Indução Eletromagnética e Eletricidade – A base das telecomunicações

Enquanto a descoberta do eletromagnetismo por Oersted trouxe surpresa a comunidade científica internacional, e que pavimentou o caminho para o desenvolvimento de aplicações da eletricidade, foi Micheal Faraday que nos mostrou a chave para a geração prática de eletricidade : indução eletromagnética.

Faraday descobriu que uma tensão (voltagem) poderia ser gerada através de um fio de determinado tamanho que é exposto a um fluxo de campo magnético perpendicular a variação da intensidade.

Uma forma simples de criar um campo magnético de intensidade variável é mover um magneto (ímã) próximo a um fio ou bobina de fio. Mas lembre-se: o campos magnético deve aumentar ou diminuir de intensidade de forma perpendicular ao fio (de forma que as linhas de fluxo atravessem o fio condutor), do contrário nenhuma tensão (voltagem) será induzida:

Como gerar eletricidade a partir do fenômeno da indução magnética

Faraday foi capaz de matematicamente relacionar a taxa de variação do fluxo do campo magnético com a tensão (voltagem) induzida (repare no uso da letra “e” minúscula para a unidade de tensão, isto se deve a referência de tensão instantânea, ou tensão em um específico momento no tempo, ao invés de tensão estabilizada):

Equação de Tensão Induzida

e = tensão induzida em Volts (instantânea)
N = número de voltas de fio em uma bobina
ϕ = fluxo magnético em Webers
t = tempo em segundos

O termo “d” é o padrão adotado para notação de cálculo, representando a taxa de variação do fluxo através do tempo. O “N” significa o número de voltas, da bobina do fio (assumindo que o fio é enrolado no formato de uma bobina para obter o máximo de eficiência eletromagnética).

Este fenômeno é colocado em prática de forma óbvia na construção de geradores elétricos, os quais usam energia mecânica para mover um campo magnético através de bobinas de fio para gerar tensão (eletricidade). Entretanto, isto não é o único meio prático utilizado para este princípio.

Se lembrarmos que o campo magnético produzido por um fio transportando corrente será sempre perpendicular a este fio, e que a intensidade do fluxo do campo magnético variado com a quantidade de corrente através deste, nós podemos constatar que este fio é capaz de induzir uma tensão (voltagem) ao longo de seu próprio comprimento simplesmente devido a uma variação na corrente através deste. Este efeito é chamado auto-indução: um campo magnético variável produzido por mudanças na corrente através de um fio induzindo tensão ao longo do comprimento do próprio fio.

Se o fluxo do campo magnético é melhorado através do enrolamento do fio na forma de uma bobina, e este envolvido com um material de alta permeabilidade, como um núcleo de ferrite por exemplo, o efeito da tensão auto-induzida será mais intenso. Um dispositivo construído para obter vantagem deste efeito é chamado indutor, que é um dos componentes mais comuns utilizados em circuitos eletrônicos em aplicações de telecomunicações.



Posted in Telecomunicações | Comments Off on Indução Eletromagnética e Eletricidade – A base das telecomunicações

Irã : O “Eixo do Mal” nas Ondas Curtas do Rádio

Nas Ondas Curtas da Guarujá Paulista

Por Sarmento Campos

No momento cultural desta semana, vamos falar sobre um importante país que tem sido noticia em destaque na mídia nos últimos tempos.

Próximo ao Iraque, este país é um dos berços da nossa civilização, com uma história que remonta a milhares de anos, e hoje, é citado pelos Estados Unidos, como um dos integrantes do eixo do mal, junto com a Coréia e o Iraque.

Estamos falando do Irã, um importante país do Oriente Médio, e que hoje é um alvo potencial dos Estados Unidos, segundo alguns analistas internacionais.

Radio República Islâmica do Irã

O Irã, também marca presença nas transmissões em ondas curtas, inclusive com uma programação dirigida para a América do Sul, e que podem ser facilmente captadas aqui no Brasil.

Com uma população próxima a 70 milhões, e tendo como idioma oficial o persa, o Irã é um pais islâmico.

A região que corresponde ao atual Irã abrigou diversos povos e Estados na Antiguidade, com destaque para o Império Persa, que foi fundado no ano de 539 a.C., por Ciro, o Grande.

A conquista árabe, ocorreu no ano 642, e marcou a conversão de seus habitantes ao islamismo. O zoroastrismo, a então religião tradicional persa, foi reprimida e seus últimos praticantes acabaram fugindo para a Índia. E nesta época, foi adotado o alfabeto arábico, mas o idioma persa se mantém até hoje.

O país foi invadido pelos turcos no século XI e pelos mongóis no XIII. Tendo recuperado a independência no século XVI foi governado por várias dinastias. No século XIX entretanto, se tornou alvo de disputa entre o Reino Unido e a Rússia, que dividiram o território em áreas de influência em 1907.

Os britânicos exploram o petróleo, que foi descoberto em 1908. O marco do período moderno foi o golpe de Estado de 1921, em que o general Reza Khan derrubou o último sultão Kajar, que foi coroado xá em 1926 com o nome de Reza Pahlevi.

Um decreto real, em 1935, mudou o nome do país de Pérsia para Irã. E no ano de 1941, durante a II Guerra Mundial, o Irã foi ocupado por britânicos e soviéticos. O xá, simpático ao nazismo, abdica em favor do filho, Mohammad Reza Pahlevi. E os últimos soldados soviéticos deixaram a nação em 1946.

