo contactou Washington, tendo sabido que todos os originais referentes ao “telégrafo falante”, registrados por Meucci no Caveat or Notice of Intent, “tinham sido perdidos”. Uma investigação posterior produziu evidências de relacionamentos ilegais, ligando determinados empregados do U.S. Patent Office a funcionários da Bell Company.

E mais tarde, no curso do litígio entre a Bell Company e a Western Union, revelou-se que a Bell teve que concordar em pagar à Western Union, 20 por cento dos lucros obtidos na comercialização da “sua invenção”, por um período de 17 anos. Isso significou milhões de dólares, mas o preço pode ter sido mais barato do que a revelação de fatos que eram melhor permanecer escondidos, do ponto de vista da Bell, é lógico.

No caso levado ao Tribunal, em 1886, embora os advogados da Bell Company tentassem torcer o caso de Meucci em favor do seu cliente, Meucci foi bastante hábil em explicar cada detalhe da sua invenção, tão claramente, que restaram poucas dúvidas sobre a sua veracidade, embora não tenha ganho o caso contra as forças superiores – e muito mais ricas – no campo da Bell.

Apesar de uma declaração pública da Secretaria de Estado (Secretary of State), de que “existia prova suficiente para dar a prioridade a Meucci na invenção do telefone”, e apesar do fato dos Estados Unidos iniciarem uma acusação por fraude contra a patente da Bell, essa ação foi postergada, ano após ano, até a morte de Meucci, em New York-EUA, no ano de 1896, quando o caso foi encerrado.

A história de Antonio Meucci é ainda muito pouco conhecida, contudo, é um dos episódios mais extraordinários da história dos EUA, se bem que um episódio em que a justiça foi pervertida. E mais, o gênio e a perseverança de um imigrante italiano – gênio, homem de negócios pobre, defensor tenaz dos seus direitos, mesmo contra todas as probabilidades e sendo moído pela pobreza – é uma história que merece e deve ser contada.

Antonio Meucci está esperando para ser reconhecido como o inventor de um elemento chave da nossa cultura moderna: o TELEFONE.

Finalmente, no ano de 2002, a justiça começa a ser restabelecida, pois a patente desse importante invento, outrora ‘atribuído’ a Graham Bell, foi reconsiderado pelo Congresso dos Estados Unidos, em sua Resolução 269, de 11 de Junho de 2002, em favor do seu verdadeiro inventor: Antonio Meucci (Antonio Santi Giuseppe Meucci), italiano nascido em San Frediano, perto de Florença-Itália, no ano de 1808.

Esperamos que o resto do mundo repare a injustiça e passe a divulgar o real inventor, como ele merece.

Referências :

http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Barra_Escolha/B_AntonioMeucci.htm

http://www.guardian.co.uk/world/2002/jun/17/humanities.internationaleducationnews



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Histórico do DX Clube Paulista e DX Clube do Brasil

Samuel Cássio Martins

DX Clube do Brasil

O DXCP teve como inspirador o extinto DX Clube do Brasil, o qual conheci em 1977 ao entrar em contato com seu coordenador Luiz Roberto de Medina da cidade de Recife-PE. Através do antigo DXCB pude tomar contato com o dexismo sério e conhecer expoentes do dexismo brasileiro como: Robert Veltmeijer, Cláudio R. de Moraes, Sérgio D. Partamian, Antônio Ribeiro da Motta, Roberto Levinstein, Rogildo F.Aragão, Gilberto Santos, Emmanuel Tavares entre outros.

O DXCB antigo acabou abruptamente em 1978, seu coordenador desapareceu sem deixar notícias. Seu boletim Comunicação DX, foi também o inspirador dos primeiros boletins do DXCP. Antes de seu encerramento, o DXCB através de Robert Veltrneijer organizou o primeiro encontro de dexistas brasileiros na semana santa do ano d.e 1978 no Largo do Arouche em São Paulo. .

Um pouco antes do encerramento do DXCB, apareceu no Rio Grande do Sul o DX Clube de Porto Alegre organizado por Alencar Aldo Fossa. Alencar era também membro do DXCB e dai acabou resultando um fato constrangedor.

Aconteceu no finalzinho de 1977, quando Alencar além de comunicar a fundação do DXCPOA se ofereceu também para coordenar o próprio DXCB. Ele manteria os dois Clubes em separado, com quadros associativos também independentes. Este fato causou muita polêmica e certa antipatia do DXCB pelo Alencar Aldo Fossá. Esta idéia não foi à frente, mas serviu para começar o enfraquecimento do DXCB e a breve vida do DXCPOA. Este durou dois anos. Seu boletim contava com poucos loggings, muita matéria dedicada às emissoras internacionais, alguns artigos didáticos do dexismo e algum material técnico. Apesar de ter o seu valor, não era o tipo de boletim que entusiasmasse.

Outro Clube que existia naquela época e que ainda existe, com outro nome e algumas interrupções, era o DX Clube do Pará, coordenado pelo Djaci Franklin de Belém-PA. Ainda que um boletim irregular como também tivesse os outros dois Clubes atados, era um boletim com muitos loggings e assuntos muito técnicos. Foi neste meio que me desenvolvi no dexismo e de onde, um pouco mais tarde, viriam surgir às idéias para a criação do DX Clube Paulista.

No ano de 1980 não existia nenhuma organização dexista no Brasil, as informações eram conseguidas através do WRTH, programas DX das diversas emissoras internacionais, boletins de clubes estrangeiros. Talvez a única manifestação de ligação entre os dexistas brasileiros era feita por Robert Veltmeijer. Ele chegou a editar alguns números de uma circular dexista com loggings e notícias, foi acompanhado por um momento por Emmanuel Tavares Filho, dexista de destaque do Rio de Janeiro.

Robert também encontrava os amigos em sua residência, enviava suas informações por carta aos dexistas brasileiros, participou também da organização do Encontro de dexistas brasileiros e argentinos realizado em Foz do Iguaçu no ano de 1979, Robert sempre esteve em contato, sendo por si mesmo um elo entre os dexistas brasileiros.

