Entendendo a Propagação Ionosférica – Parte II

Por Renato Dutra Pereira Filho

Bibliografia
The NEW Shortwave Propagation Handbook
By Geoger Jacobs, Theodore J. Cohen e Robert B. Rose

Dando prosseguimento a série de artigos sobre a propagação de ondas de rádio em HF, falaremos das variações típicas da ionosfera.
Graças à existência da dependência da ionosfera com a radiação solar, é evidente que mudanças na posição elativa entre Terra e Sol (rotação e translação), bem como mudanças nos padrões de radiação solar, irão influenciar como a ionosfera se comporta.
As variações “típicas”, e que podem ser relativamente preditas e antecipadas classificam-se nas seguintes categorias:

1 – Dia e Noite
2 – Sazonal (estação do ano)
3 – Geográfica
4 – Cíclica

VARIAÇÃO DIA E NOITE

A variação durante um dia, ou seja, as mudanças de hora a hora nas várias camadas da atmosfera, são causadas pela rotação da Terra ao redor do próprio eixo. Esta rotação não é somente responsável pelas variações na quantidade de luz solar alcançado a Terra, resultando em dia ou noite, mas também pela correspondente variação na intensidade da radiação ultravioleta que alcança a ionosfera em qualquer ponto. Durante as horas diurnas, quando a radiação ultravioleta alcança a atmosfera superior terrestre, a ionosfera pode tornar-se altamente ionizada com a separação em camadas; durante as horas de escuridão muito pouca radiação alcança a atmosfera superior no lado terrestre distante do Sol, logo a ionosfera perde densidade eletrônica e forma-se uma relativamente fraca e única camada.Como já mencionado, as variações diurnas nas camadas D,E e F1 apresentam um padrão regular que principalmente depende da elevação solar (ou seja, o ângulo de zênite solar). A ionização destas camadas aumenta a partir de níveis muito baixos a partir do nascer do sol, alcança o máximo à tarde, e então decresce até o pôr-do-sol.

A ionização na região F2 aumenta rapidamente ao nascer do sol. A máxima ionização é alcançada quando o Sol alcança seu zênite, ou o ponto mais alto no céu. A ionização então decresce, alcançando valores baixos durante a noite. A menor densidade eletrônica é encontrada logo antes do sol nascer e a queda observada na freqüência crítica é chamada depressão pré-nascer-do-sol.

Mas o que é freqüência crítica ?A freqüência crítica é a freqüência mais alta a partir da qual um eco é recebido quando um pulso de rádio é enviado verticalmente para a ionosfera. Mais adiante mostraremos que existe uma relação direta entre as freqüências usadas para comunicação entre dois pontos quaisquer (propagação oblíqua, quando comparada com a transmissão do pulso vertical) e a freqüência crítica. A camada F2 é a mais altamente ionizada das camadas normais com a característica de suportar a propagação em freqüências muito altas. Além disso, devido à lenta taxa de recombinação, ela permanece forte muitas horas depois do por do sol. Por esses motivos, a camada F2 é a mais importante para comunicações de longa distância em onda curta.

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A estrutura básica da Ionosfera e suas camadas e a interação com as ondas de rádio emitidas por um transmissor

VARIAÇÀO SAZONAL

Devido ao fato da posição de qualquer ponto na Terra modificar sua posição com relação ao Sol, a medida em que a Terra move-se em sua órbita ao redor Sol, então as propriedades da ionosfera também se modificam. Ionização da camada E comporta-se de maneira regular, sendo quase que totalmente dependente do ângulo do zênite solar. A ionização é muito mais forte no verão devido ao Sol estar mais “alto” no céu. Durante todos os meses de inverno a freqüência crítica da camada F1 varia de maneira semelhante a da camada E, dependendo da elevação Solar. Durante o inverno, a camada F1 se “funde” com a camada F2, e não pode ser identificada de forma separada, exceto nas regiões equatoriais.

O comportamento da camada F2 é mais complicado. Durante os meses de inverno no hemisfério norte, a atmosfera está mais fria, mas a Terra está mais próxima do Sol, e a ionização diurna é muito intensa; então as freqüências críticas são altas. Durante as longas horas de escuridão do inverno, por outro lado, a ionosfera tem mais tempo para perder sua carga elétrica, e as freqüências críticas descem para valores muito baixos.

No verão um efeito de aquecimento ocorre na camada F2, causando a expansão durante as horas diurnas e resultando em uma densidade de ionização mais que a observada durante o inverno. Em resultado, as freqüências críticas são menores que os valores de inverno. Por outro lado, graças as longos períodos diurnos do verão, a recombinação não ocorre na mesma extensão que ocorre no inverno. Em resultado, as freqüências críticas noturnas da camada F2 são maiores do que aquelas observadas durante os meses de inverno. A variação entre as freqüências críticas diurna e noturna, durante o verão, são menores do que durante o inverno.

VARIAÇÃO GEOGRÁFICA

A intensidade de radiação ionizante que chega até a ionosfera varia conforme a latitude, sendo consideravelmente maior em regiões equatoriais, onde o Sol está mais diretamente perpendicular do que em latitudes altas. Freqüências críticas para as regiões E e F1 variam diretamente com a elevação solar, sendo altas em regiões equatoriais e decrescendo proporcionalmente para norte e sul com a latitude. As variações da camada F2 com a latitude são mais complexas. Isto ocorre provavelmente devido à ionização de outras fontes. Existem evidências de que o campo magnético terrestre exerce uma importante influência. No grau de ionização da camada F2.
Apesar de complexa, a freqüência crítica da camada F2 segue um padrão geral de começar alta em regiões equatoriais e diminuir conforme o aumento da latitude.

Apesar de não ser complexa quanto à variação de latitude, a ionização da camada F2 também difere ao longo dos meridianos (com a longitude) ao longo do mesmo tempo local e ao longo da mesma latitude. Muito dessa variação é
creditada a influência do campo magnético terrestre. As freqüências críticas são geralmente maiores na região Asiática e Australásia que aquela da Europa, África e hemisfério ocidental.

VARIAÇÃO CÍCLICA

Se fossem somente as variações diurnas e sazonais os fatores que influenciam o comportamento ionosférico, o padrão de freqüência crítico em longo prazo seria bem determinado, com valores sazonais repetindo-se de ano para ano na mesma localização geográfica. Infelizmente, isso não ocorre. Há também uma variação cíclica, de aproximadamente 11 anos de duração, que é o fator mais importante a afetar a ionosfera. Esta variação depende do nível de atividade das manchas solares, a qual está constantemente variando, durante o transcorrer do ciclo de 11 anos.