Em 1951, o primeiro-ministro, Mohammad Mussadeq, nacionalizou as companhias petrolíferas estrangeiras, quase todas britânicas, e entrou em confronto com o xá Reza Pahlevi, que abandonou o Irã.

Os governos ocidentais organizaram boicote ao petróleo iraniano, enquanto a União Soviética apoiou o país e começou a comprar seu petróleo. A crise atingiu o auge em agosto de 1953, quando Mussadeq foi deposto por um golpe militar conduzido com a ajuda do Reino Unido e dos Estados Unidos (EUA).

O xá Reza Pahlevi retornou ao Irã e assumiu poderes ditatoriais e o primeiro-ministro Mussadeq foi preso.

Este golpe do militar interrompeu o movimento nacionalista no Irã e implementou uma ditadura que durou mais de 25 anos.

Em 1978, a crise econômica e a ampla corrupção fizeram crescer a oposição ao regime ditatorial do xá. As correntes oposicionistas, uniram-se sob a liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini, até então exilado na França.

O governo não conseguiu controlar a insurreição, e, em janeiro de 1979, o xá Reza Pahlevi fugiu do país, e as Forças Armadas aderiram aos revoltosos.

Khomeini regressou triunfalmente ao Irã, em fevereiro, e, dez dias depois, assumiu o poder, com a renúncia do primeiro ministro.

Em 1º de abril, o Irã foi declarado oficialmente uma república islâmica, cuja autoridade suprema é o chefe religioso aiatolá, posto ocupado por Khomeini.

Esta revolução islâmica, culminou em uma crise com os Estados Unidos.

Em novembro de 1979, um grupo de militantes islâmicos ocupou a Embaixada dos EUA em Teerã e tomou 66 norte-americanos como reféns. O governo iraniano apoiou a ocupação da embaixada e faz várias exigências, entre as quais a extradição do xá Reza Pahlevi, que estava asilado nos Estados Unidos.

O impasse não se resolveu nem com a morte de Reza Pahlevi, em julho, no Egito. Os últimos reféns foram libertados somente em janeiro de 1981, mais de um ano após a invasão da embaixada.

Nessa época, o país já enfrentava a guerra com o Iraque, iniciada em 1980, quando tropas iraquianas ocuparam áreas em litígio às margens do rio Shatt Al-Arab.

O conflito, que devastava as duas nações, terminou apenas em 1988, e as fronteiras permaneceram inalteradas. Estima-se que tenham morrido aproximadamente 400 mil iranianos e 300 mil iraquianos numa guerra que enfraqueceu ambas as nações.

A tensão entre os Estados Unidos e o Irã, aumentou a partir de janeiro de 2002, após a invasão do Iraque pelos próprios s Estados Unidos.

Nesta época, o presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou que o Irã forma um “eixo do mal” com a Coréia do Norte e o Iraque, e acusou o Irã de desenvolver armas de destruição em massa e de patrocinar o terrorismo.

A crise entre dois países se agravou ao ser anunciado, em julho, um acordo com a Federação Russa para a construção do primeiro reator nuclear iraniano. Washington acusou Teerã de adquirir tecnologia para fabricar armas nucleares, mas as autoridades iranianas afirmaram que a usina irá produzir somente energia elétrica.

E em fevereiro de 2003, o Irã anunciou a descoberta de importantes reservas de urânio. Em junho, o governo rejeitou a decisão da Agência Internacional de Energia Nuclear de submeter o programa nuclear do país a rigoroso controle internacional.

Para conhecer mais sobre a historia, cultura, acontecimentos atuais e a posição do governo do Irã, uma excelente opção é através das ondas curtas do rádio.

A Rádio Voz da Republica Islâmica do Irã transmite para a América do Sul no idioma espanhol a partir das 0130 no Tempo Universal Coordenado, nas freqüências de 9555 khz e 9905 khz na faixa de 31 metros.

O endereço para correspondência é “Programa em Espanhol” PO Box 19395 N. 6767 Teerã Irã

A emissora também está presente na Internet através do endereço :

www.irib.com/worldservice/spanish

E não se esqueça de enviar sua carta ou email para a Rádio Guarujá Paulista, fazendo suas sugestões sobre temas relacionados ao rádio de ondas curtas, que você gostaria que comentássemos no ar.

Ouça na íntegra o áudio deste Momento Cultural que foi levado ao ar em dezembro de 2004

Ouça este programa levado ao ar pela Rádio Guarujá Paulista


Posted in Rádio Difusão Internacional | Comments Off on Irã : O “Eixo do Mal” nas Ondas Curtas do Rádio

Astronomia e o Rádio

Nas Ondas Curtas da Guarujá Paulista

Por Sarmento Campos

Estamos aqui para falar sobre radiodifusão de ondas curtas, explorando os aspectos técnicos sobre a recepção de emissoras de rádio.

Este é programa produzido pela sua Guaruja Paulista em parceria com o DX Clube do Brasil, que é uma entidade fundada há mais de 22 anos e é dedicada a divulgação do hobby da radioescuta e dxismo, que consiste na pratica de se sintonizar emissoras muito distantes, em especial nas ondas curtas.

Hoje vamos falar sobre um dos aspectos mais críticos a recepção de sinais de rádio, que é a propagação das ondas de rádio e a sua relação com as estações do ano.

