Novo receptor de onda curtas

Parece que o mercado de ondas curtas ainda não dá sinais de que irá se desmanchar. Se observarmos o que acontece na China, poderemos observar que o rádio ainda é um poderoso e importante meio de comunicação, não só dentro deste país continental, como em todo o globo.

Que o digam os fabricantes chineses, como a Tecsun, Degen e agora a Anjan, que investem muito em pesquisa e desenvolvimento, e lançam receptores cada vez mais avançados.

O Anjan DTS 09 é o mais novo modelo de receptor de banda mundial à disposição de radioescutas do mundo inteiro.

Novo receptor de ondas curtas
Novo receptor de ondas curtas digital

Voce pode adquirir este modelo e outros mais de ótima qualidade no primeiro e maior shopping de rádios voltado aos aficcionados pelo hobby, mantido por Renato Uliana.

Amantes do Radio



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Hora UTC – Universal Coordinated Time

Hora Universal Coordenada

Hoje neste espaço, iremos falar um pouco mais sobre a hora UTC, que é um aspecto muito importante não só para a sintonia e para a correspondência com as emissoras de ondas curtas, mas que também é utilizado no mundo inteiro na navegação aérea e marítima.

A programação das emissoras internacionais utilizam um único horário, chamado Hora Mundial.

Antes de falarmos do histórico da hora mundial, vamos que considerar, que o radio de ondas curtas é global, com emissoras transmitindo durante 24 horas virtualmente a partir de todas as zonas de horários.

Considerando o dia solar de 24 horas e assim, transpondo este período de tempo para o espaço terrestre e sabendo que a terra tem a forma aproximada de uma circunferência e como a circunferência pode ser dividida em 360 graus, dividindo estes 360 graus pelas 24 horas do dia solar, temos que a cada 15 graus de espaço da circunferência terrestre temos a variação de uma hora.

Por exemplo, sabemos que o Japão está exatamente do lado inverso ao Brasil, ou seja á meia circunferência da terra que equivale a 180 graus. Deste modo, se dividirmos os 180 graus pelos 15 graus referentes a cada hora de tempo, teremos uma diferença de 180 dividido por 15 igual a 12 horas. Como se pode observar é exatamente esta a diferença de horário entre o Brasília e Tókio. Quando aqui é meio dia lá é meia noite e assim sucessivamente o que astronomicamente equivale a concluir que quando o “lado brasileiro da terra” está sendo iluminado diretamente pelo Sol (dia), o “lado Japonês” está totalmente na ausência do Sol (noite).

É possível imaginar o caos se cada estação usasse sua própria hora local para agendamento de sua programação. Na Inglaterra, 09:00 horas da noite é diferente de nove da tarde no Japão ou Canadá. Como todos poderia saber quando sintonizar ?

Com a utilização desta padronização de medida do tempo em relação ao espaço, tornou-se possível sincronizar os eventos realizados em diferentes pontos do globo terrestre. Desta maneira, uma transmissão de uma emissora Inglesa, que se inicie às 20 horas de Londres, poderá ser captada por um ouvinte do Brasil, que irá fazer a sintonia às 23 horas de Brasília, pois existe uma diferença de 3 horas entre estes dois pontos que estão entre si a uma distância de 3 meridianos de 15 graus.

Hora Mundial, ou Tempo Coordenado Universal ( UTC – Universal Coordinated Time ), é também conhecido com Hora Média de Greenwich ( GMT – Greenwich Mean Time ) ou, no jargão militar, hora “Zulu”. É anunciado no formato 24 horas, logo, 02:00 da tarde é naturalmente 14:00 horas.

A hora UTC, como podemos observar, é a hora de referencia do Meridiano de Greenwich, que cruza o Reino Unido, onde em especial, localiza-se um famoso observatório – The Royal Observatory, localizado no Greenwich Park – existente desde 1884. Esta é portanto, a referencia de horário utilizado no mundo inteiro. Observe na figura abaixo, o meridiano 0 grau, e a diferença em graus dos diversos fusos horários em relação ao Meridiano de Greewich.

Até o ano de 1884, não existia uma padronização mundial única deste sincronismo de horário entre as diversas nações do planeta e deste modo naquela época se considerava somente a hora local do país sem relacionar a posição deste país na terra e por conseguinte a variação que este horário apresenta dentro do Dia Solar. Deste modo não existia uma correlação entre os horários nacionais. Vou fazer uma analogia: Se no Japão ocorresse um evento às oito horas da manhã, uma pessoa do Brasil, informada do mesmo faria a ideia mental do horário do acontecimento em relação ao dia solar no Brasil e assim não faria ideia que na realidade aquilo estaria ocorrendo às oito horas da noite para nós.

Em outubro de 1984, as 25 maiores nações do globo, na época, se reuniram em Washington-DC, e fizeram uma conferência mundial sobre esta padronização necessária do tempo e nesta reunião foram determinados e aceitos sete parâmetros, sendo eles :

1 – Deveria ser adotado um único meridiano como ponto zero de referência de horário por todos os países do globo terrestre.
2 – Este meridiano deveria ser o que passava exatamente sobre o Observatório de Greenwich, em Londres, na Inglaterra, que passaria a ser considerado o meridiano de referência.
3 – Os cálculos de latitude seriam feitos sempre considerando o lado leste e o lado oeste deste meridiano, até 180 graus do mesmo.
4 – Todos os países do Globo deveriam adotar este Dia Universal.
5 – O Dia Universal se iniciaria à meia Noite em Greenwich e seria mensurado de acordo com as 24 horas do Dia Solar.
6 – Todos as utilizações náuticas e Astronômicas passariam a ter este Dia Universal como referência.
7 – Seria adotado o sistema métrico decimal como referência de mensuração para tempo e espaço.

Algumas referencias podem ser utilizadas na determinação da hora UTC : a primeira, naturalmente é a posição geográfica em relação ao fuso horário do Meridiano de Greenwich. No Brasil, na ausência de horário de verão, a diferença é de 3 horas a menos em relação à hora UTC. Quando no Brasil – horário oficial de Brasília – são 21:00, a hora UTC é 00:00 h.

Também, existem endereços na Internet especializados em fornecer a hora UTC que se baseiam em precisos relógios atômicos, que fornecem não só a hora UTC, mas auxilia na determinação dos horários locais de diversas regiões e países do mundo, além de mostrar no globo terrestre o amanhecer e entardecer de todo o mundo.

Outra forma de se determinar o horário UTC, é sintonizar alguma emissora internacional, e ouvir seu anuncio de horário,que por definição é informada a hora mundial.

Uma outra alternativa, é sintonizar as emissoras que transmitem a hora UTC, além de importantes informações sobre índices que definem as condições de propagação das ondas curtas.

O National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) – órgão federal dos Eua – utilizam as estações WWV e WWVH para transmitir a informações de utilidade pública como a hora exata e mensagens de alerta geofísicas que provem informações a respeito das condições solares terrestres entre outras informações..