Futuramente avaliaremos exclusivamente essa influência.

* Artigo publicado no Boletim @tividade DX produzido pelo DX Clube do Brasil



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Entendendo a Propagação Ionosférica – Parte I

Por Renato Dutra Pereira Filho

Bibliografia
The NEW Shortwave Propagation Handbook
By Geoger Jacobs, Theodore J. Cohen e Robert B. Rose

A partir dessa edição do @-tividade DX e nas próximas edições de domingo teremos artigos especiais sobre a propagação. Como esse material é destinado a todos os colegas, independente do seu nível de aprofundamento no assunto, e como o objetivo é tentar aprender e desmistificar como a propagação funciona, começaremos do básico. Afinal, grandes prédios necessitam de profundas e sólidas fundações. Nesta edição falaremos a respeito da: – relação entre comprimento de onda, freqüência e velocidade; – ionosfera, histórico, composição, características, formação, camadas, etc; – camadas D, E, F1 e F2;

As altas freqüências (HF, high frequencies), correspondem à porção do espectro entre 3 e 30 MHz (cada Hz equivale a 1 ciclo/s), ou seja, de 3000 kHz a 30000 kHz. Somente para lembrar, é muito intuitiva a transformação de freqüência em comprimento de onda e vice-versa, desde que tenhamos em mente o fenômeno em si, ou que prestamos atenção nas unidades. Comprimento de onda (L) é medido em metros no S.I. (Sistema Internacional de Unidades), enquanto que a freqüência (f) é medida em Hz. Como a relação entre estas grandezas está vinculada a velocidade (v) de propagação dessa onda (velocidade é em metros por segundo), basta “casar” as unidades e teremos a equação básica:

v = L . f

Como inúmeras medições experimentais comprovaram, a velocidade de propagação da radiação eletromagnética no vácuo é uma constante, ou seja, 300000 km/s, ou seja, 300000000 m/s. Logo, dada a freqüência em kHz, 300000/f, nos dá direto o comprimento de onda em metros e dado o comprimento de onda em m , 300000/L, nos dá a freqüência em kHz. A comunicação usando a faixa de HF é possível porque existe uma camada da atmosfera superior terrestre chamada ionosfera, a qual refrata e/ou reflete as ondas de rádio.

A IONOSFERA

A ionosfera, como o nome diz, é composta de partículas carregadas eletricamente chamadas íons. Íons nada mais são do que átomos ou moléculas que ganharam ou perderam elétrons apresentando, portanto carga elétrica negativa (chamados ânions) ou carga elétrica positiva (chamados cátions). O processo de transferência de elétrons (perda ou ganho) envolve energia, e essa energia tem de vir ou ir para algum lugar. Retirar elétrons é sinônimo de realização de trabalho logo gasta energia. Na ionosfera esses íons estão dispostos em muitas camadas que são capazes de refletir as ondas de rádio na faixa de HF e devolvê-las à Terra em uma trajetória que faz com que as mesmas percorram grandes distâncias.

As características elétricas dessas camadas, as quais são coletivamente referidas como ionosfera, estão sujeitas a amplas variações. Isto ocorre por que a ionosfera é formada pela radiação proveniente do SOL. É essa a fonte da energia necessária para arrancar os elétrons das moléculas do topo da atmosfera e transformá-las em íons. A intensidade da radiação solar modifica-se com a hora, com a estação do ano, com a localização geográfica. Além disso ocorrem variações cíclicas na capacidade da ionosfera de refletir ondas de rádio. Esses ciclos estão vinculados ao ciclo de aproximadamente 11 anos de atividade solar.

De 11 em 11 anos ocorre um aumento no número de manchas solares. Essas manchas são área turbulentas que produzem considerável quantidade de radiação. Quando a superfície solar está coberta com um grande número de manchas,a ionosfera é eletricamente mais carregada e as radio comunicações em ondas curtas são geralmente muito boas. Quando o número de manchas solares diminui, as condições tornam-se piores. O atual ciclo solar, o vigésimo terceiro observado desde que registros precisos começaram, encontra-se um pouco além do máximo, já em fase decrescente, mas ainda com muita atividade solar.

A DESCOBERTA DA IONOSFERA

Em 1902, dois cientistas, Arthur Kennelly nos EUA e Oliver Heaviside na Grã-Bretanha sugeriram teoricamente, em artigos científicos independentes, que a a atmosfera superior terrestre seria composta de um região condutora de eletricidade. Seria essa camada que agiria como obstáculo e defletiria os sinais de rádio que permitiram experiências de transmissão transatlântica que ocorreram 1 ano antes. Foram necessárias mais de duas décadas para que essa hipótese fosse verificada experimentalmente, especificamente em 1924 pelo cientista inglês Edward Appleton. Hoje sabe-se que a atmosfera superior é composta principalmente por nitrogênio, oxigênio e seus compostos, com pequenas quantidades de hidrogênio, hélio e outros gases. Esta descrição foi obtida experimentalmente a partir de balões de alta altitude, foguetes ou medidas de satélites ao longo das últimas décadas. Essas medições experimentais comprovaram as teorias de que o tipo de radiação solar de principal importância na formação da ionosfera era a radiação ultravioleta. A grande quantidade de energia associada com essa radiação seria a fonte de energia necessária para a ionização.

Hoje em dia é aceito que o papel da radiação ultravioleta é primordial nas camadas mais externas da ionosfera, enquanto que além desse tipo de radiação, a radiação do tipo raios-x, raios cósmicos e outros freqüências de radiação também tem importância nas camadas mais baixas da ionosfera. Se a radiação solar desaparece (à noite, ou por um eclipse solar) os elétrons e os íons se recombinam formado átomos e moléculas eletricamente neutros. O processo de ionização recomeça novamente quando do nascer do sol. Ocorre que há uma diferença de velocidade entre a ionização e a recombinação. A ionização é um processo mais rápido do que a recombinação. Assim a chamada densidade eletrônica da ionosfera diminui em uma velocidade menor do que a velocidade de aumento da densidade eletrônica devido ao nascer do sol.