Em encontros anteriores falamos que em ultima instância, é o Sol, o principal astro de nosso sistema solar, que é o responsável pelo que podemos ouvir e quando podemos.

E estamos saindo do mês de julho em pleno inverno no hemisfério sul de nosso planeta Terra, o que nos traz algumas possibilidades de escutas bem interessantes não só em ondas curtas, como também em ondas médias, também conhecido popularmente como AM.

Ao contrário do que chegam a afirmar alguns livros, o inverno que é associado as temperaturas mais baixas, não é devido ao nosso planeta Terra estar mais longe do SOL, o que por sua vez implicaria que no verão a Terra estivesse mais próxima do SOL

Imagine a mesa a sua frente, e que no centro desta, está o SOL brilhando com toda sua imponência. E em ponto próximo do SOL, está o nosso planeta Terra girando ao redor do SOL, em um processo denominado de revolução ou translação.

Ou seja, em um intervalo de um ano, o nosso planeta completa uma volta ao redor do SOL, em uma órbita denominada elíptica, que na realidade, podemos enxergar como um circulo quase perfeito, porém, com um leve achatamento. No caso da órbita do planeta terra, este achatamento é em torno de 3 graus, o que significa que a distancia entre a Terra e o SOL varia muito pouco durante uma revolução, ou seja um ano.

Logo, podemos já imaginar que não é devido ao afastamento da Terra em relação ao SOL que ocorre o inverno.

Mas o ouvinte deve estar se perguntando, o que esta questão de astronomia tem haver com o rádio de ondas curtas e a recepção das emissoras que estão nesta faixa ?

Já chegaremos lá, pois este é um dos aspectos bem interessantes da propagação das ondas de rádio e que necessariamente precisamos conhecer como veremos a seguir.

Pois bem, voltando a nossa mesa que está a nossa frente, tendo o SOL no centro e o planeta Terra em algum ponto em seu movimento de translação ao redor do SOL, em cima da mesa, existe a explicação para a existência da alternância das estações do ano, em especial quanto ao inverno e verão para simplificarmos nosso exemplo.

A Terra ao girar ao redor do SOL segue o mesmo plano imaginário da nossa mesa, porém, nosso planeta é inclinado em seu próprio eixo em torno de 23 graus, logo, no nosso exemplo da mesa, a Terra durante uma volta ao redor do SOL irá passar por quatro pontos bem distintos onde os ângulo de incidência dos raios de SOL na Terra serão diferentes, o que forma as quatro distintas estações do ano.

Assim, o que faz o verão ou o inverno na realidade, é justamente a inclinação da incidência dos rádios solares em nosso planeta.

Imagine que em determinado momento o hemisfério Norte está o mais perpendicular possível em relação ao SOL, assim, quando os raios atingem a superfície da Terra no menor ângulo possível, irá aquecer mais a superfície da Terra, causando assim mais calor.

E ao mesmo tempo, o hemisfério SUL, estará mais inclinado em relação o SOL, diminuindo o ângulo de incidência dos raios solares na superfície da Terra, o que diminui a temperatura gerada na superfície, causando assim o inverno.

Experimente acender uma lâmpada bem potente em um abajur fixo na sua mesa, apontando exatamente de cima para baixo na superfície da mesa, por alguns instantes, a uma determinada altura . Observe como a mesa naquele ponto que está concentrado a luz da lâmpada irá se aquecer. Agora, mantendo a mesma altura da lâmpada no abajur, experimente inclinar a lâmpada, digamos uns 45 graus, de forma a iluminar não só um pequeno ponto mas iluminar uma grande parte da mesa. Você irá perceber que a mesa não esquenta tanto.

Este é o principio das nossas quatro estações do ano.

E finalmente, isto gera um fenômeno bem interessante, alias, vários fenômenos que afetam a propagação das ondas do rádio diretamente.

Como no inverno os dias duram menos do que a noite, o SOL não carrega a tanto a ionosfera, que é a camada eletricamente carregada que está acima da atmosfera e que é responsáveis por hora absorver as ondas de rádio limitando o alcance das ondas de radio e hora refletindo as ondas, permitindo um alcance muito maior.

Assim no inverno, a ionosfera recebe menos raios solares, fica menos carregada eletricamente, e absorve menos as ondas do rádio, permitindo que as ondas de rádio sejam refletidas na ionosfera atingindo assim longas distancias. E isto acontece exatamente para as freqüências mais baixas das ondas curtas, ou seja, no inverno, recebemos melhor as freqüências abaixo de 9.500 khz, que é a faixa de 31 metros, passando pelos 49 metros, que é em torno de 6000 kHz até as ondas médias.

Por sua vez, as freqüências mais altas, como por exemplo a faixa de 13 metros, que é em torno de 21500 kHz, que necessitam de forte ionização da ionosfera para se propagarem, se tornam muito difíceis de atingir longas distancias.

É comum nesta época do ano, recebermos sinais das emissoras de ondas curtas que operam nas ondas tropicais dos estados do Nordeste e norte do Brasil, e o contrário é verdadeiro, como demonstram as cartas que a Rádio Guaruja tem recebido de estados tão distantes como Rondônia por exemplo.

E por sua vez, no hemisfério Norte que agora é verão, a propagação é bem diferente, ou seja, como regra a título de comparação, as melhoras freqüências para a longa distancia são as mais altas, e não as mais baixas.