As estações de hora mais famosas, são exatamente a WWV e WWVH que estão ativas em 2500, 5000, 10000, 15000 e 20000 kHz. São mantidas pela Marinha dos Eua, e operam 24 horas por dia nos 7 dias da semana, transmitindo a hora exata e informações regularmente para milhões de ouvintes ao redor do mundo.

A estação WWV em particular está localizada em Fort Collins, Colorado, aproximadamente 100 km ao norte de Denver nos EUA. As informações transmitidas incluem anuncio da hora UTC, intervalos de tempo padrão, freqüências padronizadas, correções na hora UTC, alertas geofísicos, alertas de tempestades marítimas, e finalmente, relatos do estado do sistema GPS ( Global Positioning System ).

As estações estão sincronizadas com um relógio atômico, e emitem o sinal de horário e a cada minuto informam a hora UTC. Também, a cada 18 minutos, informam um boletim composto de principais índices relativos a atividade solar, tempestades magnéticas e outros, que possibilitam monitoram as condições de propagação das ondas curtas.

Vale a pena tentar sintonizar estas emissoras aqui no Brasil, pois seus sinais são recebidos com relativa facilidade, e assim, alem de obtermos a hora exata, temos também uma boa referencia das condições de escuta para as diversas faixas de ondas curtas.


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As estações do ano e sua relação com as ondas de rádio

Nas Ondas Curtas da Guarujá Paulista

Por Sarmento Campos

A propagação das ondas de rádio se relaciona com as estações do ano

Hoje vamos falar sobre um dos aspectos mais críticos a recepção de sinais de rádio, que é a propagação das ondas de rádio e a sua relação com as estações do ano.

Em encontros anteriores falamos que em ultima instancia, é o Sol, o principal astro de nosso sistema solar, que é o responsável pelo que podemos ouvir e quando podemos.

E estamos saindo do mês de julho em pleno inverno no hemisfério sul de nosso planeta Terra, o que nos traz algumas possibilidades de escutas bem interessantes não só em ondas curtas, como também em ondas médias, também conhecido popularmente como AM.

Ao contrário do que chegam a afirmar alguns livros, o inverno que é associado as temperaturas mais baixas, não é devido ao nosso planeta Terra estar mais longe do SOL, o que por sua vez implicaria que no verão a Terra estivesse mais próxima do SOL

Imagine a mesa a sua frente, e que no centro desta, está o SOL brilhando com toda sua imponência. E em ponto próximo do SOL, está o nosso planeta Terra girando ao redor do SOL, em um processo denominado de revolução ou translação.

Ou seja, em um intervalo de um ano, o nosso planeta completa uma volta ao redor do SOL, em uma órbita denominada elíptica, que na realidade, podemos enxergar como um circulo quase perfeito, porém, com um leve achatamento. No caso da órbita do planeta terra, este achatamento é em torno de 3 graus, o que significa que a distancia entre a Terra e o SOL varia muito pouco durante uma revolução, ou seja um ano.

Logo, podemos já imaginar que não é devido ao afastamento da Terra em relação ao SOL que ocorre o inverno.

Mas voce deve estar se perguntando, o que esta questão de astronomia tem haver com o rádio de ondas curtas e a recepção das emissoras que estão nesta faixa ?

Já chegaremos lá, pois este é um dos aspectos bem interessantes da propagação das ondas de rádio e que necessariamente precisamos conhecer como veremos a seguir.

Pois bem, voltando a nossa mesa que está a nossa frente, tendo o SOL no centro e o planeta Terra em algum ponto em seu movimento de translação ao redor do SOL, em cima da mesa, existe a explicação para a existência da alternância das estações do ano, em especial quanto ao inverno e verão para simplificarmos nosso exemplo.

A Terra ao girar ao redor do SOL segue o mesmo plano imaginário da nossa mesa, porém, nosso planeta é inclinado em seu próprio eixo em torno de 23 graus, logo, no nosso exemplo da mesa, a Terra durante uma volta ao redor do SOL irá passar por quatro pontos bem distintos onde os ângulo de incidência dos raios de SOL na Terra serão diferentes, o que forma as quatro distintas estações do ano.

A inclinação dos planetas do Sistema Solar
A inclinação dos planetas do Sistema Solar

Assim, o que faz o verão ou o inverno na realidade, é justamente a inclinação da incidência dos rádios solares em nosso planeta.

Imagine que em determinado momento o hemisfério Norte está o mais perpendicular possível em relação ao SOL, assim, quando os raios atingem a superfície da Terra no menor ângulo possível, irá aquecer mais a superfície da Terra, causando assim mais calor.

E ao mesmo tempo, o hemisfério SUL, estará mais inclinado em relação o SOL, diminuindo o ângulo de incidência dos raios solares na superfície da Terra, o que diminui a temperatura gerada na superfície, causando assim o inverno.

Experimente acender uma lâmpada bem potente em um abajur fixo na sua mesa, apontando exatamente de cima para baixo na superfície da mesa, por alguns instantes, a uma determinada altura . Observe como a mesa naquele ponto que está concentrado a luz da lâmpada irá se aquecer. Agora, mantendo a mesma altura da lâmpada no abajur, experimente inclinar a lâmpada, digamos uns 45 graus, de forma a iluminar não só um pequeno ponto mas iluminar uma grande parte da mesa. Você irá perceber que a mesa não esquenta tanto.

Este é o principio das nossas quatro estações do ano.

As Estações do Ano

* Na posição 1 estamos a 21 Dezembro, no solstício de Inverno, e nesta data o hemisfério Norte tem o dia de menor exposição solar e o hemisfério Sul o seu dia mais longo. Como mostra a figura, nesta altura do ano, o hemisfério Sul, no seu Verão, recebe a luz do Sol mais directamente do que o hemisfério Norte. Este por outro lado, no seu Inverno, recebe os raios solares com uma maior inclinação média relativamente à superfície da Terra.

* À medida que avançamos no ano, passamos pela posição 2, o equinócio da Primavera, a 20 de Março. Nesse dia o dia e a noite têm exactamente a mesma duração.

* Na posição 3, estamos a 21 de Junho, no solstício de Verão, e repare-se como agora é o hemisfério Norte que recebe a radiação solar mais directamente e tem o dia mais longo do ano. Nesta posição é Inverno no hemisfério Sul e Verão no hemisfério Norte.

* Por último na posição 4 estamos a 22 de Setembro (ou 21, se o ano for bissexto), no equinócio do Outono, onde o dia e a noite tornam a ter a mesma duração.

E finalmente, isto gera um fenômeno bem interessante, alias, vários fenômenos que afetam a propagação das ondas do rádio diretamente.

Como no inverno os dias duram menos do que a noite, o SOL não carrega a tanto a ionosfera, que é a camada eletricamente carregada que está acima da atmosfera e que é responsáveis por hora absorver as ondas de rádio limitando o alcance das ondas de radio e hora refletindo as ondas, permitindo um alcance muito maior.