Algo que nunca compreendi perfeitamente, foi o fato de que existindo tantos bons dexistas naquele final dos anos 70 e início dos 80, nada foi organizado em termos associativos após o término ou paralisação das três maiores organizações Dexistas do Brasil até aquele momento, DXCB, DXCPOA, DXC do Pará, sobretudo o DXCB que reunia excelentes dexistas em grande quantidade.

Naquela época não conhecia qualquer outro dexista aqui em São Carlos, as coisas eram distantes naqueles tempos. Participei muito de programas de cartas das emissoras internacionais e de listas de correspondentes que estas emissoras mantinham. Eram muitos os contatos com pessoas de outras localidades através de correspondência, no entanto, poucos eram dexistas.

Em meados de 1981 estava eu certo dia no telhado de casa mexendo com antenas, quando minha mãe me chamou dizendo que havia um rapaz me procurando. Era o Márcio R. F. Bertoldi, muito jovem, tinha quinze anos, na época eu estava com vinte e um. O Márcio se apresentou como ouvinte de ondas curtas e dexista, disse que conseguira meu endereço através de uma lista da Rádio Nederland.

Logicamente nossa amizade foi formada rapidamente e muitas informações trocadas. Passei ao Márcio todo aquele breve histórico dos clubes DX no Brasil e comentávamos cada vez mais da necessidade urgente de uma nova organização dexista em nosso país, mas antes de tudo este clube teria que ser realmente ativo, ter um boletim regular que cumprisse um esquema de datas, promover uma participação maior de todos os seus membros e dedicado ao dexismo mais técnico. Fomos desenvolvendo esta idéia e resolvemos por criar este clube.

O DXCP surgiu em Outubro de 1981, a data oficial de sua fundação é 17de Outubro. Esta foi a data em que o primeiro Atividade DX foi realizado. Contava com um editorial de apresentação e objetivos, loggings, notícias, alguns artigos “demo” e o convite para adesões com a promessa do segundo boletim para Dezembro de 1981. Este realmente saiu naquele mês e ainda não parou.

Quando o primeiro boletim Atividade DX foi editado, o DXCP não tinha qualquer divulgação anterior, sabíamos que as organizações que existiram anteriormente haviam sido muito irregulares, portanto começamos com cautela. Depois de pronto o primeiro Atividade DX, preparamos uma lista de encaminhamento.

Naquela época possuíamos muitos correspondentes, amigos feitos nos programas de cartas das diversas emissoras internacionais. Lembro-me de selecionarmos alguns que possuíam um maior interesse para o dxismo e enviamos a estes, bem como a algumas emissoras internacionais. O resultado foi animador pois muitos nos responderam, nos parabenizando pela criação do DX CLUBE PAULISTA, além de se colocarem à nossa disposição para uma maior colaboração. Destaco neste primeiríssimo momento as participações do, colegas Ricardo André Becker e Carlos Roberto Godinho que nos ajudaram bastante, sendo eles, os dois primeiros colaboradores do DXCP fora de São Carlos. Deixamos para um pouco depois o convite de adesão aos dexistas brasileiros mais experientes, algo que viria ser muitíssimo importante e fator de consolidação do DXCP.

O nome DX Clube Paulista foi um derivado daquele momento. Tivemos o DX Clube do Brasil, um nome importante. Com o seu fechamento, outros clubes da época possuíam nomes regionais, este também foi o nosso caso, (e nisto havia sim um sentimento regional em um primeiro momento, mas como mostra a primeira lista de membros, desde o início o DXCP contou com pessoas de todo o Brasil).

Logo no inicio de 1982 escrevemos a muitos dos ex-membros do antigo DXCB. Dexistas como Antônio Ribeiro da Motta, Sérgio D. Partamian, Rogildo F.Aragão, Emannuel Taváres, Gilberto Santos, Cláudio Rotolo de Moraes, Robert Veltmeijer se juntaram a nós.

Dexistas na acepção da palavra contribuíram em muito para a consolidação do DXCP. Apesar da falta de equipamentos mais sofisticados no dexismo brasileiro daquela época, o nível de escutas era muito alto, este pessoal ao lado de tantos outros que se juntaram a nós atingiram perfeitamente os objetivos propostos pelo DXCP. Antônio Ribeiro da Motta além das muitas formas de colaborar com o Atividade DX é considerado por nós como sendo o terceiro fundador do clube. Seu trabalho de divulgação do novo clube foi incansável, o “Moita”, (como ele era chamado), tinha acesso a diversos clubes importantes do exterior, ao WRTH, diversas emissoras internacionais e com vários importantes dexistas brasileiros. Foi ele quem colocou o nome do DX Clube Paulista no WRTH na época chamado de “A Bíblia dos dexistas”.

Hoje talvez este ato pareça corriqueiro, mas tinha certo grau de dificuldade naqueles tempos. Isto nos abriu muitos contatos com dexistas, clubes estrangeiros e o nome do DX Clube Paulista se difundiu mundo afora (literalmente). Antônio Ribeiro da Motta foi editor até 1989 encerrando sua participação na coluna Matutando, embrião da atual coluna Rádio Contato. Ele também foi um grande incentivador dos encontros dexistas, teve participação fundamental nos dois maiores encontros da década de oitenta e que ainda figuram entre os maiores realizados até hoje, o encontro de 19B7 em São José dos Campos, onde organizou praticamente sozinho em nome do DX Clube Paulista e do Globo DX, encontro este com a participação aproximada de 40 pessoas, inclusive com uma “estrela” das ondas curtas na época, a jornalista e locutora Maria Costa Pinto do Serviço Brasileiro da BBC de Londres.

Em 1988 foi realizado o primeiro ENBRADEX, Encontro Brasileiro de dexistas, realizado em Aparecida-
SP. Este encontro contou com o grande incentivo de Robert Veltmeijer que tinha grande interesse na união entre o DXCP e o Globo DX. Vale lembrar que estes encontros aconteceram em uma época em que os serviços internacionais em português ainda tinham muito interesse pelo Brasil. Entrevistas eram gravadas ao vivo 1 e transmitidas alguns dias depois como a BBC, ou então por telefone e levadas ao a’r no mesmo dia como fazia a VOA através do jornalista e locutor Ricardo André. Este foi um dos grandes incentivadores do Dexismo no rádio internacional, conduziu o programa Onda Curta na Rádio RSA da África do Sul e na VOA dos Estados Unidos, deu um apoio muito grande aos clubes dexistas brasileiros.