Existem muitos outros aspectos interessantes sobre propagação das ondas de rádio, que nos possibilitam realizar a prática do DX, que é a sintonia de emissoras distantes e desconhecidas. Assim, sabendo em que época do ano nós estamos, quais as faixas de freqüências mais propicias a recebermos sinais de longa distancia, sabendo também quais são as horas do dia, tanto no amanhecer como no anoitecer onde a noite é mais longa, podemos ouvir estações do outro lado do mundo.

Para fechar com um exemplo de um excelente DX, nosso amigo Celio Romais de Porto Alegre conseguiu sintonizar em Porto Alegre bem cedo, próximo ao amanhecer, emissoras em ondas tropicais de Papua Nova Guiné na Oceania e do Japão, que é do outro lado do mundo.

E durante o encontro Brasil DX 2004, após o anoitecer, foi possível ouvir diversas emissoras do extremos norte do Brasil, assim como diversas emissoras internacionais, inclusive da Europa, em ondas médias.

Por isso, a dica é : fique atento ao seu rádio, pois conhecendo um pouco sobre esta ciência tão interessante que é a propagação, você poderá escutar emissoras bem distantes que provavelmente só daqui a um ano você conseguirá sintonizar de novo.

Bem, este era o nosso tema de hoje, aguardamos seus comentários e sugestões.

Se você deseja conhecer um pouco mais de nossa atividade dxista, escreva para nós :

DX Clube do Brasil

Home



Posted in Telecomunicações | Comments Off on Astronomia e o Rádio

Ciclo Solar e as Telecomunicações

Nós estamos atualmente no meio do ciclo solar de 11 anos, o qual a Terra vivencia os efeitos através de mudanças nas comunicações de rádio, distribuição de energia elétrica, órbitas de naves e satélites artificiais e mesmo em relação a meteorologia. Logo, prever o que o Sol fará a seguir é de nosso interesse direto.

Em 1610, logo após ter observado o Sol com seu novo telescópio, Galileo Galilei realizou a primeira observação Européia das Manchas Solares. As observações diárias foram iniciadas no Observatório de Zurich em 1749 e com a adição de outros observatórios observações contínuas foram feitas a partir de 1849.

O número de manchas solares é calculado primeiro através da contabilização do número de grupos de manchas solares e depois o número de manchas individuais.

O “número de manchas” é então obtido pela soma do número de manchas individuais e 10 vezes o número de grupo. Como a maioria dos grupos de manchas apresentam em média 10 manchas, esta fórmula para contar as manchas solares fornece números confiáveis mesmo quando as condições de observações são menores do o ideal e difícil de serem observadas. Médias mensais ( atualizadas mensalmente ) dos números de manchas solares mostram o número de manchas visíveis máximas e mínimas do Sol formando assim um ciclo aproximado de 11 anos.

Repare que atualmente existem pelo menos dois relatos “oficiais” de números de manchas solares. O “International Sunspot Number” é compilado pelo Data Analysis Center na Bélgica.

Dados de Influência Solar

O número de manchas solares mensal e projetado em curva é plotado para o ciclo atual e para os últimos quatro ciclos

Ciclo Solar Atual

O número de manchas da NOAA é compilado pelo US National Oceanic and Atmospheric Administration.

NOAA

Ciclos Solares observados desde 1700 até 2000

Ciclos Solares

Como podemos observar, a compreensão dos fenômenos solares é de capital importância pois o SOL pode determinar, além da existência e manutenção da vida em nosso planeta, as condições de campo magnético de nosso planeta, e interagir diretamente com a geração de energia elétrica e de transmissão de rádio freqüência, o que é fundamental para nosso atual ciclo tecnológico.

Interação do SOL com a Terra
A atividade solar afeta diretamente o campo magnético da Terra

A radiação extra gerada pelos raios ultravioleta (UV) e Raios-X criados pelo campo magnético das manchas solares causam aquecimento da atmosfera da Terra e que inclusive causa sua expansão. Este fenômeno cria arrasto adicional na área onde orbitam satélites de comunicações e naves como a Estação Espacial Internacional. Este arrasto pode inclusive alterar a órbita da nave mais cedo do que o esperado originalmente.

A radiação extra Ultra Violeta causada pela atividade da mancha solar pode também aumentar a quantidade de ozônio na camada superior da atmosfera da Terra.

NASA Física Solar

Muitos sistemas de comunicações utilizam a ionosfera para refletir sinais de rádio através de longas distâncias. As tempestades ionosféricas podem afetar as comunicações de rádio em alta freqüência (HF) em todas as latitudes do planeta. Algumas freqüências de rádio são absorvidas e outras refletidas, levando a flutuações rápidas de sinais e caminhos de propagação das ondas inesperados. Estações de rádio e TV comerciais são afetados pela atividade solar, mas comunicações do tipo terra-ar, navio-costa, transmissões em ondas curtas, como as da Rádio Difusão Portuguesa Internacional, Rádio BBC de Londres e operações de rádio amadoras são frequentemente interrompidas. Operações de rádio que se utilizam de altas freqüências frequentemente dependem de alertas geomagnéticos e solares para manter seus circuitos de comunicação operantes.