Assim no inverno, a ionosfera recebe menos raios solares, fica menos carregada eletricamente, e absorve menos as ondas do rádio, permitindo que as ondas de rádio sejam refletidas na ionosfera atingindo assim longas distancias. E isto acontece exatamente para as freqüências mais baixas das ondas curtas, ou seja, no inverno, recebemos melhor as freqüências abaixo de 9.500 khz, que é a faixa de 31 metros, passando pelos 49 metros, que é em torno de 6000 kHz até as ondas médias.

Por sua vez, as freqüências mais altas, como por exemplo a faixa de 13 metros, que é em torno de 21500 kHz, que necessitam de forte ionização da ionosfera para se propagarem, se tornam muito difíceis de atingir longas distancias.

É comum nesta época do ano, recebermos sinais das emissoras de ondas curtas que operam nas ondas tropicais dos estados do Nordeste e norte do Brasil, e o contrário é verdadeiro, como demonstram os relatos de radioescutas através de suas publicações de seus informes de recepção, divulgados nas listas de discussão do Yahoo radioescutas@yahoogrupos.com.br. Para participar deste fórum sobre rádio que é o maior em nosso idioma, envie um email para : radioescutas-subscribe@yahoogrupos.com.br

E por sua vez, no hemisfério Norte que agora é verão, a propagação é bem diferente, ou seja, como regra a titulo de comparação, as melhoras freqüências para a longa distancia são as mais altas, e não as mais baixas.

Existem muitos outros aspectos interessantes sobre propagação das ondas de rádio, que nos possibilitam realizar a prática do DX, que é a sintonia de emissoras distantes e desconhecidas. Assim, sabendo em que época do ano nós estamos, quais as faixas de freqüências mais propicias a recebermos sinais de longa distancia, sabendo também quais são as horas do dia, tanto no amanhecer como no anoitecer onde a noite é mais longa, podemos ouvir estações do outro lado do mundo.

Para fechar com um exemplo de um excelente DX, nosso amigo Celio Romais de Porto Alegre conseguiu sintonizar em Porto Alegre bem cedo, próximo ao amanhecer, emissoras em ondas tropicais de Papua Nova Guiné na Oceania e do Japão, que é do outro lado do mundo.

E durante o encontro Brasil DX 2004, após o anoitecer, foi possível ouvir diversas emissoras do extremos norte do Brasil, assim como diversas emissoras internacionais, inclusive da Europa, em ondas médias.

Por isso, a dica é : fique atento ao seu rádio, pois conhecendo um pouco sobre esta ciência tão interessante que é a propagação, você poderá escutar emissoras bem distantes que provavelmente só daqui a um ano você conseguirá sintonizar de novo.

Bem, este era o nosso tema de hoje, aguardamos seus comentários e sugestões.


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Internet : Produto da Guerra Fria

A rede mundial de computadores Internet na realidade é um sub-produto da Guerra Fria. Para quem não se lembra, foi o período mais negro da humanidade de onde se tem notícia onde foram produzidas tais quantidades de armas nucleares que são capazes de dizimar a vida em nosso planeta em milhares de vezes.

Nem na Idade Média, ou Idade das Trevas, apesar de todo o atraso cultural e social, e a barbárie mantida pela Igreja para oprimir o desenvolvimento de indivíduos e sociedades, foram criadas teorias e fórmulas para destruir a raça humana, até porque a tecnologia para tal ainda nem existia …

A Internet tecnologicamente é um avanço considerável e sua utilização é irreversível em nossa sociedade, e representa novos e grandes desafios para a sociedade como um todo. A disseminação da Internet e suas facilidades vem de forma inequívoca causando transformações na forma com que nos comunicamos, pois através das telecomunicações, e de toda uma gama de programas de computador, em poucos instantes – até em tempo real – nos relacionamos com pessoas (além de relações de negócios obviamente) de outros continentes, quebrando barreiras geográficas e culturais.

É incrível saber que a Internet se origina de uma rede chamada ARPANET criada pelo Departamento de Defesa dos EUA (DoD) como forma de permitir a comunicação entre unidades militares e posteriormente universidades, de forma a sobreviver – melhor dizendo, continuar a funcionar – mesmo após um ataque nuclear da até então demoníaca União Soviética.

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Clique para acessar um resumo da história da Internet publicada na Wikipédia

A necessidade de criação de mecanismos de comunicação entre órgãos militares mesmo em condições de interrupção dos meios de comunicação, levou ao desenvolvimento do protocolo de comunicação denominado TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol).

A lógica da rede ARPANET era encontrar caminhos alternativos entre as localidades conectadas, mesmo que determinada localidade fosse devastada por ogivas nucleares, de tal forma, que de forma dinâmica, a rede se reconfigurasse para encontrar outras rotas de comunicação e ainda assim, permitir a troca de informações entre os pontos da rede que não haviam sido afetados pelos ataques nucleares.

E como na nossa atual civilização toda a criação tecnológica gira em torno da indústria da guerra prioritariamente; secundariamente para obtenção de lucro e finalmente, a partir dos desdobramentos da tecnologia, para o desenvolvimento e bem estar social.

Se observarmos bem, a rádio difusão internacional começou a ser desenvolvida com grande velocidade no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial e atingiu seu auge de abrangência justamente na Guerra Fria.

E observamos que o declínio da rádio difusão internacional se acentuou com a criação da WWW World Wide Web nos idos de 1990 com suas novas tecnologias de apresentação de informações, a integração de novas mídias, como áudio e vídeo, e até a transmissão de streams de áudio e vídeo em tempo real.

Os arautos do apocalipse, ao menor sinal de declínio de uma tecnologia na presença de outra mais nova, bradaram alto que o rádio estava obsoleto e condenado a desaparecer, e que a Internet iria substituí-lo rapidamente.

E o que podemos observar é o rádio não morreu, e nem a Internet dominou o planeta, o que se observa é que são mídias que podem se complementar e evoluir em conjunto. Alguns novos sistemas de rádio digital procuram oferecer maior qualidade de áudio do que o tradicional AM e inclusive FM, assim como as novas tecnologias de telecomunicações e aumento do poder computacional permitem a criação de novos programas e sistemas, como a utilização de comunicação por voz e vídeo com outras pessoas, de certa forma até substituindo com muitas vantagens a telefonia pública convencional.

Apesar dos pesares, uma parte significativa da humanidade – algo em torno de 30% – não tem sequer acesso a energia elétrica, quanto mais a computadores e a rede mundial Internet. Em grandes regiões geográficas, somente o rádio alcança, pois as ondas de rádio são fáceis de se produzir e se captar, e a um custo muito baixo. Por isso, decretar o fim do rádio não é algo viável nem factível ainda por algumas décadas, quiçá nunca.