O DXCP colaborava freqüentemente com o Ricardo André, sendo que quando de sua passagem pela Rádio RSA, chegamos a produzir programas gravados em fita cassete levados ao ar em Onda Curta pela emissora sul-africana. Outros programas Dexistas nos quais tivemos freqüentes participações foram: Radio Enlace (R. Nederland), O Mundo das Comunicações (R. Nederland), Editor DX (Rádio Suécia), os programas DX da Rádio Áustria, Exterior de Espanha, BBC de Londres, etc.

Voltando aos Encontros realizados pelo DXCP e o Globo DX, estes foram três, o primeiro realizado em 1985 na casa de Robert Veltrneijer em São Paulo. Tivemos por três anos um bom relacionamento e uma co-participação em eventos e interesses. No entanto, após o Encontro de Aparecida, as diferenças entre os dois clubes acabaram sobrepondo-se aos esforços em conjunto, alguns entreveros pessoais entre, membros dos dois clubes acabaram causando rompimento entre as duas associações. Até emissoras internacionais como a BBC se aproveitaram desta situação, o Programa Freqüência DX do serviço brasileiro tentou alimentar uma polêmica no ar. Eu mesmo escrevi à BBC pedindo para que este fato não fosse tema de intrigas. pedi também para não levarem este assunto adiante.

O Globo DX continuou com o ENBRADEX por mais alguns anos, o DXCP retomou aos seus encontros informais: O clima era de tensão ,em 1969, tanto o DXCP como o Globo DX realizaram seus encontros no mesmo dia, 15 de Julho, em São Paulo. O tempo foi o melhor remédio, muitos atuantes do Globo DX, pessoas moderadas como Cassiano Alves Macedo, José Moura, entre outros, estão hoje no DXCLUBE DO BRASIL.

Por seis anos o boletim Atividade DX foi bimestral. Existem algumas justificativas para que isto assim fosse. Não existiam tantas facilidades para se obter informações, equipe editorial muito pequena e custos incertos. Passamos por momentos difíceis, pois convivemos com inflação muito alta por muitos anos. Era uma dificuldade estipular um valor de’ assinatura. Lembro-me que começamos com anuidade e à medida que a inflação foi subindo nos anos 60, passamos à semestralidade, trimestralidade, até bimestralidade existiu.

Apesar de a inflação continuar, (era um inibidor), em Janeiro de 1987 quando o boletim passou a ser mensal, o DXCP tinha crescido bastante, o próprio dexismo se desenvolvera mais no Brasil e precisávamos ter um boletim mensal, esforços foram feitos, mais colaboradores presentes e as coisas se ajeitaram nesta nova situação. Algo que ainda restou dos tempos do boletim bimestral foi a equipe editorial pequena, diferentemente dos dias de hoje, tínhamos um olhar mais centralizado, mas também a disponibilidade de pessoal era menor. Algo que foge da lógica era o fato de eu e o Márcio termos como meta que o boletim “saísse Atividade DX 15 de qualquer jeito”, ou seja, mesmo sem dinheiro ou sem editores o boletim tinha que ser editado. Era algo inconsciente, não tínhamos a intenção de acabar com o clube.

O primeiro logotipo do DX Clube Paulista foi criado por uma pessoa sem nenhum vínculo com o Dexismo, um amigo de São Carlos chamado Orlando Paulo: Mas o desenho que realmente pegou foi criado por Rogilo Fontenelle Aragão em 1984. Rogildo teve uma participação inconstante na primeira fase de nosso clube, morando por um longo tempo na Bolívia, nem sempre pode manter o contato, mas ainda assim foi um grande colaborador de nosso boletim. Rogildo editava também o informativo BOLPEBRA DX, um informativo sobre emissoras da Bolívia, Peru e Brasil. Com seu retorno em 1989 ao Brasil, Rogildo foi de grande importância na nova fase que se iniciou em São Bernardo do Campo.

Outro grande incentivador do DXCP foi Sérgio D. Partamian. Ele sempre teve um caráter ponderado, participando muito como um conselheiro, além de excelente dexista e editor por muito tempo da coluna Onda Média. Sérgio sempre esteve presente nos Encontros, reuniões preparatórias ou informais. É um dos principais nomes do DXCP (B) em todos estes anos. Grandes colaboradores de escutas e informações, recordistas certamente de participações nos boletins, foram Cláudio Rotolo de Moraes e Gilberto Santos.

Grandes escutas estes dois nos informavam. Cláudio está conosco ainda hoje e continua colaborando. De maneira super informal, Cláudio sempre nos brindou com escutas muito interessantes, inclusive suas fantásticas escutas de FM, algumas a 5000 km de distância. Gilberto faleceu em 1993, foi ele um colaborador constante, além das escutas, traduzia artigos e participou de muitos encontros.

Outros colaboradores e editores de nosso boletim nos primeiros cinco anos foram Jonas Abbud de Jundiaí-SP e o Raimundo L Bezerra com rápida passagem e também Renê Gustavo Passold, até hoje junto conosco e que desde 1983 vem colaborando com nossos boletins, encontros e atualmente vem sendo muito útil aos dexistas brasileiros por desenvolver a antena RGP3 para ondas médias, entre outros projetos. Também um grande colaborador de hoje que esteve com o DXCP na década de 80 é o amigo Célio Romais de Porto Alegre, RS.

A segunda metade do DXCP em São Carlos nos brindou com uma segunda geração de excelentes dexistas e ótimos colaboradores. Válter Aguiar apareceu em 1985. Além de sua vocação narrativa, editou uma das melhores fases do Panorama DX em nosso boletim. Valter também fazia a Retrospectiva Anual DX além de participar ativamente dos encontros realizados.