Perturbação nas comunicações por rádio

Sistemas de navegação tais como LARAN e OMEGA são adversamente afetados quando a atividade solar interrompe a propagação de seus sinais. O sistema OMEGA consiste de oito transmissoras localizados ao redor do mudo. Aeronaves e navios usam os sinais de baixa freqüência destes transmissoras para determinar sua posição. Durante eventos solares e tempestades geomagnéticas, o sistema pode prover informações inacuradas tais como desvios de diversos quilômetros. Se os navegadores forem alertados que uma tempestade de radiação ou geomagnética está ocorrendo, eles podem alternar para outro sistema de navegação de reserva.

Os sinais de GPS são afetados quando a atividade solar causa repentinas variações na densidade da ionosfera. O Sistema de Posicionamento Global está sendo utilizado de forma cada vez mais precisa por diversas aplicações, incluindo mapeamento de rotas de aviação, construção civil como rodovias, pouso de aeronaves, e prospecção e extração de petróleo.

Perturbação nas comunicações por rádio



Posted in Telecomunicações | Comments Off on Ciclo Solar e as Telecomunicações

Rádio BBC DE LONDRES

Nas Ondas Curtas da Guarujá Paulista

Por Sarmento Campos

No Momento Cultural desta semana, iremos falar um pouco sobre uma emissora que muito provavelmente é a mais conhecida nas ondas curtas em todo o mundo. Vamos ouvir as badaladas de um famoso relógio localizado em uma cidade européia, talvez você já saiba a que emissora estou me referindo :

Big Ben

Este é possivelmente o mais famoso som de um relógio no mundo. Estamos falando do Big Ben que está em Londres. Na realidade o Big Bem é o nome do maior sino instalado dentro da chamada Torre do Relógio que toma parte do edifício do Parlamento da Inglaterra. Um fato interessante sobre a famosa precisão britânica, é que o controle da precisão do relógio é feito através do uso de moedas antigas que são inseridas no mecanismo do relógio, para balancear o movimento e garantir sua precisão.

Voce ja deve ter adivinhado, que neste Momento Cultural vamos falar um pouco sobre a BBC de Londres.

A historia da BBC de Londres remonta aos primórdios da era do radio, desde a década de 20, quando após as experiências de Marconi, que utilizou os experimentos e projetos do professor Hertz, desencadeou em especial nos Estados Unidos o surgimento de grande quantidade de pequenas emissoras, porem, funcionando não só sem regulamentação, inclusive causando interferência entre algumas emissões, como também, sem um plano comercial para manter sua viabilidade econômica.

E nesta década crucial para o radio, a sociedade britânica demandou a criação de um serviço de radio difusão dentro da Grã Bretanha. Assim, em 1922 o Correio Central criou duas emissoras experimentais que vieram a ser o embrião da atual British Broadcast Corporation.

A BBC foi composta por um grupo de fabricantes de equipamentos de radio, incluindo o então Guglielmo Marconi. As transmissões diárias da BBC se iniciaram no estúdio Marconi em Londres, e foi seguida por transmissões em outras cidades como Birmingham e Manchester, e em poucos meses, estavam presentes em grande parte do país.

A maior influencia nos primórdios da BBC veio de seu gerente geral, John Reith, um engenheiro escocês de 33 anos de idade. A companhia se formou com uma missão comercial, basicamente, para vender receptores de radio, mas John Reith a dedicou um propósito muito mais elevado. Ele vislumbrou uma rede de radio difusão independente capaz de educar, informar e divertir a nação inteira, e principalmente, livre de interferências políticas e pressões comerciais.

Em pouco tempo, a BBC transmitia peças de teatro, concertos de musica clássica e popular, entrevista e uma grande variedade de programas desde seu primeiro estúdio em Savoy Hill.

Mas como nem tudo são flores, a poderosa industria da imprensa escrita de então, conseguiu sucesso em manter a BBC afastada no negocio de jornalismo. Os boletins de noticias eram preparados pelas novas agencias da BBC, e só podiam ser levados ao ar após as 7 horas da noite, de forma a não interferir nas vendas dos jornais.

No ano de 1932, a BBC ampliou seus horizontes com a abertura do Empire Service, o Serviço do Império Britânico, o precursor do atual BBC World Service. No dia de natal de 1932, o Rei George V concedeu a primeira transmissão para o Império Britânico, e o seu texto foi escrito pelo famoso autor Rudyard Kipling.

A BBC continuou a manter a qualidade de sua programação, mesmo tendo se tornado um verdadeiro gigante nos dias de hoje. Foi a BBC que inaugurou o primeiro serviço regular de Televisão, em 1936. A BBC conseguiu reunir uma vasta produção de programas de radio e Televisão, que fizeram sucesso e tiveram grande aceitação também nos Estados Unidos, inclusive, nos dias de hoje.

Mas foi no inicio da segunda guerra mundial, que a radio difusão internacional se desenvolveu rapidamente, bem no centro das atenções da propaganda nazista da Alemanha de Hitler. E desde então, o rádio ate os dias de hoje, tem um papel fundamental nos conflitos não só internacionais como também regionais e até internos.

Neste contexto conturbado de nossa historia recente, em 1938 foi iniciado o serviço em português da BBC de Londres para o Brasil. Com uma frase que se tornou celebre “O senhor Hitler entrou hoje à noite em Viena”, Manuel Braune, o Aimbere, inaugurou no dia 14 de marco de 1938 as transmissões da BBC para o Brasil.

Na época, a Grã-Bretanha viu potências rivais como a Alemanha, a Itália e a União Soviética se engajarem em transmissões de rádio para o exterior – muitas vezes com a finalidade exclusiva de fazer propaganda para o nazismo, o fascismo e o comunismo.