Por outro lado, tecnologias como VoIP (Voz sobre IP) e Vídeo em tempo real permitem encurtar distâncias, aproximar não só empresas globalizadas em suas trocas comerciais, mas também, oferece um leque impressionante de novas aplicações, que podem ser extremamente úteis por exemplo à medicina, não só através de intercâmbio de conhecimento, como aplicada ao diagnóstico de doenças e até possibilitar a monitoração de cirurgias de pacientes teoricamente em qualquer lugar do mundo.

Enfim, o rádio e a Internet ainda tem um longo período pela frente para se desenvolverem e se complementarem.



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Rádio China Internacional Transmitindo em Português para o Brasil

O Rádio é Cultura, Informação, Entretenimento e Integração entre os Povos

Vamos falar de um país de cultura milenar, que atualmente, representa grandes desafios para o mundo, devido a seu tamanho e potencia econômica em ritmo de grande crescimento.

Estamos falando da China, que é um país o qual sua historia remonta a mais de 4 mil anos de idade.

Radio China Internacional - Redação Protuguesa

Com uma população estimada em 1 bilhão e 300 milhões de habitantes, a nação mais populosa e extensa em território do planeta, a China apresenta grandes variações climáticas. No oeste fica a cordilheira do Himalaia. No leste predominam planícies, utilizadas para a agricultura. As diferenças de altitude garantem enorme potencial hidrelétrico.

Com uma cultura milenar, o país é berço do confucionismo, do taoísmo e de vertentes do budismo.

A civilização chinesa surgiu por volta do ano 2000 antes de Cristo nas margens do rio Yang-tsé – conhecido como Rio Azu. Tornou-se um vasto império no século II a.C., época em que se iniciou a construção da Grande Muralha, que é uma das maravilhas da engenharia.

Após ter se fechado para o mundo, começou a manter contato com o Ocidente apenas depois do século 13 da nossa época, por intermédio de mercadores, como o veneziano Marco Pólo. Já no século 16, chegaram os portugueses, que fundaram Macau.

A partir do século 19 a influência ocidental causou grande impacto sobre o Império Chinês. Em 1820, os britânicos obtiveram exclusividade de comércio no porto de Cantão. Os interesses comerciais da época, opuseram a China e Reino Unido e os levaram às duas Guerras do Ópio em 1839 a 1842 e em 1856 a 1860.

Vitoriosos, os britânicos garantiram o monopólio do comércio da droga, e a abertura de cinco portos chineses ao Ocidente e também a posse de Hong Kong.

Em 1844, os Estados Unidos e a França conquistaram privilégios comerciais. A Rússia ocupou em 1858, territórios no norte.

Em 1885, a China cedeu o então Anã – atual Vietnã – à França e, dez anos depois, perdeu a península da Coréia e Taiwan – a Ilha de Formosa – para o Japão.

A submissão da dinastia Manchu à intervenção externa provocou, entre 1898 e 1900, a Guerra dos Boxers, que foi uma revolta dos nacionalistas contra estrangeiros e missionários cristãos. A rebelião foi sufocada com a ajuda de tropas ocidentais e japonesas.

Continuando por sua história até os dias de grande potencia de hoje, em em 1908, o médico Sun Yat-sen fundou o Partido Nacionalista – chamado Kuomintang – em oposição à monarquia e à hegemonia estrangeira. Apoiado por militares, foi proclamado presidente provisório em 1911, mas a república não conseguiu se estabelecer em todo o país, que entrou em longo período de guerra civil.

A morte de Sun Yat-sen, em 1925, provocou a luta pelo poder no Kuomintang. A facção vitoriosa, liderada por Chiang Kai-shek, uniu-se ao Partido Comunista Chinês (PCCh) – fundado em 1921 – contra os senhores feudais do norte do país. A aliança durou até 1927, quando uma insurreição operária em Xangai foi reprimida com violência pelo Kuomintang.

Os comunistas, então liderados por Mao Tsé-tung, foram colocados na clandestinidade.

Debilitada, a China não resistiu ao Japão, que, em 1931, invadiu a Manchúria. Para escapar ao cerco do Kuomintang, 90 mil comunistas, liderados por Mao, deslocaram-se 9 mil quilômetros rumo ao norte.

Este evento é conhecido como a Grande Marcha que ocorreu em 1934, que deu prestígio e dimensão quase mítica aos comunistas.

Com a rendição do Japão, no fim da II Guerra Mundial, recomeçaram os combates entre comunistas e nacionalistas. Em outubro de 1949, os comunistas proclamaram a República Popular da China, com Mao Tsé-tung como dirigente supremo.

Chiang Kai-shek fugiu para Taiwan , onde instalou a República da China. A China continental foi reorganizada nos moldes comunistas, com coletivização das terras, nacionalização das empresas estrangeiras e controle estatal da economia.

Em 1950, a China assinou tratado de amizade com a então União Soviética (URSS). No mesmo ano ocupou e anexou o Tibet.

Após a morte do ditador soviético Josef Stálin, em 1953, Mao enfatizou sua autonomia em relação à URSS. Em 1956 lançou a Campanha das Cem Flores, para estimular críticas da população à burocracia partidária. Quando essas críticas ultrapassam limites considerados toleráveis, o regime reagia com a Campanha Antidireitista.

Milhares de intelectuais foram perseguidos, presos e mortos. Em seguida, Mao lançou outra campanha: o Grande Salto para a Frente no período de 1958 a 1960, que pretendia transformar rapidamente a China em nação desenvolvida e igualitária.

Os camponeses foram obrigados a se juntar em gigantescas comunas agrícolas. Siderúrgicas improvisadas foram instaladas por toda a parte. O “salto” levou à desorganização total da economia e milhares de camponeses morrem de fome.

Após este período, a cúpula do PC afastou Mao da condução dos assuntos internos e outros veteranos da revolução, como Liu Shaoqi e Deng Xiaoping, assumiram as decisões do dia-a-dia.

Porém Mao continuou a chefiar a política externa e cresceram as críticas à URSS, que reagiu e suspendeu a ajuda econômica e militar, em 1960.

Em 1966, Mao lançou uma ofensiva para voltar ao poder: a Grande Revolução Cultural Proletária.

A população – em especial a juventude – foi instigada a se rebelar contra as autoridades, acusadas de burocratização. Cerca de 20 milhões de estudantes formaram as Guardas Vermelhas, que fizeram perseguições em grande escala.

Mas o pacto com as guardas acabou em 1969, quando Mao usou o Exército para liquidar ou seus aliados, agora acusados de extremismo. Aos poucos, a ala reformista do PCCh reconquistou posições e, após a morte de Mao, em 1976, assumiu o poder.

Com Deng Xiaoping à frente do governo, o país adotou a política das Quatro Grandes Modernizações (da indústria, da agricultura, da ciência e tecnologia e das Forças Armadas). Foram criadas Zonas Econômicas Especiais, abertas a investimentos estrangeiros, e incentivou-se a propriedade privada no campo. O modelo propiciou grande crescimento econômico à China a partir de 1978.

A abertura na economia estimulou reivindicações por democracia. Em 1986, Hu Yaobang, secretário-geral do partido desde 1982, foi acusado de “desvios liberais” e substituído por Zhao Ziyang. A morte de Hu, em abril de 1989, desencadeou uma onda de protestos.