Em1986 apareceu Felipe C. Flosi do Rio de Janeiro. Ele sempre tinha escutas interessantes, além de colaborar com muito material didático, tradução de textos, comentários técnicos, e Carlos Felipe teve um contato muito estreito conosco; inclusive tendo vindo a São Carlos, algo raro, além dele, apenas o Motta e o Raimundo Bezerra tinham estado em São Carlos naqueles anos.

O Felipe Flosi é apaixonado pelos rádios Collins. Logo após foi a vez do DX Clube do Brasil de Rudolf Walter Grimm que editou brilhantemente a coluna QSL por um razoável período. Hoje ele continua apaixonado pelas confirmações. Com a coordenação do DXCP indo para São Bernardo do Campo, Rudolf estreitou em muito sua relação com o DXCP, é um dos responsáveis por nosso clube chegar tão longe. No final da década de 80 duas figuras muito importante estavam conosco, o futuro do DXCP estava garantido.

Marcelo Toniolo dos Anjos e Carlos Felipe da Silva, os dois dexistas que alguns anos depois iriam assumir o DXCP lançando-o em um novo e glorioso período. O Marcelo já havia sido membro do clube logo em seu inicio estando entre os vinte primeiros sócios do DXCP, mas se afastando pouco tempo depois. Marcelo foi a pessoa que iniciou um grande trabalho em prol do Dexismo utilitário, lançou também o Manual do Dxismo Utilitário. Carlos Felipe, ainda bastante jovem, assumiu a coluna QSL logo após o Rudolf deixá-la. Carlos também escrevia artigos e era um colaborador constante, seu espírito empreendedor já se fazia sentir, o futuro vocês já conhecem. Apesar de todos estes esforços, certo cansaço se abatia aqui por São Carlos.

O início dos anos noventa foram os piores da primeira fase do DXCP, o nível do boletim caiu muito, tanto em conteúdo quanto em sua parte gráfica, por culpa exclusiva nossa de São Carlos. O número de sócios estagnou nenhuma atividade além da rotineira. Parecia que o fim estava próximo. Ainda que nem sempre de forma constante, eu e o Márcio estivemos a frente do DX Clube Paulista durante 12 anos. Nem sempre constante, pois houve momentos em que um ou outro esteve praticamente sozinho na condução do clube.

Fomos editores de praticamente todas as colunas, os boletim eram feitos ‘manualmente’, ou seja, loggings, por exemplo, colocados em ordem, um a um, com um monte de papel à volta, só para dizer uma das dificuldades.

Para se conseguir notícias na falta de colaborações, muitas vezes tinha-se que ouvir o próprio rádio. Toda a comunicação era feita por carta, longos períodos na expectativa de respostas e na espera de material. Tudo isso era muito cansativo passado tantos anos. Foi quando em meados de 1992, Carlos Felipe começou os planos para coordenar o futuro do DXCB a partir de janeiro de 1993, o boletim Atividade DX passou a ser editado em São Bernardo do Campo.

Essa já é outra história que contaremos no futuro.

DX CLUBE PAULISTA
… 17 ANOS



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Bell did not invent telephone, US rules

The Guardian, Monday 17 June 2002 11.14 BST

http://www.guardian.co.uk/world/2002/jun/17/humanities.internationaleducationnews

Italy hailed the redress of a historic injustice yesterday after the US Congress recognised an impoverished Florentine immigrant as the inventor of the telephone rather than Alexander Graham Bell.

Historians and Italian-Americans won their battle to persuade Washington to recognise a little-known mechanical genius, Antonio Meucci, as a father of modern communications, 113 years after his death.

The vote by the House of Representatives prompted joyous claims in Meucci’s homeland that finally Bell had been outed as a perfidious Scot who found fortune and fame by stealing another man’s work.

Calling the Italian’s career extraordinary and tragic, the resolution said his “teletrofono”, demonstrated in New York in 1860, made him the inventor of the telephone in the place of Bell, who had access to Meucci’s materials and who took out a patent 16 years later.

“It is the sense of the House of Representatives that the life and achievements of Antonio Meucci should be recognised, and his work in the invention of the telephone should be acknowledged,” the resolution stated.

Bell’s immortalisation in books and films has rankled with generations of Italians who know Meucci’s story. Born in 1808, he studied design and mechanical engineering at the Academy of Fine Arts in Florence, and as a stage technician at the city’s Teatro della Pergola developed a primitive system to help colleagues communicate.

In the 1830s he moved to Cuba and, while working on methods to treat illnesses with electric shocks, found that sounds could travel by electrical impulses through copper wire. Sensing potential, he moved to Staten Island, near New York City, in 1850 to develop the technology.

When Meucci’s wife, Ester, became paralysed he rigged a system to link her bedroom with his neighbouring workshop and in 1860 held a public demonstration which was reported in New York’s Italian-language press.

In between giving shelter to political exiles, Meucci struggled to find financial backing, failed to master English and was severely burned in an accident aboard a steamship.

Forced to make new prototype telephones after Ester sold his machines for $6 to a secondhand shop, his models became more sophisticated. An inductor formed around an iron core in the shape of a cylinder was a technique so sophisticated that it was used decades later for long-distance connections.

Meucci could not afford the $250 needed for a definitive patent for his “talking telegraph” so in 1871 filed a one-year renewable notice of an impending patent. Three years later he could not even afford the $10 to renew it.

He sent a model and technical details to the Western Union telegraph company but failed to win a meeting with executives. When he asked for his materials to be returned, in 1874, he was told they had been lost. Two years later Bell, who shared a laboratory with Meucci, filed a patent for a telephone, became a celebrity and made a lucrative deal with Western Union.

Meucci sued and was nearing victory – the supreme court agreed to hear the case and fraud charges were initiated against Bell – when the Florentine died in 1889. The legal action died with him.

Yesterday the newspaper La Repubblica welcomed the vote to recognise the Tuscan inventor as a belated comeuppance for Bell, a “cunning Scotsman” and “usurper” whose per- fidy built a communications empire.



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Você é doido? A discriminação que o Dexista sofre.