Países com quem a Grã-Bretanha tinha boas relações, como os Estados Unidos ou a Holanda, também tinham dado início a esse tipo de iniciativa, fazendo com que as ondas curtas se tornassem o cenário de uma verdadeira “guerra de idéias” radiofônica.

Em 1937, Felix Greene, um alto funcionário da BBC, visitou a América Latina e constatou que “nós (os britânicos) estamos enfrentando propaganda nociva em todas as suas formas, (…) habilidosa, altamente organizada e realizada com engenho, energia e dedicação infinita”.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a BBC desempenhou um importante papel com transmissões de noticiário em língua local para países estratégicos como a França, a Itália e a Alemanha, como por exemplo, com a transmissão de discursos de líderes como Charles de Gaulle e Winston Churchill.

A partir daí, a BBC de Londres criou diversos departamentos transmitindo hoje em 43 idiomas para o mundo. Em português, a BBC conta com um departamento para o Brasil e outro para Europa e África.

Para que você possa perceber a grandiosidade e importância das transmissões em onda curta, vamos ouvir o tradicional sinal de identificação da BBC de Londres, abrindo suas transmissões diárias em português, para a Europa e África.

Ouça a abertura do programa em português da BBC de Londres para Europa e África
Abertura da Rádio BBC de Londres para Europa e África

Este foi o Momento Cultural desta semana, trazendo um pouco da historia dos paises presentes nas ondas curtas do radio.

Se você deseja mais informações sobre a programação das emissões em português da BBC de Londres e de outras emissoras que transmitem para o Brasil e América Latina, acompanhe o Panorama Atual do jornalista Celio Romais. Sempre com informações atuais e relevantes sobre o que acontece no mundo do radio de ondas curtas.


Posted in Rádio Difusão Internacional | Comments Off on Rádio BBC DE LONDRES

DX na Itália com antena “Made in Brazil”

A antena portátil para Ondas Médias, Longas e Curtas foi utilizada na Itália com excelente resultados.

No video a seguir, podemos ver um grupo de radioescutas em pleno dia ouvindo emissoras a mais de 1.500 KM de distância utilizando esta prática e eficiente antena, e um receptor portátil digital Degen 1103.

Esta antena que é fabricada pelo DX Clube do Brasil pode ser adquirida com exclusividade através do site Amantes do Rádio criado e mantido por Renato Uliana.

Lojinha do Radioescuta



Posted in DX | Comments Off on DX na Itália com antena “Made in Brazil”

Call for Papers for “Atmospheres Related to Climate and Weather of the Sun-Earth System”

Submission acceptance begins 1 March 2009
Submission deadline 30 April 2009

The Scientific Committee on Solar-Terrestrial Physics (SCOSTEP) has initiated a new international scientific program called Climate and Weather of the Sun-Earth System (CAWSES) which aims at a better understanding of the Sun-Earth system, including solar-terrestrial influences on global change. CAWSES has mobilized the international solar-terrestrial science community and has resulted in coordinated experimental and theoretical studies.

CAWSES focuses on a better understanding of the influence of the Sun on the terrestrial atmosphere, including the variability of solar forcing, the absorption of radiation and particles, the generation and modification of photochemically active trace gases, the generation of waves and tides, and the coupling and distribution mechanisms within the atmosphere. Experimental and theoretical studies aim to identify and understand solar signals in various atmospheric parameters and the physical and photochemical processes involved. Solar-induced long-term variations are compared with anthropogenic climate change where the focus is on heights above the troposphere.

Manuscripts should be submitted through the GEMS Web site.



Posted in Telecomunicações | Comments Off on Call for Papers for “Atmospheres Related to Climate and Weather of the Sun-Earth System”

Cientistas dizem ter identificado fronteira entre o espaço e a Terra

Segundo estudo canadense, espaço começa 118 quilômetros acima da superfície terrestre.

– Cientistas canadenses afirmam ter identificado a fronteira entre o espaço e a Terra.

Segundo os especialistas, da Universidade de Calgary, o espaço começa 118 quilômetros acima da superfície terrestre.

Os cientistas chegaram a esta conclusão a partir de dados coletados pelo instrumento Supra-Thermal Ion Image, que conseguiu identificar onde terminam os ventos terrestres, considerados relativamente leves, e onde começam os “fluxos violentos” de partículas espaciais, que podem atingir velocidades de até 1.000 km/h.

Segundo os pesquisadores canadenses, é extremamente difícil coletar informações nesta área, porque o local é muito alto para o uso de balões e muito baixo para o de satélites.

“Esta é a segunda vez que medições diretas de fluxos de partículas carregadas foram feitas nesta região, e a primeira em que todos os ingredientes, como os fortes ventos acima da atmosfera, foram incluídos”, disse David Knudsen, um dos cientistas envolvidos no estudo.

Clima espacial

O instrumento foi desenvolvido pela Agência Espacial Canadense e lançado junto ao foguete da Nasa Joule-II, em janeiro de 2007.

Após atingir a altitude de 200 quilômetros acima do nível do mar, o equipamento recolheu as informações durante os cinco minutos em que foi “jogado de um lado para outro da fronteira”.

Os resultados da pesquisa, divulgados na publicação especializada Journal of Geophysical Research, poderão auxiliar nas investigações sobre o clima espacial e seus impactos na Terra.