Os estudantes exigiram a reintegração póstuma de Hu ao partido. Em maio, centenas de milhares de estudantes fizeram manifestações contra a corrupção e exigiram abertura política. Os jovens reuniram-se na Praça da Paz Celestial, em Pequim, onde estão instalados os principais órgãos do poder.

Em junho, o Exército abriu fogo contra os estudantes. A imprensa estrangeira estima entre 2 mil e 5 mil o número de mortos neste incidente.

Este país de cultura milenar e responsável por descobertas que hoje estão presentes na nossa sociedade, como o papel e a pólvora, entre tantas outras invenções, já teve sucesso em lançar ao espaço uma missão tripulada.

Se você deseja conhecer mais sobre este importante país, que inclusive tem estreitado relações culturais e comerciais com o Brasil, assim como iniciativas no campo do desenvolvimento tecnológico, acompanhe a programação da Rádio Internacional da China.

A Rádio Internacional da China transmite programas em ondas curtas para todo o mundo.

Artesanto Chinês oferecido pela Rádio China Internacional

Artesanato Chinês presenteado pela Rádio China Internacional a seus ouvintes brasileiros

A emissora tem como missão apresentar a China ao mundo e o mundo à China, incrementando a amizade entre os países, promovendo a paz e impulsionando o progresso da humanidade.

A rádio foi fundada no dia 3 de Dezembro de 1941. Atualmente, transmite diariamente 211 horas em 38 línguas estrangeiras e 4 dialetos chineses para todo o mundo.

Com um total de 400 programas fixos, a Radio Internacional da China divulga, em diferentes línguas, notícias nacionais e internacionais, reportagens sobre a política, economia, ciência, educação, saúde, cultura, turismo e esporte.

Com 3 emissões diárias em nosso idioma para o nosso continente, a Radio Internacional da China é facilmente captada aqui no Brasil, nas faixas de 22, 25 e 31 metros, a partir das 19 horas do horário oficial de Brasília.

Com produção de Sarmento Campos, este Momento Cultural foi um breve passeio pela grandiosa história da China.


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Radio Globo AM de Rio de Janeiro e São Paulo são sintonizadas na Escócia

Vejam como os sinais da Rádio Globo AM do Rio de Janeiro (1220 kHz) e São Paulo (1100kHz) podem ser captados em outros continentes. Na Escócia as emissões da Rádio Globo foram captadas mesmo estando a aproximadamente 6.000 KM de distância.

Ou seja, os sinais de rádio freqüência emitidos pelas emissoras comerciais de rádio difusão podem dar a volta ao mundo literalmente, através dos fenômenos conhecidos da natureza como a sua interação com as forças do SOL e do ambiente eletromagnético da Terra.

O hobby de se sintonizar emissoras muito distantes se iniciou nos primórdios do desenvolvimento das telecomunicações há quase 100 anos, se acentuando especialmente quando o telégrafo sem fio estava a ser estudado e implementado para permitir o envio de informações através das ondas de rádio.

E até hoje esta prática estimula pesquisadores e radioescutas do mundo inteiro, que desenvolvem técnicas de antenas, pesquisas sobre propagação das ondas eletromagnéticas, e estudam a respeito do assunto, de forma a desafiar a natureza e suas distâncias.

Neste exemplo, podemos acompanhar o relato da sintonia da Rádio Globo no hemisfério norte por um entusiasta da atividade da radioescuta e DX.

Assim como a Rádio Globo, outras emissoras como a Rádio Tupi do Rio de Janeiro também são sintonizadas na Europa e reportadas na internet, em listas de discussão e boletins de clubes que se dedicam a tal atividade. É impressionante como este hobby é praticado em todos os cantos do globo terrestre por um número muito expressivo de radioescutas.

Mesmo com os novos atrativos oferecidos pela Internet, a mãe natureza ainda tem uma grande legião de seguidores …



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Antena portátil para sintonizar emissoras em Ondas Médias

Uma ótima solução para sintonizar emissoras de Ondas Médias

Antena Loop Magnética – RGP3

Ouvir rádio, saber selecionar uma emissora que apresente conteúdo sério e relevante, por si só é uma arte. Ainda mais no auge da mediocridade reinante que assola a mídia brasileira em geral.

Estar bem informado sobre o que acontece no Brasil e no mundo é um exercício hercúleo que exige grande massa cinzenta para se selecionar o que é relevante, e especialmente, enquadrar as informações levadas ao ar em seu devido contexto.

Mas felizmente existe muito mais ainda à fazer no que tange à prática da sintonia de emissoras, especialmente, as que estão muito longe de nós, as que denominamos emissoras distantes e desconhecidas.

Com um rádio de boa qualidade e uma antena portátil de boa qualidade, como esta que apresentamos aqui, podemos durante o dia captar emissoras de outras cidades e até estados, e durante a noite, sintonizar emissoras inclusive de outros países.

Através da aproximação da antena RGP3 – o nome é formado pelas iniciais de seu desenvolvedor aqui no Brasil, Rene Gustavo Passold – com o receptor de ondas médias, e através de um controle de sintonia, podemos mudar o conceito que temos desta faixa de frequência.

De forma simples e com um pouco de prática, podemos sintonizar emissoras da Argentina e Uruguai por exemplo, e ouvir emissoras na popular faixa de AM, transmitindo partidas de futebol e noticiários e comentários sobre questões regionais.

Desta forma, podemos abrir um horizonte para a pesquisa não só de sinais distantes, como também conhecer um pouco mais de rádio frequência, propagação das ondas de rádio, conhecer um pouco mais sobre os fenômenos da natureza que possibilitam ouvir emissoras realmente muito distantes.

E ainda é possível escrever para as emissoras captadas, e solicitar a confirmação da captação, e de quebra, quem sabe, receber um bonito cartão QSL para coroar a sua sintonia.

Em viagens regionais e internacionais a trabalho, e também a lazer, transportar um receptor digital de boa qualidade e esta antena, poderá lhe proporcionar ótimas surpresas, como sintonizar em Santiago do Chile, a emissora Tupi AM em 1280 Khz transmitindo do Rio de Janeiro, com sinal forte e claro, inundando o nosso idioma nativo dentro do quarto do hotel, tendo a Cordilheira dos Andes como testemunha.

Para mais informações sobre esta antena e como adquiri-la, acesse a página : http://www.amantesdoradio.com.br.



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Entendendo a Propagação Ionosférica – Parte V

Por Renato Dutra Pereira Filho

Perturbações ionosféricas e seus efeitos na propagação das ondas curtas

Um dos desafios em usar um rádio de ondas curtas, tanto como experimentador, comunicador ou ouvinte, é lidar com as contínuas variações nas condições de propagação. Mesmo quando as condições solares estão não perturbadas, a variabilidade da ionosfera é suficiente para causar mudanças nas condições diárias do sinal. Estas mudanças são causadas pelas variações na absorção, mudanças na densidade eletrônica da ionosfera e turbulências na atmosfera superior. No entanto, de tempos em tempos, anormalidades ocorrem na ionosfera que fazem a transmissão e recepção dos sinais de rádio excepcionalmente difíceis, se não impossíveis. Estas anormalidades são chamadas de “perturbações ionosféricas”.