A ESTRUTURA DA IONOSFERA

Como a radiação chega do exterior até a atmosfera terrestre, primeiro ocorre a ionização dos gases rarefeitos encontrados mas externamente. A medida que a radiação penetra mais profundamente na atmosfera, encontra uma densidade crescente de gases, e a quantidade de ionização aumenta. Penetrando além, ela produz mais e mais ionização, mas como a ionização despende energia essa radiação é totalmente dissipada até que o processo de ionização acaba. Então é formada uma região de máxima ionização, com regiões de densidades eletrônicas inferiores abaixo da mesma. Como a composição do topo da atmosfera varia conforme a altitude e como os diversos gases respondem especificamente a diferentes freqüências, existe uma tendência da ionização ocorrer em diferentes camadas. Estas camadas estão entre aproximadamente entre 50 a 650 km acima da superfície da Terra. Enquanto estas regiões ionizadas são usualmente mencionadas como camadas, elas não estão completamente separadas uma da outra.

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As camadas da Ionosfera e sua altitude em relação a superfície da Terra

Cada região ou camada se sobrepõem em alguma extensão formando uma contínua mas não uniforme área ionizada com ao menos 4 picos de intensidade de densidade iônica, chamadas regiões D, E, F1 e F2. Existem diferenças grandes entre os perfis das camadas de acordo com a estação do ano, devido a mudança da proximidade com o Sol e a sua posição no céu. Esta “posição” é chamada de ângulo de zênite solar. Mantidos outros fatores constantes, quanto mais alto o Sol, maior a densidade eletrônica. O uso das letras para designar as várias regiões da ionosfera foi devido ao trabalho de Edward Appleton, baseado na descoberta da camada Kenelly-Heaviside em 1924. Ele utilizou a letra E para esta camada, já que essa simbologia normalmente é usada para designar o vetor campo elétrico. Como ele mesmo previu, deixou assim muitas letras tanto acima quanto abaixo para designar futuras descobertas. O nome ionosfera foi dado por Sir Robert Watson-Watt, um colega de Appleton no início do trabalho e um dos pioneiros do trabalho sobre o radar.

A CAMADA D

Apesar de todo o trabalho experimental a respeito da ionosfera no final dos anos 60 e nos 70, do século passado, a camada D continua ainda um pouco enigmática. Esta camada, a qual se estende de 65 a 100 km acima da superfície terrestre e somente existe durante o dia enquanto a Terra encontra-se iluminada pelo Sol. Determinar a composição química da camada D foi muito difícil utilizando as modernas técnicas experimentais. A esta altitude relativamente baixa quando comparada com as outras camadas, a pressão ainda é suficientemente “grande” para produzir uma alta freqüência de colisões entre as partículas elementares constituintes da atmosfera, assim, os estudos convencionais não podem ser usados.

Portanto a química da camada D é a menos conhecida. Com respeito as comunicações via rádio a camada D é um gigantesco atenuador, absorvendo os sinais de HF que passam através. Como a atenuação varia com o inverso do quadrado da freqüência, quanto maior a freqüência do sinal de rádio utilizado, menor a absorção do sinal pela camada D. Após o pôr-do-sol essa camada se recombina e as baixas freqüências passam a ser refletidas pelas camadas superiores. Esse é o motivo porque a noite é possível ouvir transmissões em O.M. muito distantes por meios de propagação ionosférica (a chamada onda de céu, ou no original, skywave).

A CAMADA E

O limite superior da camada D acaba se misturando com outra região distinta chamada camada E, a qual ocorre principalmente durante o dia entre 100 e 125 km. É uma fina camada de 5 a 10 km de espessura, Existem muitos tipos de mecanismos de ionização que operam a essa faixa de altitude dependendo da latitude, estação do ano, e nível de atividade solar. Acreditava-se que esta camada desaparecia durante a noite. Mas experimentos no início dos anos 80 do século passado, durante o pico do ciclo solar 21, demonstraram o contrário. A camada E não desaparece, mas de fato apresenta uma permanente mas ineficiente fonte de propagação noturna. Foi também durante essa série de medidas experimentais que foi determinado que a ionosfera é turbulenta, já que após 2 minutos, qualquer variável medida na ionosfera modifica-se de valor.

A CAMADA E ESPORÁDICA

Em adição a camada E normal da ionosfera, existem regiões ionizadas que ocorrem esporadicamente. Diferentemente das camadas normais, estas regiões esporádicas vem e vão irregularmente, e existem diversas teorias a respeito da sua causa. A altura destas regiões ou “caminhos” é variável, mas elas ocorrem na maior parte das vezes a uma altitude de 100 km. Desde que apresenta a mesma altitude da camada E, por isso são chamadas coletivamente de E esporádico.
A camada E esporádica é uma região intensamente ionizada, e muito limitada em termos de extensão. Uma “nuvem” de camada E esporádica pode ter de 80 a 170 km em diâmetro, e pode permanecer somente por algumas horas antes de dissipar. Muitas dessa “nuvens” se deslocam a velocidade de centenas de quilômetros por hora. A causa da ionização da camada E esporádica não é ainda totalmente entendida. É sabido que meteoros se desintegram nas altitudes da camada E e que os íons metálicos residuais criam “caminhos” de alta ionização. Este pode ser um fator envolvido no surgimento de E esporádico.
Em regiões equatoriais o E esporádico é um fenômeno diurno, e provavelmente é causado pela instabilidade no plasma causada pelo jato eletrônico equatorial (convém mencionar que existem correntes de convecção de altíssima velocidades associadas a altas altitudes). As altas velocidades encontradas aqui podem criar densos “caminhos”. Ao redor do equador geomagnético o E esporádico pode permanecer por 90% das horas do dia.

A CAMADA F, OU MELHOR, AS CAMADAS Fs

As camadas Fs são as mais importantes regiões da ionosfera e com elas as comunicações de ondas curtas em alta distância estão relacionadas . Durante as horas do dia existem duas regiões bem definidas, a camada F1 e a camada F2. Em um dia de inverno a camada F1 começa um pouco acima do limite superior da camada E (150 km) e se estende até cerca de 250 km. Durante o dia de verão a camada F1 é encontradas em altitudes maiores. A camada F2 varia de 350 km durante o inverno e pode chegar a 500 km durante o verão. A maioria das transmissões em onda curta são acompanhadas através da camada F2.
A evidência experimental indica que a camada F1 desaparece durante a noite. Já durante o dia é essa camada que suporta transmissões de curto a médio alcance. A camada F1 se comporta de forma semelhante a camada E . Diferentemente de todas as outras camadas a camada F2 existe independente de ser dia ou noite e é sempre capaz de sustentar propagação em alguma freqüência. É a mais importante das camadas e é o seu comportamento que é predito pela maioria dos programas de computador que fazem predição de condições de propagação, como o MINIMUF, por exemplo.