Amigos do DXCB, o nosso assunto deste Atividade DX será também um tema polêmico pois vamos comentar o relacionamento do radioescuta e dexista com o preconceito das pessoas ao seu hobby.

Certa ocasião participando de uma festa de fim de ano com amigos um dos participantes ofereceu-me uma dose de cachaça, e eu respondi-lhe que não tomava bebida alcóolica, em seguida ele retirou um cigarro e insistiu que eu pegasse um, minha recusa não agradou ao rapaz, que assim que tirou umas tragadas retirou do bolso um jogo de cartas de baralho e perguntou: Você não bebe, não fuma, será que pelo menos joga um baralhinho? Respondi-lhe que não, e ato continuo o rapaz começou a dizer tanta abobrinha, besteirou, e enxurrada de idiotice que abreviei minha saída da festa. Nada tenho contra quem fuma, bebe, e joga baralho. Só que como respeito o gosto de quem os aprecia quero que a recíproca seja verdadeira! Dizem os sábios que gosto não se discute! Será

Outros sábios contradizem, dizendo que existe o bom gosto e o mau gosto a diferença entre um e outro pode estar na compreensão de cada um fazer seu julgamento colocando o bom senso acima de tudo. No passado as pessoas comentavam que fulano de tal ficou louco de tanto estudar como se todos que estudam com afinco tivessem como destino ficar como o personagem Dom Quixote De La Mancha de Miguel de Cervantes, que enlouqueceu com os livros sobre a cavalaria.

Hoje essa idéia já foi abolida do nosso meio ,pois sabe-se que o estudo literário ou técnico ou qualquer que seja serve como ginastica para o célebro, isso segundo os estudiosos no assunto. Tal fato tanto é verdadeiro que as pessoas que são muito esclarecidas, cultas, evoluídas raramente chegam a velhice com problemas de senilidade. ( No jargão popular: Caduquice )

Um político Brasileiro comentou certa ocasião que: No Brasil o errado é que é certo! Tal comentário tem um fundo de verdade, pois se você não gostar de certos vícios, costumes, e hábitos da população será muitas vezes recriminado e discriminado.

Para muitos, legal é o indivíduo que usa brinco, tatuagens, fuma, bebe, participa de torcida organizada, luta karatê, faz pega com veículo, gosta de música de metaleiro, pertença a uma gang etc. Quem foge a isso tá fora do grupo.

O dexista não foge a regra, como nosso robby é pouco conhecido, quando defrontamos com as pessoas que tem uma visão diferente da nossa e que enxergam o mundo quadrado, a discriminação vem junta.

O que leva uma pessoa a gostar de rádio ou não? Passou de pai para filho? Conviveu com pessoas que gostavam do hobby ? Surgiu assim na sua vida de repente? Cada um tem seu comentário a fazer. O que levaria uma pessoa a discriminar ou fazer chacota de um costume ou comportamento do outro? Acredito que só pode ser a forma de enxergar o mundo.

Todos têm olhos, mas a forma de ver as coisas muda de pessoa para pessoa. Existe um jogo de observação que os chefes escoteiros usam para verificar a atenção dos garotos. Os garotos são solicitados a entrarem em uma sala e aguardarem os chefes lá dentro por um minuto. Logo depois são chamados para fora e é pedido a cada jovem que escreva em uma folha em quatro minutos tudo que ele viu dentro da sala. O resultado é sempre impressionante, pois tem jovem que praticamente enumera tudo enquanto que outros praticamente não viram nada!

Um dexista comentou comigo que o que mais machuca quando e discriminado é o fato da dela sempre partir de pessoas que não tem nenhum conhecimento sobre o hobby, sua ignorância deixa-o cego.

A discriminação contra o radioescuta começa quando ele vai montar suas antenas. O síndico do prédio o impede. O vizinho vive perguntando se as suas antenas não irão atrair raios para sua casa que esta próxima se suas antenas não vão provocar interferências na sua TV e por ai!

No meu último encontro com o amigo Turelli, eu comentei com ele: “Toda uma vida ainda é pouco para desfrutarmos de tudo que ela pode nos oferecer.” São tantas coisas boas que ainda não fizemos que sentimo-nos impotentes ante nosso maior inimigo. O tempo, a contagem regressiva 4,3,2, 1, 0…….e ainda temos que agüentar preconceito das pessoas discriminando o pouco que temos direito para nos fazer felizes!

Antes de aposentar eu trabalhava em uma indústria metalúrgica, certa vez ao comentar com um colega da minha seção, sobre o preço do receptor que eu havia adquirido, o Sony 7600G ele ridicularizou comentando que era muita coragem dar tanto dinheiro por um rádio, e segundo ele o receptor que tinha em casa faria tudo que o Sony fizesse.

Mesmo sabendo que estava perdendo tempo aceitei seu desafio de no outro dia trazer cada um o seu receptor. No dia posterior no horário do almoço lá estava eu com o Sony debaixo do braço aguardando o colega com o seu.

Um dos colegas se colocou como Juiz para as devidas avaliações e pediu ao colega que colocasse sobre a mesa o seu rádio que custara 20 reais e que faria frente a qualquer outro rádio. Ao retirar de dentro da sacola um velho Telespark a turma da seção já começou a rir. Assim que coloquei o Sony sobre a mesa.

Eu disse-lhe:
_Coloque seu rádio em SSB e sintonize uma estação utilitária.
_SSB, o que é isso? Indaga o amigo!
_Bom deixa pra lá, comentei, sintonize primeiramente em 300 kHz e depois em 25 MHz.
_Meu rádio não tem estas freqüências! Salientou o amigo!
_Bem, então me mostre quantas memórias tem seu rádio? Quantas horas esta marcando o relógio do seu rádio? Programe-o para desligar daqui a dois minutos. Nesta altura o colega já se sentindo humilhado pegou seu Telespark , saiu de mansinho, desapareceu e nunca mais tocou no assunto.

Não recomendo que os colegas venham a agir desta forma, pois pode aumentar mais ainda a discriminação do seu oponente e não leva a nada. Eu agi assim porque se tratava de uma pessoa que realmente precisava de uma lição, e o meu estopim queimou-se todo e cheguei ao meu limite!