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Representação da Ionosfera segundo informações da NASA

As perturbações ionosféricas são caracterizadas pelo aumento da ionização da camada D, resultando em absorção do sinal de ondas curtas; ou por enfraquecimento ou decomposição da ionização da camada F2, ou ambas as condições.

A fonte primária dessas perturbações ionosféricas é a radiação proveniente de “flares”, literalmente labaredas solares, naquelas regiões ao redor de manchas solares. Por anos foi dito que as perturbações ionosféricas eram única e exclusivamente causadas pelos “flares” solares. Com a moderna tecnologia, no entanto, é sabido que nuvens de partículas de baixa energia não relacionadas com “flares” são emitidas pelo sol.

Estes eventos incluem (1) ventos solares de alta velocidade (HSSWS, high speed solar wind system), os quais emitem correntes de partículas a partir de manchas na coroa solar; (2) ejeções de massa da coroa solar, as quais são “teorizadas” como “flares” que não tem brilho ótico, mas que tem potência suficiente para ejetar partículas de baixa energia, e (3) filamentos “desaparecidos”, correntes gasosas solares mais frias, que desaparecem e são seguidas de perturbações no campo magnético terrestre.

De longe os “flares” solares propiciam os eventos de mais profundo impacto no campo magnético terrestre e na ionosfera. Mas é a sobreposição de todos os fatores acima mencionados que influenciam o dia-a-dia das condições de propagação.

Ocasionalmente, uma região ativa (uma área brilhante ao redor de uma mancha solar) entrará em “erupção”, ocorrendo um “flare” solar. Esse “flare” é uma emanação de plasma em formato de “labareda” na qual o hidrogênio ionizado (prótons) quente é emitido a uma velocidade de 200 km/s juntamente com radiação. Em casos extremos, quando a velocidade alcança 700 km/s, a velocidade de escape do Sol, a nuvem de plasma vai para o espaço interplanetário. Quando isso corre, efeitos drásticos são observados na Terra.

PERTURBAÇÕES RELACIONADAS COM “FLARES” SOLARES (CAUSAS E EFEITOS)

Geralmente, o efeito da perturbação ionosférica nas bandas de HF é enfraquecer os níveis de sinal abruptamente ou gradualmente, às vezes a ponto do sinal (e também o ruído atmosférico) desaparecer completamente. O efeito pode ser bem pronunciado, e quando o ruído é muito reduzido, alguém pode achar que seu receptor está defeituoso. Por outro lado, certas perturbações podem causar variações rápidas, erráticas, fading, ecos ou o efeito de “cabeça no barril”, e um grande aumento no nível de ruído em porções do espectro de HF.

Três tipos de radiação produzidos por “flares” solares afetam a propagação de ondas curtas. Estas são: radiação eletromagnética, radiação cósmica de partículas solares de alta energia, e radiação de partículas de baixa energia.

Cada uma afeta a ionosfera de forma diferente, e todas dificultam o serviço de ondas curtas.

Flares solares e seus “produtos” radioativos

Campos magnéticos muito intensos, cuja freqüência de ocorrência segue a evolução do chamado ciclo solar, surgem entre um par de manchas solares. Estes campos magnéticos permanecem abaixo da superfície solar, mas eles podem tornar-se tão grandes que pode emergir da superfície solar, estendendo-se em grandes círculos de até 35000 milhas acima da superfície solar. À medida que o campo magnético desenvolve-se e torna-se mais e mais complexo, a área ao redor da mancha solar é aquecida. Isto aumenta o nível de radiação solar emitida e aumenta mais ainda a volatilidade do campo magnético. À medida que o par de manchas solares aumenta, maior será o flare produzido. No entanto, a moderna tecnologia não pode predizer exatamente quando um flare ocorrerá ou qual sua magnitude.

Existe uma teoria que determina que grupos de manchas solares tornam-se mais complicadas e suas interações entre seus campos magnéticos aumenta, dois campos de polaridade cruzada saltam, causando uma descarga elétrica no plasma muito denso solar e quebrando as linhas do campo magnético. Seria mais ou menos como quando um balão é cheio até o ponto de estourar e então é furado com um alfinete. No primeiro minuto após a ruptura, uma nuvem de prótons de altíssima energia é ejetada a cerca de 1/3 da velocidade da luz. Simultaneamente radiação eletromagnética é emitida. Após 5 minutos de uma nuvem de partículas de baixa energia é ejetada, viajando a uma velocidade de cerca de 1000 km/s. Em uma hora, no entanto, os campos magnéticos se reconectam às suas devidas manchas solares e o nível de radiação da região decresce.

Um “flare” solar realmente grande pode produzir energia para suprir uma grande cidade por 200 milhões de anos, sendo que a maior parte dessa liberação brutal de energia ocorre nos 5 primeiros minutos.

É óbvio que em períodos de maior atividade solar, onde o número de manchas solares é maior, o número de “flares” é maior. Não só a ionosfera estará mais ionizada, mas também serão mais comuns as perturbações ionosféricas.

Perturbações ionosféricas súbitas, SID (Sudden Ionospheric Disturbances)

A perturbação ionosférica súbita (SID), é também chamada de enfraquecimento de ondas curtas, ou efeito Dellenger (nome dado em homenagem ao Dr. John H. Dellenger, um pioneiro americano na pesquisa sobre propagação de ondas de rádio, e que foi o primeiro a identificar este tipo de perturbação).

A SID somente afeta percursos de HF no hemisfério iluminado. Dependendo da intensidade do “flare”, e da relação angular entre o Sol e a Terra, o efeito da SID na propagação em HF pode variar de nada até o “blecaute” total.

Como a radiação eletromagnética produzida por um “flare” viaja a velocidade da luz, o efeito do “flare” na Terra ocorre cerca de 8 minutos após ter ocorrido.

A camada D da ionosfera cresce abruptamente pela radiação dos raios-X, causando um aumento imediato da absorção de HF. O ângulo de zênite solar influencia a quantidade de radiação. Então um caminho de HF tendo o ponto de controle ionosférico (à parte da ionosfera responsável pela reflexão do sinal) no meio dia solar ira experimentar um “blecaute” mais forte e mais prolongado, que um outro caminho de transmissão onde o ponto de controle ionosférico esteja pela manhã ou à tarde. Caminhos de transmissão na metade noite da Terra não sofrerão esse efeito.

Existe um grande número de características desse tipo de perturbação. Lembrando que a absorção é função do inverso do quadrado da freqüência, o aumento de ionização da camada D afeta freqüências na parte inferior do espectro de HF primeiramente. Por exemplo, as bandas de 80 e 40 metros. Sinais de alta freqüência são afetados posteriormente, e também são os primeiros a recuperar-se após o efeito do “flare” diminuir.