ACIMA DA REGIÃO F

Aproximadamente 95% dos átomos e moléculas que formam a ionosfera estão contidos abaixo dos 1000 km de altitude. Medidas utilizando satélites indicam que a densidade eletrônica entre 650 e 1000 km é muito pequena e que tem pouca importância para transmissões em ondas curtas ou radioamadores.

Dica de site a respeito do assunto:

Quem tiver interesse em acompanhar uma animação a respeito do fenômeno da propagação, e tiver o FLASH da MACROMEDIA instalado no seu computador, deve acessar: http://www.ae4rv.com/tn/propflash.htm

* Artigo publicado no Boletim @tividade DX produzido pelo DX Clube do Brasil



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O RÁDIO E O MUNDO EM GUERRA

Autor : Wilson Rodrigues, Conselheiro do DXCB

Em maio1999, sentei a frente do computador para escrever um artigo sobre a atuação do rádio nos conflitos armados. Procurando artigos que pudessem me orientar nesta empreitada, percebi que o problema das guerras era muito mais amplo que imaginava. São tantos os conflitos, que acabamos nos perdendo em quem ataca quem, quem iniciou, ou quem está certo ou errado!

Meu artigo ficou escondido no micro durante todo esse tempo e só agora dei continuidade ao mesmo. Em 1999 havia cerca de 60 países no mundo em situações de conflito armado. As grandes emissoras internacionais sempre dão informações sobre esses conflitos, muitas com riqueza de detalhes, o que torna o noticiário destas emissoras muito interessante seja para os ouvintes do rádio, seja no país de origem do conflito, seja em outras regiões.

Neste elenco de países, as emissoras relatavam o nome de países que participavam abertamente de terrorismo internacional, de movimentos autonomistas, religiosos, problemas internos sem solução a vista, internacionais sem solução a vista, alguns com movimentos não armados por território, como a Venezuela, Taiwan, Síria, Rússia, Guiana Guatemala, Geórgia dentre outros! Sempre há também as missões da ONU em regiões com conflitos.

Ao longo dos anos vimos nascer e morrer emissoras envolvidas nestas regiões conflitantes:

-“Transmite desde Morazán, EL salvador, Banda Internacional de 40 metros, Rádio Venceremos, Voz Oficial del Frente Farabundo Marti para la Leberación Nacional! Tenho um adesivo desta emissora. Esta estampado no adesivo, um alvo para tiro, e sobre o alvo um fuzil automático! Pelo adesivo da emissora dava para se conhecer seus objetivos

Houve um tempo em que o mundo polarizado, olhava EUA x URSS e com o fim da guerra fria, a neblina que encobria as lutas tribais africanas desapareceu descortinando um continente com 15 países em conflitos onde muitas das vezes, as emissoras reportavam que as armas para matar os inimigos eram facões amolados!

Ainda hoje a Rádio Exterior, da Espanha, tem um programa que se chama, “Mundo Solidário” onde sempre se comenta sobre atrocidades de grupos envolvidos nos conflitos. Neste programa sempre há enfoque das barbaridades ocorridas em várias partes do mundo!

O rádio com o seu poder de penetração, é sem dúvida o melhor meio de enviar mensagens sejam ideológicas, sejam de críticas, ou para incitar o povo a reações! E sempre que um conflito se inicia em uma região, nasce com ele uma emissora, ou as vezes duas, sendo que de cada lado, há opiniões diferentes, as vezes dividindo as opiniões de que ouve essas emissoras.

Muitas não tem interesse em receber informes de recepção de ouvintes que estão longe da área de conflito, pois o interesse da emissora é atingir principalmente quem esta diretamente envolvida, seja de um lado ou de outro. Por outro lado há emissoras que tem interesse em receber informes de recepção, como uma forma de saber se há pessoas em outras regiões se informando sobre seus problemas e se a opinião pública mundial esta alinhada com os seus interesses! Informes de recepção podem ser um termômetro para medir opiniões a favor ou contra!

A TV mostra certos acontecimentos da guerra em pequenos episódios, sem entrar em detalhes do acontecimento. Quando ouvimos um fato no rádio em geral ele vem acompanhado das razões que o levaram a cabo, há entrevistas com os dois lados, e desta forma o ouvinte pode ser um crítico analítico e entender melhor cada parte.

A grande população, também se vê a mercê da mídia radiofônica que muitas vezes manipula as informações dando opiniões que nem sempre corresponde a realidade.

Há períodos em que as bandas de radiodifusão são verdadeiros shoppings centers de emissoras levantado bandeiras a favor de uma causa em defesa de um povo! São tantas emissoras denominadas clandestinas com os mais variados nomes, Rádio nacional de la República Arabe Saharaui Democrática, Voice of Biafra Internacional, Voice of Democratic Eritrea, Voice of Etiopian Medhin, Voice of Oromo liberation, e muitas outras.

Para fazer frente a essas emissoras muitos países usaram o “jamming” para neutralizar as mensagens enviadas. Certa ocasião eu e o amigo Sérgio Partamian escutávamos a emissora clandestina Voice of the Mojahed, e assim que a amissora entrou no ar surgiu o jamming interferindo na mesma, Voice of the Mojahed mudava de freqüência alguns KHz e o jamming ia atras continuando as interferências e assim ficou por longo tempo.

Um dos problemas na escuta destas emissoras, é o idioma em que é transmitido, muitas das vezes em dialetos complicados, o que torna quase impossível qualquer entendimento. Neste universo de emissoras em regiões com guerras, muitos dexistas reportam as mesmas com o único objetivo do conseguir uma confirmação, outros querem ouvi-las para se inteirar dos pontos de vista de cada lado do conflito.

Quando duas nações dão trégua a um conflito, outro, vê suas crianças serem metralhadas dentro do próprio país, como ocorreu em setembro na Rússia chocando o mundo com a barbárie dos terroristas. Tal fato deu munição às emissoras do mundo inteiro que fizeram os mais diferentes comentários a respeito do fato!

Certa ocasião escutava uma emissora internacional que em uma entrevista a um cientista de guerra, o mesmo alegava o mal necessário das guerras como forma de controle da população! No debate na emissora um oponente do cientista, comentava, que ele, o cientista era a favor, porque era já de idade avançada, e se tivesse que enviar obrigatoriamente seus filhos e netos a uma guerra sangrenta, certamente, teria outra opinião!