“Os dados nos permitem calcular os fluxos de energia que entram na atmosfera terrestre e entender a interação entre o espaço e nosso ambiente”, disse Knudsen.

“Isto pode significar um melhor entendimento sobre o aquecimento e resfriamento da Terra, além de como o clima espacial pode afetar satélites, equipamentos de comunicação e navegação”.

BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.



Posted in Telecomunicações | Comments Off on Cientistas dizem ter identificado fronteira entre o espaço e a Terra

Estações de Rádio – Utilitárias

Nas Ondas Curtas da Guarujá Paulista

Por Sarmento Campos

Boa noite amigo ouvinte do programa Nas Ondas Curtas da Guarujá. Meu nome é Sarmento Campos, e falo da cidade do Rio de Janeiro especial para a Guarujá Paulista.

Hoje, vamos falar um pouco sobre alguns sinais que fatalmente você que sintoniza emissoras em ondas curtas já deve ter ouvido como este sinal por exemplo :

Sinal de identificação da emissora utilitária em 400 kHz transmitindo em código morse

Como voce já percebeu, as ondas curtas são realmente importantes, não só para as emissoras regionais e internacionais, como também, para diversos aspectos da navegação aérea, marítima, comunicação entre as aeronaves e as torres de controle, fonia de navios mercantes, estações meteorológicas, e até, acreditem, para emissoras de redes de espionagem.

Afinal, quem não se lembra dos filmes do agente 007 com Sean Connery representando James Bond, abrindo uma maleta, ligando um receptor de ondas curtas, e ouvindo transmissões cifradas ?

É impressionante como existem diversos tipos de emissões encontradas nas ondas curtas, e hoje vamos falar um pouco sobre um determinado tipo de estação que são as utilitárias.

As utilitárias são todas aquelas estações que não são nem de radiodifusão nem de radioamadores. Basicamente dividem-se em dois grupos, Serviço móvel e Serviço marítimo. No primeiro grupo se encontram todas as estações móveis terrestres, barcos, aeronaves, veículos espaciais etc. E seus respectivos correspondentes terrestres.

No segundo grupo encontraremos os sistemas de radio navegação, as emissoras de freqüência padrão e sinais horário, as meteorológicas, as de informação geofísica e as de ponto a ponto.

São muitos os dexistas e radio aficionados que depois de explorar suas respectivas bandas se apaixonam pelas utilitárias, e, além de enviar informes de recepção para obter cartões QSL, as utilizam para determinar na prática como estão as condições de propagação para determinada região do globo e faixa de freqüência.

Apesar da prática do Dx utilitário ocorrer em um amplo espectro de freqüências, as faixas de maior interesse aqui reportadas compreendem LF até HF ( 150kHz até 30MHz ).

Um tipo de emissora utilitária, são os Faróis de Navegação – mais conhecidos como NDB.

É a estação de rádio transmissora, cuja finalidade específica é a navegação, utilizando o sistema de irradiação de ondas não direcionais de onde provém o seu nome NDB ( Non Directional Beacon ). O NDB transmite geralmente em ondas de baixa freqüência, operando na faixa de 200 a 500 kHz e 1620 a 1800 kHz, emite sua identificação periodicamente em curtos intervalos de tempo, informando seu prefixo em código Morse. Os NDBs normalmente estão em operação na faixa de freqüência das Ondas Longas, e seu alcance típico é em torno de 100 milhas.

Estas estações são utilizadas como auxilio à navegação, através do recebimento e identificação destes sinais, pelos instrumentos embarcados nas aeronaves.

O sinal que você ouvira a seguir é emitido em 400 kHz, pouco abaixo das ondas médias, por uma estação da aeronáutica aqui no Rio de Janeiro no município de Duque de Caxias.

Sinal de identificação da emissora utilitária em 400 kHz transmitindo em código morse

Dentro da categoria de estações utilitárias, estão as estações de horário padrão, que transmitem através de sinais ou áudio, a hora exata no Tempo Universal Coordenado.

Algumas estações como a WWV dos Estados Unidos e a CHU do Canadá, transmitem de hora em hora índices referentes às condições solares e do campo magnético da Terra, com os quais podemos avaliar as condições de propagação das Ondas Curtas, o que auxilia no estudo e predição das melhores freqüências.

Vamos ouvir agora, a estação CHU do Canadá, transmitindo na freqüência de 14670 kHz, que pode ser captada aqui no Brasil facilmente.

Ouça trecho do sinal horário da Rádio CHU do Canadá
Ouça trecho do sinal horário da Rádio CHU do Canadá

Outra emissora utilitária que transmite sinais horário, é a RWM da Rússia, que transmite em 4996, 9996 e 14996 kHz. Estas estações por sua precisão nas transmissões também são utilizadas como referência para ajustes de receptores.

Abaixo, o trecho de identificação em código morse da RWM em 14.996 kHz em modo CW.

Sinais da estação utilitária RWM transmitindo da Rússia
Sinais da estação utilitária RWM transmitindo da Rússia

Outros tipos de sinais, como transmissão de fax, até por agencias de noticias, alem da marinha que transmite mapas e informações importantes a navegação, só podem ser decodificados através de programas de computador.

Bem, este foi um passeio por alguns tipos de emissões que encontramos nas ondas curtas, mostrando um pouco da importância deste meio de comunicação, para a sociedade, e que também representa um grande auxilio a sintonia de emissoras de radiodifusão regional e internacional.