Creio que a discriminação nunca acaba ela só muda de lugar, hoje ela fere os dexistas amanhã os criadores de Orquídeas, logo depois os colecionadores de cartões telefônicos e vai por ai atacando sem olhar raça, credo, idade etc. O mínimo que podemos fazer é evitar essas pessoas que no jargão popular são chamados aqui em Minas Gerais de: “PROSA RUIM”

Um grande abraço a todos e bons DX. Ate o mês que vem.

73’ do amigo Wilson Rodrigues

DX Clube do Brasil



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A IDENTIFICAÇÃO DAS EMISSORAS CAPTADAS

Nas Ondas Curtas da Guarujá Paulista

Por Adalberto Marques de Azevedo – Barbacena – Minas Gerais

Caros amigos,

Como estamos quase no início de um novo concurso sobre escutas de emissoras, é importante frisar o grande significado que tem a correta identificação das emissoras captadas.
Este texto eu já apresentei aqui há algum tempo atrás, mas julgo oportuno reapresentá-lo novamente.

A IDENTIFICAÇÃO DAS EMISSORAS CAPTADAS.

A correta identificação de uma emissora sintonizada, é uma das questões mais importantes a serem observadas pelos radioescutas e dexistas.

Na realidade esta é a ação mais importante para a correta anotação do LOG e o posterior envio do Informe de Recepção. Da correta identificação existirá uma excelente possibilidade de se vir a receber a confirmação da escuta feita.

Um dos fatores primordiais para a correta identificação é exatamente uma boa audição da emissora sintonizada, e esta condição quase nunca está presente nas sintonias que fazemos, visto serem, na maioria das vezes, estações de longa distância, em freqüências baixas, transmitindo com pouca potência e sob o efeito de ruídos atmosféricos, interferências das mais variadas fontes.

Outra coisa que muitos consideram como importante é o dexista ser “bom de ouvido”, ter uma audição muito boa. Quanto a isso, posso falar por observação, pesquisa e experiência própria, que não se trata de uma verdade “batida a prego”, pois ao longo dos anos em que me dedico a atividade de sintonizar broadcasters, tenho observado pessoas que teoricamente não poderiam distinguir uma emissora sob o vendaval de estática e outras interferências e mesmo assim o fazem.

Aqui mesmo, em Barbacena, existe um radioamador ( Onélio – PY4ONU ), que devido a um acidente com a explosão de um cilindro de acetileno; perdeu uma perna, um braço, ficou cego de ambos os olhos e perfurou os tímpanos. Pois saibam que este radioamador, mesmo com as deficiências físicas atuais, opera muito bem a sua estação. Com o tempo, ele desenvolveu aquela percepção especial que os cegos possuem de distinguirem bem os sons, e identifica de imediato cada pessoa que o chama pela freqüência, mesmo sob as condições piores de propagação e interferência.

Como eu também tenho uma deficiência auditiva congênita, do ouvido direito, em uma das muitas consultas periódicas ao meu Otorrinolaringologista; este profissional me explicou que a máquina humana tem uma capacidade de adaptação formidável. As pessoas que possuem como eu, um “endurecimento” do diafragma auditivo, o nervo auditivo passa a captar as vibrações que chegam aos demais órgãos situados ao redor do labirinto auditivo e desta maneira, por substituição eliminam quase que totalmente esta falha.

É por isso que o Onélio, com seus tímpanos perfurados, escuta tão bem e eu com minha deficiência conseguimos distinguir de modo satisfatório as emissoras que sintonizo. Além disso a prática diária desenvolve a capacidade mental de deduzir aquilo que se ouve.

Mas, deixando de lado estas considerações de ordem física e até pessoal, falemos da identificação das emissoras.

Existe uma nomenclatura, fruto de uma padronização não escrita, mas aceita mundialmente pelos radioescutas, a qual determina que as identificações de Emissoras sintonizadas devem ser qualificadas dentro de quatro condições, que foram “batizadas” por palavras em Inglês, pois são oriundas do início do dexismo, o qual se desenvolveu primordialmente no hemisfério norte onde este idioma é muito difundido.

Estas quatro condições são: Identified, Presumed, Tentative e Unidentified.

Traduzindo estes termos, teremos: Identificado, Presumido, Tentativa e Não identificado.

Quando o dexista vai fazer a redação dos seus logs das escutas feitas, deverá ter em mente estas quatro qualificações de identificação de emissoras ouvidas e realizar as anotações dentro da maior seriedade possível de acordo com isso.

EMISSORA IDENTIFIED OU IDENTIFICADA:

Desta maneira, ele irá anotar como emissora sintonizada e identificada, aquelas da qual ele ouviu o “Identify”, a identificação da emissora, e nestes casos, deve se ter plena certeza disso.

Neste mister, eu sinto que quando operava exclusivamente com o Transglobe, isso se tornava uma tarefa até bem mais consistente, pois era obrigado a ficar ouvindo a emissora, até que ela se identificasse, pois o dial analógico não permitia uma perfeita exatidão da freqüência sintonizada. Hoje, operando um Sony ICF 7600GR tenho de ter um cuidado maior, pois nem sempre entendemos perfeitamente aquilo que ouvimos.

É certo, que com o passar do tempo a nossa audição, aliada á capacidade de memorização cerebral, nos dá a condição especial de observar pequenas diferenças de tonalidade, timbre, aspectos típicos da modulação dos transmissores, e outros detalhes; os quais nos permitem identificar uma emissora após ouvir quinze segundos de sua transmissão,

Mas, mesmo esta capacidade pessoal, não deve ser utilizada como ferramenta para a completa identificação. O correto é aguardar o momento onde a emissora apresenta a sua titularidade. Sabemos que isso ocorre a cada hora cheia e a cada hora e meia, nas internacionais.

O problema maior resulta nas nacionais, pois existem algumas emissoras que não tem conhecimento do poder de marketing que tem a divulgação de seu nome e teimam em transmitir por horas a fio sem se identificarem, fato este que resulta numa desobediência ás leis nacionais de telecomunicações.