Escutando a Rádio Iugoslávia, numa reportagem sobre os campos de refugiados da Macedônia, a emissora saiu do ar, e não voltou, num informe da BBC ficamos sabendo que haviam danificado sua antena naquele conflito terrível!

Será que nunca deixaremos de ouvir as emissoras reportando guerras e mais guerras ao longo de nossas vidas? Einstein provocou Freud a responder: o pacifismo tem futuro no mundo? Freud nunca foi otimista em relação ao homem, mas apostou na civilização!

Durante a Segunda guerra mundial, sabemos de relatos em que emissoras clandestinas emitiam informações de apoio aos resistentes de uma região muitas das vezes com informações falsas, dando conta de avanços de tropas amigas para reforçar a alta estima e o moral da tropa para enfrentar o inimigo! Neste periodo, quase todas as nações usaram o rádio como forma de se informar sobre o andamento da guerra.

O dexista brasileiro de origem polonesa, Jerzy Sielawa, que participou da resistência polonesa na Segunda guerra, comenta que ainda adolescente, montava receptor super regenerativo usando lâmina de barbear para fazer o capacitor variável que teria a função de selecionar as emissoras ouvidas, e ouvir a BBC para se inteirar dos bastidores da guerra. Há histórias incríveis sobre a atuação do rádio nas guerras.

Ainda jovem adolescente na década de 60 ao ouvir as emissoras internacionais, ficava muito atento com as informações que chegavam dando conta dos conflitos mundo afora. Lembro-me bem que ao informar a um senhor de origem eslava, sobre minhas escutas, ele me alertou: tenha muito cuidado com o que você escuta, há muitos comentários apaixonados, mas que não traduzem a verdade. Sou de uma região de onde você escuta a emissora e posso afirmar que lá a vida não é tal bela como apregoam, as mensagens ali transmitidas não passam de “canto da sereia” reafirmou ele!

DX Clube do Brasil


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DRM – Rádio Digital Mundial (Digital Radio Mundiale)

Será que a tecnologia digital para o rádio de ondas curtas se tornará realidade ?

Muito se fala na viabilidade das transmissões digitais não só no popular AM (Ondas Medias) de forma a melhorar a qualidade do áudio e propor a revitalização desta mídia popular.

Também, para a radiodifusão internacional em ondas curtas, já existe pronta e implementada uma solução para levar qualidade de áudio FM para estas faixas de transmissão em longa distância.

Foi criado um consórcio chamado DRM, onde a Rádio Difusão Portuguesa internacional é uma das fundadoras, de forma a se desenvolver um novo sistema digital de transmissão de áudio, onde a qualidade da emissão seria aliada ao grande alcance das ondas curtas.

Tal sistema já está em operação – em reduzida escala naturalmente – porém, já dá sinais de amadurecimento em seu desenvolvimento. O que falta agora, é viabilizar comercialmente sua utilização em larga escala.

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E os problemas são muitos.

A começar pelo alto preço dos receptores digitais que é a grande barreira de entrada desta tecnologia aos seus possíveis ouvintes. E do lado das grandes emissoras de radio difusão, o alto valor dos investimentos em transmissores e equipamentos digitais. E some-se tudo isso, ao pagamento de royalties para utilização dos algoritmos do sistema DRM.

Agora, observem alguns fatos importantes :

– um terço da população mundial ainda não tem acesso a energia elétrica;
– os novos receptores que utilizam a tecnologia digital são projetados para funcionar com fonte externa de alimentação (AC/DC);
– está se mantendo a tendência de se desativar não só as transmissões em ondas curtas mas também, eliminar as redações jornalísticas o que diminui o conteúdo disponível para se levar ao ar;
– as condições de recepção de sinais de rádio nos grandes centros urbanos está cada vez difícil devido as fontes de ruído elétrico introduzidas por novos dispositivos eletrônicos (computadores, fornos de microondas, TVs de plasma etc);
– com o mais recente colapso do capitalismo, o grau de investimento ao redor do mundo será reduzido drásticamente;

Ou seja, desenvolveu-se um sistema complexo onde muito investimento foi realizado baseado na premissa de prover mais conteúdo e alcance à radio difusão internacional, porém, as barreiras econômicas são fatores muito fortes e contrários a sua ampla disseminação.

Nem na Europa e no Japão onde o desenvolvimento tecnológico é mais avançado e a infra estrutura de seus países é mais elaborada, o DRM ainda foi plenamente implementado, ou seja, ainda não existem emissões regulares neste sistema em larga escala, apenas transmissões experimentais.

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Novo modelo de receptor de rádio Ondas Médias e Curtas digital – DRM

E ainda existem alguns agravantes na tecnologia, que criaram a falsa expectativa de melhoria nas condições de recepção do áudio, pois as ondas curtas em geral são sucetíveis ao fenômeno de fading (desvanecimento de sinal) onde durante a recepção, existem distorções no áudio que está sendo sintonizado, e o sistema DRM, naturalmente não conseguiu eliminar esta característica do rádio de ondas curtas, pois este efeito é adverso a qualquer forma de modulação do sinal.

Sendo assim, tudo indica que ainda teremos um longo caminho para a realidade plena do sistema DRM.



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SOL – o Astro Rei determina como se comportam as ondas de rádio

O que existe em comum entre o famoso sistema de navegação global – GPS – a telefonia celular, as comunicações por satélite e o nosso tradicional rádio, seja de Ondas Médias (AM) ou Ondas Curtas ?

Resposta : o SOL.

Em última instância, é o SOL que determina não só o que podemos fazer para nos comunicarmos através da rádio freqüência, como também pode causar danos as nossas usinas de geração de eletricidade. E considerando que nossa sociedade está fundamentada nas telecomunicações, isto por si só é um motivo especial para preocupações e grandes investimentos em pesquisa dos fenômenos solares por um grande número de países.

E se pensarmos que o nosso planeta Terra é um grande motor elétrico, pois é composto por um núcleo sólido de ferro e envolto por outras camadas liquidas e a crosta terrestre, e ainda, em movimento de rotação, podemos pensar na Terra sendo um grande indutor eletromagnético, que pode sofrer influências de outros corpos celestes, especialmente o SOL.

E no meio disto tudo, estão os seres humanos, que vivem em em ambiente de interação constante com diversas fontes de energias e forças ciclópicas em tênue equilíbrio, e só por isso, a compreensão destes fenômenos se torna capital, como podemos concordar.