Em regiões equatoriais os SIDs são usualmente mais intensos. Percursos de transmissão transequatorial, cujo ponto de controle ionosférico é próximo ao equador irão sofrer abruptos e totais “blecautes”.

SIDs duram em média de 1 a 2 horas. No entanto, durante o máximo de atividade solar, podem ocorrer “flares monstruosos”, como em agosto de 72 ou em setembro de 89 que irão bloquear as transmissões no hemisfério iluminado por grande parte de um dia.O dia em que a ionosfera desapareceu.

Um dos grandes SIDs já registrados ocorreu durante o ciclo 20, em 7 de agosto de 1972. Estavam sendo feitas medidas de ionosfera durante o início da tarde pelo observatório astrogeofísico La Posta, da Califórnia. Abruptamente todos os traços da ionosfera desapareceram da tela do osciloscópio. Após checar o equipamento, e tendo visto o efeito de SIDs anteriormente, os cientistas esperaram pacientemente pelo fim da tarde para o retorno da ionosfera.

O que aconteceu é que os raios-X provenientes de um gigantesco “flare” solar atingiu a camada D, aumentando sua ionização, e fazendo com que todos os sinais de HF fossem absorvidos, na região oriental do oceano Pacífico. Registros da marinha americana comprovam que as comunicações entre as estações na área desapareceram totalmente.

* Artigo publicado no Boletim @tividade DX produzido pelo DX Clube do Brasil



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Entendendo a Propagação Ionosférica – Parte IV

Por Renato Dutra Pereira Filho

ABSORÇÃO IONOSFÉRICA

Até o momento mencionamos as características da ionosfera como um refletor de ondas de rádio. A ionização, no entanto, não somente causa que uma onda de rádio seja refletida, mas também pode causar a absorção da mesma. É a absorção ionosférica uma das principais razões para a força de um sinal de rádio se reduzido ao passar através da ionosfera, primariamente pela região D.

Quando uma onda de rádio passa através da camada D, parte da energia é transferida para os elétrons que existem nessa região eletrificada. Esses elétrons movimentam-se vibrando em “ritmo” (na mesma freqüência) que a onda de rádio, à medida que a mesma ultrapassa a região ionizada, chocando-se com as moléculas gasosas muito maiores, ainda presentes na altitude da camada D. Como resultados dessas colisões, os elétrons perdem parte da energia transferida pela onda de rádio.

De fato essa energia perdida não é propagada, e a quantidade de energia da onda de rádio que emerge da ionosfera é menor que aquela que entrou na camada D, resultando no decréscimo de potência do sinal. Simplesmente falando a camada D age como uma “esponja de RF” nas freqüências de ondas curtas. Tecnicamente também ocorrem perdas na camada F, mas essas são bem menores e desprezíveis comparadas a passagem dupla para cada salto através da camada D.

Exatamente quando dessa energia é perdida pela onda de rádio passando através da camada D depende do número de colisões por segundo entre os elétrons e as moléculas de gases. Esta quantidade, por sua vez, depende da freqüência das ondas de rádio e das moléculas presentes. À medida que a freqüência aumenta, o comprimento de onda decresce, e o número de colisões entre os elétrons e as moléculas de gás também decresce. Quanto mais alta a freqüência, menor a absorção.

A quantidade de absorção ionosférica varia inversamente com o quadrado da freqüência do sinal. Se a freqüência do sinal é dobrada, a absorção ionosférica cai 4 vezes. Por exemplo, a absorção na faixa dos 27-30 MHz (faixa de 10 m de radioamadores, 11 m faixa cidadão) é um quarto da absorção encontrada nos 14 MHz (banda dos 20 m). Quando ambas as faixas estão “abertas” ao mesmo tempo, será necessária muito mais potência para operar em 20 m com igual efetividade que observada numa transmissão nos 10 m.

Como a clássica MUF é a freqüência mais alta que pode ser usada em um dado horário e um dado caminho de transmissão, e como a absorção ionosférica decresce rapidamente com o aumento da freqüência, este tipo de absorção é mínima próximo ao valor de clássica MUF.A absorção ionosférica depende da intensidade de ionização da camada D.

Esse nível de ionização varia conforme o horário do dia, com a estação do ano, com a posição geográfica, sendo proporcional ao ângulo de zênite solar. Quanto mais alto o sol no céu, maior a absorção. A absorção é muito mais intensa em regiões equatoriais, do que em latitudes temperadas, e é geralmente maior durante o verão do que no inverno.

O melhor exemplo de absorção pode ser encontrado em transmissões na região das ondas médias. Esses sinais propagação por ondas de superfície (mais conhecidas como “ground waves”, ou ondas de solo). Mas durante o inverno, à noite, esses sinais propagam-se via ionosfera devido ao fato da absorção cair muito. Esse é o fato por que estações de ondas médias são ouvidos a milhares de quilômetros de sua fonte, durante as horas noturnas de inverno.

Um exemplo disso é a R. Globo do Rio ser ouvida na Europa, a uma distância em torno de 9.500 km.Como é de se esperar a absorção das ondas de rádio pela camada D também é influenciada pelo ciclo solar. Durante os anos de baixa contagem de manchas solares, quando a ionização diminui, a absorção atmosférica também é mínima.

Medidas de sinal feitas durante ciclos solares anteriores mostram que durante as horas diurnas, a absorção ionosférica na freqüência de 20 MHz é aproximadamente 25% menor em períodos de baixa atividade solar do que em períodos de alta atividade solar. A diferença em 10 MHz é próxima a 50% e em 5 MHz é de 75%.

Durante as horas de escuridão, quando a absorção ionosférica normalmente cai a valores muito baixos, existe uma redução entre 25 a 50% à medida que o ciclo solar declina do máximo até o mínimo de atividade, com reduções maiores tendo lugar em freqüências menores.

Uma absorção menor significa sinais mais fortes. Assim, a intensidade dos sinais de rádio, refletidos pela ionosfera durante os anos de baixa atividade solar, é maior que durante os anos de alta atividade solar, particularmente nas faixas de radioamadores de 40, 80 e 160 m, e nas correspondentes bandas de radiodifusão.

Menor freqüência utilizável (LUF, Lowest Usable Frequency)

A LUF, menor freqüência utilizável, é a menor freqüência que pode ser utilizada para comunicações satisfatórias para um dado caminho de transmissão em um determinado horário. A LUF é definida como a freqüência na qual a intensidade do sinal recebido é igual à mínima intensidade de sinal necessária para uma recepção satisfatória.

A intensidade do sinal recebido depende da potência do transmissor, do ganho e da diretividade das antenas de transmissão e de recepção, da distância do percurso e das perdas por absorção. De fato, a LUF é indicada através de uma relação entre sinal e ruído. Ou seja, a mínima intensidade de sinal requerido para uma recepção satisfatória depende do nível de ruído do local de recepção e do tipo de modulação utilizada. Ruído atmosférico ou estático, é geralmente o tipo predominante de ruído que o sinal deve sobrepujar.