Bem, mas voltando ao nosso assunto específico, devemos considerar como identificada aquela emissora da qual temos 100 % de certeza da identificação. Neste caso se anota o Log, normalmente, sem qualquer acréscimo de termos sobre a identificação

EMISSORA PRESUMED OU PRESUMIDA:

Este caso, na identificação de emissoras, se ate aquelas onde não temos a certeza absoluta da identificação, mas verificamos uma grande possibilidade de ser a emissora que acreditamos.

Simulemos a situação onde se ouve uma emissora falando: “Aqui na cidade de Rebimboca do Sul são precisamente 19 horas”. Ora, se em nossa pesquisa pessoal, descobrimos que a cidade de Rebimboca do Sul tem 5.000 habitantes; podemos presumir que existe no máximo apenas uma emissora local e “sapecamos” o nome e freqüência desta emissora no nosso Log , porém acrescentando porém o termo “Presumed”.

Devemos fazer isso por não termos identificado plenamente a emissora.

Esta anotação é imprescindível, pois imaginem se a Rádio de Rebimboca do Norte está fazendo a cobertura de uma Exposição Agropecuária em Rebimboca do Sul; com certeza ela irá mencionar a hora local e com isso, tornará uma anotação feita como Identified completamente incorreta.

Podemos avaliar as identificações “Presumed” como aquelas onde temos de 90 % a 99 % de certeza da identificação, mas não temos os 100 % de absoluta certeza.

EMISSORA TENTATIVE OU TENTATIVA:

Este tipo de identificação deve ser anotado no Log, quando o nosso grau de certeza fica numa qualificação bem menor que o de “Presumed” ou presumida; algo como 75 % a 90 % de certeza.

Podemos exemplificar este caso com a seguinte situação:

” # % $ * * > …. Rádio #8 IAIA…. …..Caros ouvintes da # $ * &IAIA…BWT… nós ….”

Você tem certeza que existe uma emissora transmitindo na canaleta, você consegue até ouvir alguns vocábulos inteligíveis, mas não consegue identificar mais nada da transmissão. Nestes vocábulos você identifica o sufixo IAIA e pode até deduzir…Rádio Itatiaia…

Mas, se considerar que a Rede Itatiaia retransmite sua programação através de diversas outras emissoras em localidades diferentes, poderá ocorrer de você estar captando uma destas emissoras.

Daí você deve mencionar em seu log, uma descrição resumida da situação da escuta acrescentando logo em seguida á freqüência (se tiver identificado ) a palavra Tentative ou Tentativo.

Com esta anotação, um outro dexista poderá até, numa situação mais favorável realizar uma identificação coerente da mesma emissora.


EMISSORA UNIDENTIFIED OU NÃO IDENTIFICADA:

Este é o caso mais fácil de entender, pois é quando ouvimos o sinal de um emissor presente no canal, mas não conseguimos ouvir nada mais que esta presença. Sem Identify, sem presença plausível de locução ou música, sem pistas ou rastros.

Nesta situação, se anota hora, freqüência, Unidentified e se tenta fazer ao menos uma explicação resumida do que se ouviu.

Bem amigos, esta questão de identificação de emissoras é um aspecto muito sério de nossa atividade. Como vocês podem verificar, quantitativamente, eu mencionei os seguintes valores percentuais: Identified – 100 %, Presumed – 90 % a 99 % e Tentative – 75 % a 90 %.

Podemos então concluir que abaixo de 75 % de certeza de identificação deve ser considerado como Unidentified ou não identificada. Nesta avaliação percentual pode se verificar como é séria esta questão.

Devemos ter em mente que somente ouvindo bem, por um bom tempo e analisando coerentemente nossas escutas é que poderemos realizar uma identificação precisa.

É por isso que não sou muito fã dos famosos “band scan”, ou seja, as varreduras rápidas de Dial, fazendo anotações seguidas de freqüências escalonadas na relação de Logs. Esta prática é até muito aceitável numa DX-pedição, onde estamos desbravando uma situação completamente nova dentro de uma faixa, com a possibilidade de realizarmos escutas que provavelmente não se repetirão mais.

Mas, em nosso shack, realizando nossa quota diária de escutas, devemos ser bem mais seletivos e observadores. Principalmente se observarmos que as emissoras apresentam programações curiosas, interessantes, músicas calmantes, notícias espetaculares e muitos outros atrativos.

É por isso que após sintonizar uma emissora, devemos ouvir a mensagem que ela nos está transmitindo e somente após estarmos situados completamente sobre a mesma é que devemos fazer as anotações na folha de logs.

E quando fizer estas anotações, não se esqueçam destas quatro avaliações: Identified, Presumed, Tentative e Unidentified.

Um abraço a todos,

DX Clube do Brasil



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Sol “quieto” intriga astrônomos

PALLAB GHOSH
da BBC

O Sol passa por um de seus períodos mais quietos por quase um século, praticamente sem manchas solares (explosões na atmosfera solar) e emitindo poucas chamas.

A observação da estrela mais próxima da Terra está intrigando os astrônomos, que estão prestes a estudar novas imagens do Sol captadas no espaço na Reunião Nacional de Astronomia do Reino Unido.

O Sol normalmente passa por ciclos de atividade de 11 anos. Em seu pico, ele tem uma atmosfera efervescente que lança chamas e “pedaços” gasosos super quentes do tamanho de pequenos planetas. Depois deste pico, o astro normalmente passa por um período de calmaria.

Nível de atividade do Sol está intrigando pesquisadores
Nível de atividade do Sol está intrigando pesquisadores

Esperava-se que o Sol voltasse a esquentar no ano passado depois de uma temporada de calmaria. Mas em vez disso, a pressão do vento solar chegou ao seu nível mais baixo em 50 anos, as emissões radiológicas são as mais baixas dos últimos 55 anos e as atividades mais baixas de manchas solares dos últimos 100 anos.

Segundo a professora Louise Hara, do University College London, as razões para isso não estão claras e não se sabe quando a atividade do Sol vai voltar ao normal.

“Não há sinais de que ele esteja saindo deste período”, disse.