O SOL funciona como uma gigantesca antena que irradia energia em uma ampla gama de freqüências, e esta energia interage com o planeta Terra formando assim um sistema extremamente complexo e intrinsicamente conectado.

O mais famoso fenômeno solar é o chamado ciclo solar que é de aproximadamente 11 anos. Durante este período, ocorrem na superfície do SOL manchas solares que atingem o número máximo durante o pico do ciclo solar, e chegam a desaparecer por completo dentro deste período.

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Foto do SOL e de manchas solares durante a transição do Ciclo 23 para o atual 24

Uma mancha solar é uma região onde ocorre uma redução de temperatura e pressão das massas gasosas no Sol, estando intimamente relacionadas ao seu campo magnético, cuja intensidade média é de 1 Gauss, chegando a milhares de Gauss próximo a elas. Quanto maior sua quantidade, maiores são as alterações na ionosfera terrestre, influindo nas comunicações de rádio no planeta Terra.

As manchas podem surgir isoladas ou em grupos, sendo o campo magnético associado mais intenso no período conhecido como máximo do ciclo solar. O tamanho das manchas solares é bem variado, geralmente maiores que o nosso planeta. Elas são medidas em termos de milionésimos da área visível do Sol. Uma mancha é considerada grande quando mede entre 300 e 500 milionésimos do disco solar. A maior mancha solar já registrada foi em 1947, com quase 1/7 do disco solar.

Os chineses aparentemente foram os primeiros a observar este fenômeno, e desde o século XVII os ciclos solares tem sido observados e catalogados.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE : JAMAIS OLHE DIRETAMENTE PARA O SOL SEM ESTAR EQUIPADO ADEQUADAMENTE.

Outros fenômenos como explosões solares afetam o nosso planeta, pois estes eventos formam o chamado vento solar que transporta matéria ejetada pelo SOL até a nossa atmosfera terrestre, e que dependendo da sua intensidade, pode destruir transformadores elétricos de usinas de eletricidade, assim como até retirar de órbita os satélites de comunicação.

Este fenômeno chamado de Ejeções de Massa Coronal (EMC) são bolhas gigantes de gás permeadas por campos magnéticos que são ejetadas do Sol por um período de várias horas. Caso estas ejeções atinjam a Terra, geralmente, causam uma série de distúrbios às comunicações de longa distância e navegação, além de danos a satélites e transformadores de eletricidade.

Portanto, é desejável que sejamos capazes de prever quando estas ejeções atingirão a Terra. Para tanto, é necessário um bom entendimento dos mecanismos causadores das ejeções e, principalmente, de como se dá a propagação das EMC e sua interação com o vento solar que permeia o meio interplanetário.

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Ejeção de Massa do SOL atingindo a Magnetosfera do planeta Terra

Como conseqüência de todos esses eventos, basicamente, a energia solar carrega eletricamente nossa atmosfera, particularmente uma região denominada “Ionosfera”, que é a responsável por permitir a propagação ou a absorção das ondas de rádio ao longo de nosso planeta.

A ionosfera é composta por diversas camadas que são formadas ao longo do dia e da noite, e apresentam características muito específicas, e determinam por exemplo, por que durante o dia em Ondas Médias só ouvimos emissoras locais, ou sejam, bem próximas, e durante a noite, podemos ouvir com muita intensidade e clareza emissoras de outros estados e até de outros países.

É a ionosfera a responsável por absorver a energia do SOL, e por sua vez, se carregar eletricamente através do processo de ionização, e a partir desta série de fenômenos, determina o comportamento e alcance das ondas de rádio, conforme a estação do ano, a hora do dia, e a freqüência utilizada.

No nosso cotidiano, ao usarmos o telefone celular, que nada mais é do que um rádio transmissor e receptor, e que hoje é ítem básico em nossa sociedade, estamos sob a influência direta do SOL e de seus eventos que interagem com nosso planeta, notadamente a Ionosfera como já falei, e também com outra característica de nosso planeta denominada de Magnetosfera, que nos protege de radiações perigosas do SOL.

Dependendo do SOL, as condições de propagação das ondas de rádio é diretamente afetada, o que pode causar blackouts nas comunicações, aumento no chamado ruído atmosférico que interfere na qualidade das transmissões, e também, forte atenuação dos sinais, encurtando as distâncias utilizadas.

Assim, ao utilizar o seu hoje tão presente telefone celular ou o seu rádio no carro, lembre-se que é o Astro Rei que está determinando o que você está ouvindo.

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Vídeo do fenômeno solar de ejeção de massa demonstrando a grandeza do evento

Alguns institutos de pesquisa estudam os eventos solares e acompanham durante 24 horas os principais indicadores relacionados ao ambiente espacial, e através de uma série de índices históricos e de modelos matemáticos complexos, pode-se prever as condições de propagação das ondas de rádio, e através destas informações, as grandes emissoras internacionais de ondas curtas, realizam o planejamento de freqüências, horários e regiões a serem alcançadas.

Como exemplo básico, durante o mínimo solar que estamos presenciando, os sinais de alta freqüência como regra geral sofrem influencia negativa, como por exemplo acima de 15 MHz (faixa de 19 metros), e abaixo desta freqüência, há melhora no alcance dos sinais.

Obtenha mais informações a respeito na página https://www.sarmento.eng.br



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Ruído Elétrico : O inimigo número um do rádio em casa

É quase intuitivo saber que o rádio é de longe, o maior e mais importante meio de comunicação de massa na nossa atual civilização. È dificil pensar no nosso cotidiano se não houvesse um aparelho de rádio nos lugares que frequentamos ou moramos.

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Um moderno receptor de comunicações fabricado pela Icom no Japão

A ver : é razoável partir da premissa de que todos os automóveis possuem o rádio como acessório básico. Na nossa casa, o rádio é item tão comum e incorporado em nosso dia-a-dia, que ás vezes nem mesmo é percebido pelo seus usuários e proprietários.

A praticidade de uso, o baixíssimo custo para sintonizar emissoras, no máximo pilhas ou energia elétrica da residencia de consumo insignificante, a mobilidade, e a relativa quantidade de emissões disponíveis, a bem da verdade tanto em FM como em OM (o popular AM) – não vou entrar no mérito da qualidade da programação, pois isso é tema polêmico para outra discussão – fazem do popular rádio algo tão comum que por diversas vezes é até negligenciado tal sua integração com as demais facilidades domésticas disponíveis.