Posted in Telecomunicações | Comments Off on Estações de Rádio – Utilitárias

RADIO REBELDE – de Cuba para o Mundo em Ondas Curtas

Nas Ondas Curtas da Guarujá Paulista

Por Sarmento Campos

No Momento Cultural, iremos conhecer uma emissora em ondas curtas, que apesar de não realizar transmissões internacionais, o seu sinal pode ser captado aqui no Brasil e possui uma historia muito ligada a uma revolução que alterou o mapa geopolítico das Américas.

Iremos falar sobre a Radio Rebelde de Cuba.

Radio Rebelde

Na semana passada, falamos um pouco sobre a historia recente de Cuba e da Radio Havana Cuba, e hoje, continuando este tema, vamos falar da Radio Rebelde.

O objetivo de nossa viagem através dos paises e alguns fatos históricos relacionados ao rádio, é mostrar a importância deste meio de comunicação, ainda tão presente nos dias atuais. Para nós, não está em questão o mérito dos eventos relacionados ao radio, neste caso como um instrumento de movimentos políticos, mas sim o seu aspecto cultural e sua origem e presença nas ondas curtas até os dias de hoje.

Como podemos observar, o radio de ondas curtas está diretamente ligado a historia recente de muitos países, não só como ferramenta de divulgação da cultura e historia de diferentes povos, como também como instrumento de divulgação de ideologias, grupos políticos e até como instrumento de apoio em revoluções que acabam alterando o rumo da historia dos paises.

Antes de falarmos sobre a Radio Rebelde, vamos ouvir um trecho de abertura de sua programação no idioma oficial de Cuba, que é o espanhol, captada aqui no Brasil nas ondas tropicais de 5025 khz, bem próximo as 5045 kHz da Guarujá Paulista .

Ouça a abertura do programa da Radio Rebelde desde Cuba
Abertura da Rádio Rebelde desde Cuba

A Radio Rebelde foi fundada em 24 de fevereiro de 1958 por Ernesto Guevara, na Sierra Maestra, na província mais oriental de Cuba. A Radio Rebelde surgiu como uma emissora clandestina, onde foi construída e operada por então quatro pessoas, sob o comando de Che Guevara.

Segundo relato de Ricardo Martinez, um dos fundadores da emissora, era transmitido parte dos combates, das ações da luta clandestina, denunciava-se os crimes da ditadura em vigor, e se difundia os discursos dos dirigentes da revolução e outras orientações a população. Segundo histórico da própria emissora, um dos princípios fundamentais do trabalho desenvolvido, foi a divulgação da verdade dos fatos, que constituía então a base da credibilidade do grupo até então considerado rebelde.

Posteriormente, Fidel Castro teve a idéia de incluir um espaço musical como o chamado Quinteto Rebelde, que era um grupo de jovens que animava festas de camponeses.

No dia 31 de dezembro de 1958, por ordem do então comandante em chefe Fidel Castro, a planta transmissora da Radio Rebelde foi transferida para Palma Soriano e levou ao ar em primeiro de janeiro de 1959, uma locução do próprio Fidel Castro.

No final da guerra civil que culminou com a tomada de poder por Fidel Castro, cada coluna de rebeldes mantinha sua própria planta de radio, com 32 emissoras guerrilheiras que ao entrar em cadeia com a Radio Rebelde, formavam a Cadeia da Liberdade. Segundo discurso de Fidel Castro durante o 15. aniversario de fundação da emissora, a Radio Rebelde havia se convertido realmente no meio de divulgação massivo, com o que se comunicavam com a população e se chegou a converter em uma estação com grande audiência, de forma que foi um centro de comunicação militar muito importante, e também, um instrumento de divulgação massiva que teve um papel político de grande transcendência durante toda a guerra.

Atualmente, a Radio Rebelde esta situada no edifício do Instituto Cubano de Radio e Televisão e transmite durante as 24 horas do dia, uma programação informativa, com um representativo espaço de suas transmissões dedicadas a eventos esportivos nacionais e internacionais ao vivo ou com resenhas esportivas. O resto da programação comporta diversos noticiários ao vivo, com programas que denominam de radio-revistas.
Segundo informado no web site da emissora, a Radio Rebelde tem uma capacidade instalada de 891 kwatts total, que compreende 44 transmissores em FM cobrindo 98% do todo o país. E através das ondas curtas de 60 metros, na freqüência de 5025 kHz, sua programação percorre grande distancia.
Assim como a Radio Havana Cuba, a Radio Rebelde transmite seu áudio através da Internet, complementando assim as emissões em FM e onda curta.

Outro fato bastante curioso sobre a Radio Rebelde é o destaque para a pratica do DX, em sua pagina na Internet. No site da emissora, há um espaço reservado para a divulgação de temas como a propagação ionosferica, a confecção de informes de recepção, enfim, informações úteis para dxistas de todo o mundo. O espaço é mantido por Manolo de la Rosa, locutor e produtor da radio.

Não deixe de visitar a pagina da emissora em www.radiorebelde.com.cu e acesse o espaço dedicado ao DX.

Fique agora com mais um áudio da Radio Rebelde desde Cuba.

Ouça trecho da programação da Rádio Rebelde desde Cuba
Rádio Rebelde desde Cuba


Posted in Radioescuta | Comments Off on RADIO REBELDE – de Cuba para o Mundo em Ondas Curtas