Para uma recepção satisfatória de um sinal de CW (código Morse) é requerida uma relação entre sinal e ruído de cerca de 3:1; um sinal de voz em SSB (single side band, banda lateral única) com uma largura de banda de 3kHz, necessita de uma relação sinal/ruído de 7:1; e uma transmissão em qualidade voz em DSB (double side band, banda lateral dupla) com uma largura de banda de 6 kHz requer uma relação entre sinal/ruído de no mínimo 15:1.

Em freqüências abaixo da LUF, a recepção satisfatória não será possível devido ao sinal recebido ser perdido em meio ao ruído que prevalece. Quando a freqüência de operação aumenta acima da LUF, a relação entre sinal e ruído aumenta. Ótimas condições ocorrem próximo à MUF clássica, onde tanto a relação sinal-ruído e a propagação são máximas.

Diferentemente da MUF, a qual dependente inteiramente das características atmosféricas, a LUF pode ser controlada em algum grau por ajustes na potência efetiva de transmissão ou por mudanças na modulação utilizada. Além disso, novas técnicas de processamento digitais de sinais (DSP) têm a capacidade de “reduzir” a LUF.

Como a absorção ionosférica aumenta quando a atividade solar aumenta, espera-se que a LUF para um caminho particular seja maior durante um período de alta atividade solar do que durante um período de baixa atividade inferior.

No próximo “episódio”, conversaremos bastante sobre o SOL e suas influências na propagação em HF.

* Artigo publicado no Boletim @tividade DX produzido pelo DX Clube do Brasil


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Entendendo a Propagação Ionosférica – Parte III

Por Renato Dutra Pereira Filho

No “episódio” de hoje, definiremos freqüência crítica, clássica MUF e simplesmente MUF.

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Tabela de MUF gerada quase em tempo real

OTIMIZANDO COMUNICAÇÔES EM HF

Uma ampla faixa de freqüências de ondas curtas quando transmitidas verticalmente irão retornar para a Terra através da ionosfera. A freqüência mais alta que retorna para cada camada da ionosfera é chamada freqüência crítica daquela camada. Mas para transmitir um sinal a longas distâncias, como requerido nas comunicações via rádio, a onda de rádio deve deixar a antena transmissora em um ângulo tal que a onda alcance a ionosfera de maneira oblíqua. O ângulo de radiação apropriado, bem como a freqüência ótima para ser usada sob um determinado caminho, depende de muitos fatores, incluindo a altura da camada refletora, a extensão na qual a mesma está eletrificada e a distância entre os locais de transmissão e recepção. Além disso, existe a relação entre essa freqüência ótima e a freqüência crítica. O conhecimento das relações existentes entre a freqüência crítica, altura de camada, ângulo de radiação, comprimento do caminho, etc, são fundamentais para entender os princípios das comunicações em longas distâncias através de ondas curtas.

RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Para começar, existe uma relação trigonométrica simples entre as freqüências críticas medidas verticalmente, a altura da ionosfera na qual a reflexão ocorre, e o ângulo ótimo de radiação e a freqüência requerida para uma transmissão de longa distância. Esta relação é expressa pela equação: F=f0 . sen a (eq. 1) na qual: f é a freqüência de sinal equivalente para transmissão oblíqua; f0 é a freqüência crítica a é o ângulo de radiação para a transmissão oblíqua.

Usando a geometria é possível obter uma equação que permite uma solução mais direta para a freqüência ótima requerida para transmissões de longa distância:

f = f0 . ( (D^2/4*h^2)+1)^1/2 (eq. 2)

na qual f é a freqüência ótima de transmissão para a distância de transmissão D f0 é a freqüência crítica h é a altura da camada onde a reflexão ionosférica ocorre (D e h devem estar na mesma unidade de medida, quilômetros, por exemplo).

As equações acima são importantes por que dadas à freqüência crítica e a altura da ionosfera, e conhecendo a distância entre os locais de transmissão e recepção, é possível determinar a freqüência mais alta que a ionosfera irá suportar ao longo deste caminho de transmissão. Esta freqüência, f nas equações 1 e 2 é chamada de freqüência máxima observável (MOF) ou a clássica freqüência máxima utilizável (maximum usable frequency, MUF em inglês).

Chamaremos nesse texto esse valor de “clássica MUF”. É IMPORTANTE não confundir os valores desse valor de MUF com os valores de MUF produzidos a partir de programas computacionais de predição, os quais são valores médios de MUF calculados a partir de dados de longos períodos de tempo. Voltaremos a discutir bastante esse assunto. Para uma onda de rádio ser refletida entre dois pontos distantes via ionosfera a sua freqüência deve ser igual ou menor que a clássica MUF.

Quando a freqüência de operação excede o valor da clássica MUF, a ionização no ponto onde o sinal refletiria de volta à Terra não é suficiente para refletir o sinal, e o mesmo é perdido para o espaço.

CÁLCULO DA MÁXIMA FREQÜÊNCIA UTILIZÁVEL (MUF).

Devido ao fato da clássica MUF ser relacionada diretamente a freqüência crítica, seu valor é função da intensidade da ionização da atmosfera superior terrestre. Para um dado percurso de transmissão, a clássica MUF segue as mesmas variações da freqüência crítica, de acordo com o período do dia, estação, posição geográfica e variações cíclicas. Durante os períodos de alta atividade solar os valores de clássica MUF são aproximadamente DUAS vezes superiores aqueles de períodos de baixa atividade solar.Você já deve ter notado que no cálculo do valor da clássica MUF não entra a potência de irradiação.

A ionosfera apresenta densidade eletrônica suficiente para refletir o sinal de volta para a Terra, ou o sinal é perdido para o espaço. Esse fato depende somente da freqüência em questão e da densidade eletrônica da ionosfera. Esta situação se aplica para a propagação “normal” de ondas curtas, mas não se aplica ao caso de reflexões dispersas (“scatter”) que podem ocorrer em condições anormais, ou quando a potência de transmissão é da ordem de centenas de kilowatts. Nestes dois casos a potência de transmissão entrará no cálculo da clássica MUF.

A clássica MUF é uma grandeza muito importante em radio comunicações, mas é extremamente difícil de predizer. No entanto, métodos relativamente simples foram desenvolvidos para predizer um valor médio.

É este valor que é mencionado simplesmente como MUF (maximum usable frequency).Gráficos de contorno contendo valores para todo o mundo de freqüências críticas preditas para a camada F2 (usando a simbologia f0F2), contém os valores preditos de MUF calculados para a distância padronizada de 4000 km.

No próximo “episódio”, explicaremos de que maneira a ionização de determinada camada da ionosfera pode ser prejudicial à propagação de ondas de rádio.

* Artigo publicado no Boletim @tividade DX produzido pelo DX Clube do Brasil



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