Mesmo o avanço da televisão, especialmente quanto a sua penetração e ao desenvolvimento tecnológico recente de melhor resolução de imagem e cada vez mais a facilidade de se adquirir modelos de plasma ou LCD ao invés dos tradicionais tubos de imagens, além é claro, do crescimento vertiginoso de meios de transmissão a cabo, satélite e MMDS nas grandes cidades, não irá substituir o rádio na sua essência.

É pouco provável que em um evento esportivo como um jogo de futebol, ou um passeio no parque ou em um clube, alguém irá levar sua TV de LCD de 42 polegadas consigo para acompanhar a transmissão ou ouvir as notícias que lhe interessam !

Mas voltando a realidade, e até explorando a questão das TVs a cabo, cujo conteúdo também é extremamente controverso, tal qual a qualidade atual da programação disponível nas emissoras de rádio OM (AM) e FM, observamos que as informações são padronizadas e extremamente polarizadas, dependendo diretamente dos interesses do capital e secundáriamente dos governos que as subsidiam.

Não precisa ir muito longe, basta ver como foi a cobertura da imprensa local, especialmente a Televisão durante a vergonhosa primeira Guerra do Golfo em 2001.

E o meio de comunicação que mais se destacou na cobertura séria e isenta destes lamentáveis eventos, foi nada mais nada menos do que o rádio, e em particular a Rádio Difusão Portuguesa Internacional, que foi reconhecida como uma das mais valiosas e ativas na cobertura destes eventos inomináveis e dos interesses que os cercavam.

Por isso, mesmo com toda a tecnologia disponível, com a sensacional e irreversível crescimento da Internet, o rádio ainda tem seu espaço garantido por muitas décadas.

E mais uma vez, alertando para a “qualidade” do que se ouve nas faixas de OM e FM, não precisamos nem falar sobre a televisão aberta, as ondas curtas tradicionais, ainda tem sua importância em nosso mundo atual.

Tanto, que para driblar todo o ruído elétrico produzido pelos modernos aparelhos de TV de alta resolução, de plasma, LCD, pelas lampadas fluorescentes e eletrônicas de origem e qualidade duvidosas que inundam nossos lares, pela baixa qualidade da manutenção da rede elétrica provida pelas distribuidoras de energia, como regra geral, privatizadas e visando o lucro a qualquer preço, vale de tudo para melhorarmos nossa capacidade de receber sinais de rádio, especialmente os mais distantes, para estarmos mais próximos as eventuais fontes de informação mais isentas, ou pelo menos, que apresentem outros pontos de vista.

Assim, recorremos a antenas das mais variadas formas e aplicações para podermos sintonizar ondas curtas no meio desta selvageria moderna de Rádio Frequência que gera ruídos terríveis para quem deseja tanto ouvir noticiário de sua emissora de OM predileta quanto quem deseja sintonizar emissoras de outros continentes.

Um das soluções de baixo custo e que se pode tentar utilizar em uma casa por exemplo, que tenha restrição de espaço, é uma antena vertical fixada adequadamente fixada em um muro de forma a ficar acima das mais intensas fontes de ruído elétrico. Neste caso, utilizei uma antena vertical própria para utilização em rádios PX – a famosa faixa do cidadão – instalada em um mastro apropriado. O valor gasto final girou em torno de 200 reais, porém, apesar de ainda captar muitos ruídos, e especialmente de forma irregular em qualquer horário do dia ou da noite, possibilita receber sinais com mais intensidade especialmente nas ondas curtas a partir da faixa de 49 metros.

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Antena vertical de 5/8 de onda de 27MHz – 6,8 metros de altura

Este tipo de antena é apropriada para acoplar através de cabo coaxial comum diretamente à entrada de um rádio que tenha entrada de baixa impedância, normalmente os rádios denominados “de mesa”, ou receptores de comunicações como o ICOM R75 e equipamentos de radioamadores. Para rádios portáteis, pode-se utilizar acopladores para permitir transferir o sinal da antena vertical a entrada deste.

A próxima saga será descobrir de onde vem a fonte de ruídos elétricos que a atormenta de forma a tornar a recepção de sinais fracos possível. Mas isso será assunto para outro dia !



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Ouça o idioma de Camões vindo do outro lado do Atlantico e receba um cartão QSL

A Rádio Difusão Portuguesa Internacional transmite para todo o planeta através das ondas curtas do rádio, e além de uma fonte de informações de extrema valia, oferece entretenimento, cultura e também a oportunidade de nos encontrarmos com a origem de nosso idioma.

A RDP é uma emissora estatal, integrada a RTP – Rádio Televisão Portuguesa – que está presente em diversas mídias, como satélite, emissoras de rádio FM e ondas curtas.

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Os sinais da RTP chegam muito bem aqui no Brasil, e podem ser captados com muita facilidade através de um rádio comum de ondas curtas. Pode-se enviar mensagens para a emissora de forma a proceder intercambio cultural ou simplesmente enviar um informe de recepção através do website da emissora, que este será recompensado com um bonito cartão QSL.

A sigla QSL é parte integrante do Código Q internacional de comunicações, utilizado em todo o mundo nas comunicações de rádio, não só em atividades governamentais, mas também de navegação aeronáutica, navegação maritima, radio amadorismo e todo o mais.

O código QSL significa confirmação, então, ao se inviar um Informe de Recepção a uma emissora, esta ao confirmar as informações enviadas, irá confirmar o informe, e normalmente responderá através de um cartão QSL.

Nas emissoras internacionais, como regra geral esta prática ocorre desde os primórdios da radio difusão, e além de auxiliar no desenvolvimento dos sistemas de transmissão ( equipamentos transmissores e sistemas de áudio e antenas ), possibilitava conhecer o alcançe das emissões e a qualidade da recepção pelos ouvintes.

Acompanhe a programação da Rádio Difusão Portuguesa Internacional transmitindo direto de Lisboa no idioma de Camões, e acesse a página na Internet com o formulário próprio para enviar o Informe de Recepção.

http://tv.rtp.pt/canais-radio/rdpi/rescuta.php?canal=5

Se desejar mais informações sobre como preencher o formulário de Informe de Recepção, acesse a página https://www.sarmento.eng.br que apresenta na seção “Guia de Navegação no Rádio” informações relevantes a prática da radioescuta descrevendo em particular como escrever o informe adequadamente.



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Caça á emissoras internacionais em Ondas Médias na Praia de Jaconé, Rio de Janeiro

Um dos aspectos mais interessantes da atividade de se ouvir rádio, é e sempre será a união entre lazer, natureza e encontro com amigos. Imagine a cena em pleno verão carioca, com crianças brincando na areia da praia, surfistas pegando ondas, e nós, praticantes deste hobby da radioescuta pegando ondas também, só que de rádio frequência !