“No momento, há artigos científicos sendo lançados que sugerem que ele vai entrar em um período normal de atividade em breve.”

“Outros, no entanto, sugerem que ele vai passar por outro período de atividades mínimas –este é um grande debate no momento.”

Mini era do gelo

Em meados do século 17, um período de calmaria – conhecido como Maunder Minimum – durou 70 anos, provocando uma “mini era do gelo”.

Por isso, alguns especialistas sugeriram que um esfriamento semelhante do Sol poderia compensar os efeitos das mudanças climáticas.

Mas segundo o professor Mike Lockwood, da Universidade de Southhampton, isso não é tão simples assim.
“Quisera eu que o Sol estivesse vindo a nosso favor, mas, infelizmente, os dados mostram que não é esse o caso”, disse ele.

Lockwood foi um dos primeiros pesquisadores a mostrar que a atividade do Sol vinha decrescendo gradualmente desde 1985, mas que, apesar disso, as temperaturas globais continuavam a subir.

“Se você olhar cuidadosamente as observações, está bem claro que o nível fundamental do Sol alcançou seu pico em cerca de 1985 e o que estamos vendo é uma continuação da tendência para baixo (na atividade solar), que vem ocorrendo há cerca de duas décadas.”

“Se o enfraquecimento do Sol tivesse efeitos resfriadores, já teríamos visto isso a esta altura.”

Meio-termo

Análises de troncos de árvores e de camadas inferiores de gelo (que registram a história ambiental) sugerem que o Sol está se acalmando depois de um pico incomum em sua atividade.

Lockwood acredita que, além do ciclo solar de 11 anos, há uma oscilação solar que dura centenas de anos.

Ele sugere que 1985 marcou o pico máximo deste ciclo de longo prazo e que o Maunder Minimum marcou seu ponto mais baixo.

Para ele, o Sol agora volta a um meio termo depois de um período em que esteve praticamente no topo de suas atividades.

Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) mostram que as temperaturas globais subiram em média 0,7º C desde o início do século 20.

As projeções do IPCC são de que o mundo vai continuar a esquentar, e a expectativa é de que as temperaturas aumentem entre 1,8º C e 4º C até o fim deste século.

Ninguém sabe ao certo como funciona o ciclo e altos e baixos na atividade solar, mas os astrônomos se veem, agora, graças a avanços tecnológicos, em uma posição privilegiada para estudar o astro-rei.

Segundo o professor Richard Harrison, do Laboratório Rutheford Appleton, em Oxfordshire, este período de quietude solar dá aos astrônomos uma oportunidade única.

“Isso é muito animador, porque como astrônomos nunca vimos nada assim em nossas vidas”, disse ele.

“Temos uma sonda lá no alto para estudar o Sol com detalhes fenomenais. Com esses telescópios podemos estudar esta atividade mínima de um modo que nunca fizemos no passado.”

21 de abril de 2009



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Magnetismo

Magnetismo é um fenômeno através dos quais os materiais apresentam propriedades de atração ou repulsão sobre outros materiais.

Alguns materiais bem conhecidos que exibem propriedades magnéticas são: ferro, alguns tipos de aço e os minerais que ocorrem naturalmente como o ímã. Na realidade todos os materiais são influenciados por um grau ou outro na presença de um campo magnético, mesmo em alguns casos a influência é muito pequena para detectar sem equipamentos especiais.

Forças magnéticas são forças fundamentais que se elevam devido aos movimentos de particulas carregadas eletricamente. A origem e comportamento destas forças são descritos pelas famosas equações de Maxwell.

Para o caso da corrente elétrica se movendo através de um fio, a força resultante é direcionada conforme a “regra da mão direita”. Se o polegar da mão direita aponta ao longo do fio a partir do positivo para frennte do lado negativo, as forças magnéticas irão atravessar através do fio na direção indicada pelos dedos da mão direita. Se um laço (loop) é formado, de tal forma que as patículas carrregadas em um círculo então todas as forças no centro do laço são direcionadas à mesma direção.

O resultado é chamado de dipolo magnético. Quando posicionado em um campo magnético, um dipolo magnético tenderá a se alinhar com este campo. Para o caso de um laço, se os dedos da mão direita são direcionados na direção do fluxo da corrente, o polegar irá apontar para a direção correspondente ao polo Norte do dipolo. No campo magnético da Terra o polo Norte do dipolo irá tender a apontar para o Norte.

Dipolos magnéticos ou momentos magnéticos podem geralmente resultar em movimento de electrons devido a escala atômica. Cada eléctron apresenta momento magnético que se origina de duas fontes. A primeira é o movimento orbital dos eléctrons ao redor do núcleo. Em um sentido este movimento pode ser considerado um laço (loop), resultando em um momento magnético ao longo do seu eixo de rotação. A segunda fonte do momento eletromagnético é devido a propriedade de macânica quântica denominado spin.

Em um átomo o momento magnético orbital de alguns pares de eléctrons se cancelam mutuamente. O mesmo é verdade para os momentos magnéticos do spin. O momento magnético geral do átomo é a soma de todos os momentos magnéticos dos eléctrons individuais, totalizando para o cancelamento dos momentos entre eléctrons apropriadamente emparelhados.

As propriedades magnéticas dos materiais são em grande parte determinadas pela natureza e magnetude dos momentos magnéticos atômicos.

Diversas formas de comporamento magnético são observados incluindo:

    Diamagnetismo
    Paramagnetismo
    Ferromagnetismo
    Antiferromagnetismo
    Ferrimagnetismo
    Superparamagnetismo

As aplicações práticas do magnetismo permeiam toda a nossa atual civilização, desde as telecomunicações até aos meios de transporte modernos, como os famos trens suspensos devido ao magnetismo.

Os trens eletromagnéticos (Maglev) usam a propulsão magnética para viajar em altas velocidades e os fluidos magnéticos ajudam a abastecer os motores de foguetes com combustível. O campo magnético da Terra, chamado de magnetosfera, a protege do vento solar.

Trem movido a propulsão eletromagnética
Um trem Transrapid em Emsland, teste da Alemanha



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