Em um local agradável, com relativa segurança, até porque os grandes centros urbanos estão sitiados por violências de todos os tipos, poder estender um fio, acoplar no rádio, e ao mesmo tempo que observamos a paisagem, o Sol, a Lua, o mar, enfim, podemos fazer experiencias com as ondas herzianas.

Eu e meu amigo Rocco Cotroneo, que é especialista em sintonizar emissoras de ondas médias transoceânicas, ou seja, de outros continentes, fomos a praia de Jaconé ao fim da tarde fazer algumas tentativas no sentido de observar como são as condições de sintoniza de sinais de rádio em ondas médias.

Lançamos dois fios bem esticados de 200 metros ao longo da areia, e dentro do carro, acoplamos as antenas nos receptores Eton E1 e Sony 2010.

No Sony 2010, que possui antena interna de ferrite para ondas médias, utilizei um acoplador indutivo montado pelo Waldemar Scaquetti, que não só transfere o sinal de ondas médias da antena longwire, como também atua como um pré-seletor para a frequência desejada, o que melhora muito as condições de recepção dos sinais.

Os resultados não foram animadores, em função de forte ruído elétrico, pois a rede de alta tensão estava próxima da areia da praia, e ao longo desta, o que tornou nossas antenas muito ruidosas, devido ao caminho paralelo que tivem que utilizar.

Algumas portadoras fortes, como em 1503 Khz, que seria Taiwan, porém, com áudio ilegível coberto pelo ruído elétrico. Afora algumas emissoras captadas do sul do Brasil e do Nordeste, não conseguimos registrar emissoras de outros continentes.

No horário compreendido entre o por do Sol e aproximadamente 45 minutos após, normalmente abre-se uma janela de propagação ionosférica, que permite a sintonia de emissoras transoceanicas com boa qualidade de sinal, porém, mesmo nesta janela, somente a mãe Natureza, ou melhor, um de seus filhos que é a propagação das ondas de rádio, é que pode determinar o que será captado.

De qualquer forma um passeio muito agradável pela orla do Rio, mais algumas lições aprendidas sobre a atividade da radioescuta e DX.

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Eu e o Rocco ao lodo do posto de escuta

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O Rocco dentro do carro realizando a sintonia de ondas médias

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Agora na areia da praia, próximo a água, buscando menor ruído elétrico

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Transferidor de sinais de ondas médias, acoplado indutivamente ao receptor Sony, próximo a bobina interna de ferrite

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Detalhe da antena de 200 metros de comprimento, conectada no transferidor de ondas medias, em utilização com o rádio Sony 2010

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Vista da praia de Jaconé, tendo ao seu término a cidade de Saquarema

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Vista do início da praia de Jaconé, em Ponta Negra, repare como se parece um gigante adormecido observando o mar à sua frente



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Encontros de confraternização e prática do hobby da radioescuta

Uma das formas mais interessantes de se aprender sobre o hobby é participar de encontros com amigos para trocar idéias, e se confraternizar. O rádio não só é um importante meio de comunicação atualmente, como também tem a característica de agregar pessoas para discutir sobre seus aspectos técnicos e muito importante também, sociais.

Através deste hobby, e com uma ajuda da internet, que facilita a troca de informações através de listas de discussão organizadas para este fim, é possível organizar encontros e agregar muitos aficionados pelo rádio.

Tradicionalmente ocorre em Lorena, São Paulo, uma cidade próxima a Aparecida, um encontro organizado pelo Dx Clube do Brasil dedicado a reunir praticantes do hobby, e acima de tudo velhos amigos onde em um clima de confraternização, reune-se inclusive famílias, que participam das atividades.

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Futuro radioescuta Arthur Campos com o amigo e conselheiro Wilson Rodrigues de Minas Gerais



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O rádio nos momentos de lazer

Um dos maiores ofensores a prática da sintonia de emissoras de ondas curtas – além do declínio das transmissões provocados pelos cortes de orçamento governamentais – é o ruido elétrico produzido em quantidade cada vez maior nas grandes cidades. Lâmpadas fluorescentes, torres de alta tensão, grande proliferação de aparelhos eletrônicos de todos os tipos, como televisores, computadores, enfim, uma plêiade de fontes de interferências que não só são transportadas pela rede elétrica, mas também são irradiadas ao éter e agridem a recepção de sinais de rádio, notadamenta as faixas de ondas médias e ondas tropicais e curtas.

Uma forma de se buscar melhores condições de recepção, é aproveitar as oportunidades em locais afastados dos grandes centros, tais como praias, campo, lagos, fazendas, enfim, locais menos afetados por tais perturbações artificiais.

Em ocasiões com viagens para o campo, ou até em locais urbanos porém, com mais áreas verdes e com condições de acesso – driblando a atual onda de violência urbana exarcebada nos grandes centros, em especial no Rio de Janeirp – temos a chance de esticar um fio em alguma árvore e conectar a um rádio portátil, e de posse de um fone de ouvido, captar muitas emissoras interessantes, que até então estavam cobertas pelo ruído elétrico.

Para exemplificar, em um período de estadia no Hotel Fazenda Cascatinha, em Mendes, no interior do Estado do Rio, com um rádio portátil Sony ICF-SW7600GR e um fio de 12 metros esticado em uma árvore, pude captar emissoras muito distantes, em diversos continentes com bastante clareza na recepção.

África, Europa, Ásia, América do Sul e Norte, foram alguns continentes sintonizados, inclusive com a inusitada recepção de duas estações de números, a qual são atribuídas a agências de espionagem de alguns países.

Abaixo, fotos do hotel-fazenda, ilustrando como podemos conciliar o descanso merecido, o contato com a natureza, e a prática do hobby da radioescuta com toda a tranquilidade e qualidade na recepção dos sinais, e com todo o espaço do mundo, para se estender antenas e em qualquer direção.

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Visão parcial do Hotel Fazenda Cascatinha a partir de uma montanha dentro da propriedade

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Rádio e antena para ondas médias no apartamento do hotel

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Vista parcial do apartamento do hotel, para o lado do rio que origina a “cascatinha”

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De baixo de uma árvore ao lado das minhas Calopsitas lendo os registros das emissoras captadas

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Vista parcial do lago tendo as colinas à volta e diversas tirolezas de várias formas



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