{"id":50,"date":"2009-04-15T23:39:54","date_gmt":"2009-04-16T02:39:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.sarmento.eng.br\/2009\/04\/15\/astronomia-e-o-radio\/"},"modified":"2009-09-26T09:57:45","modified_gmt":"2009-09-26T12:57:45","slug":"astronomia-e-o-radio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radio.sarmento.eng.br\/?p=50","title":{"rendered":"Astronomia e o R\u00e1dio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.sarmento.eng.br\/NasOndasCurtasGuaruja.htm\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.sarmento.eng.br\/Sitios\/guarujalogo.jpg\" alt=\"Nas Ondas Curtas da Guaruj\u00e1 Paulista\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Por Sarmento Campos<\/strong><\/p>\n<p>Estamos aqui para falar sobre radiodifus\u00e3o  de ondas curtas,  explorando os aspectos t\u00e9cnicos sobre a recep\u00e7\u00e3o de emissoras de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Este \u00e9 programa produzido pela sua Guaruja Paulista em parceria com o DX Clube do Brasil, que \u00e9 uma entidade fundada h\u00e1 mais de 22 anos e \u00e9 dedicada a divulga\u00e7\u00e3o do hobby da radioescuta e dxismo, que consiste na pratica de se sintonizar emissoras muito distantes, em especial nas ondas curtas.<\/p>\n<p>Hoje vamos falar sobre um dos aspectos mais cr\u00edticos a recep\u00e7\u00e3o de sinais de r\u00e1dio, que \u00e9 a propaga\u00e7\u00e3o das ondas de r\u00e1dio e a sua rela\u00e7\u00e3o com as esta\u00e7\u00f5es do ano.<\/p>\n<p>Em encontros anteriores falamos que em ultima inst\u00e2ncia, \u00e9 o Sol, o principal astro de nosso sistema solar, que \u00e9 o respons\u00e1vel pelo que podemos ouvir e quando podemos.<\/p>\n<p>E estamos saindo do m\u00eas de julho em pleno inverno no hemisf\u00e9rio sul de nosso planeta Terra, o que nos traz algumas possibilidades de escutas bem interessantes n\u00e3o s\u00f3 em ondas curtas, como tamb\u00e9m em ondas m\u00e9dias, tamb\u00e9m conhecido popularmente como AM.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que chegam a afirmar alguns livros, o inverno que \u00e9 associado as temperaturas mais baixas, n\u00e3o \u00e9 devido ao nosso planeta Terra estar mais longe do SOL, o que por sua vez implicaria que no ver\u00e3o a Terra estivesse mais pr\u00f3xima do SOL<\/p>\n<p>Imagine a mesa a sua frente, e que no centro desta, est\u00e1 o SOL brilhando com toda sua impon\u00eancia. E em ponto pr\u00f3ximo do SOL, est\u00e1 o nosso planeta Terra girando ao redor do SOL, em um processo denominado de revolu\u00e7\u00e3o ou transla\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Ou seja, em um intervalo de um ano, o nosso planeta completa uma volta ao redor do SOL, em uma \u00f3rbita denominada el\u00edptica, que na realidade, podemos enxergar como um circulo quase perfeito, por\u00e9m, com um leve achatamento. No caso da \u00f3rbita do planeta terra, este achatamento \u00e9 em torno de 3 graus, o que significa que a distancia entre a Terra e o SOL varia muito pouco durante uma revolu\u00e7\u00e3o, ou seja um ano.<\/p>\n<p>Logo, podemos j\u00e1 imaginar que n\u00e3o \u00e9 devido ao afastamento da Terra em rela\u00e7\u00e3o ao SOL que ocorre o inverno.<\/p>\n<p>Mas o ouvinte deve estar se perguntando, o que esta quest\u00e3o de astronomia tem haver com o r\u00e1dio de ondas curtas e a recep\u00e7\u00e3o das emissoras que est\u00e3o nesta faixa ? <\/p>\n<p>J\u00e1 chegaremos l\u00e1, pois este \u00e9 um dos aspectos bem interessantes da propaga\u00e7\u00e3o das ondas de r\u00e1dio e que necessariamente precisamos conhecer como veremos a seguir.<\/p>\n<p>Pois bem, voltando a nossa mesa que est\u00e1 a nossa frente, tendo o SOL no centro e o planeta Terra em algum ponto em seu movimento de transla\u00e7\u00e3o ao redor do SOL, em cima da mesa, existe a explica\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia da altern\u00e2ncia das esta\u00e7\u00f5es do ano, em especial quanto ao inverno e ver\u00e3o para simplificarmos nosso exemplo.<\/p>\n<p>A Terra ao girar ao redor do SOL  segue o mesmo plano imagin\u00e1rio da nossa mesa, por\u00e9m, nosso planeta \u00e9 inclinado em seu pr\u00f3prio eixo em torno de 23 graus, logo, no nosso exemplo da mesa, a Terra durante uma volta ao redor do SOL ir\u00e1 passar por quatro pontos bem distintos onde os \u00e2ngulo de incid\u00eancia dos raios de SOL na Terra ser\u00e3o diferentes, o que forma as quatro distintas esta\u00e7\u00f5es do ano.<\/p>\n<p>Assim, o que faz o ver\u00e3o ou o inverno na realidade, \u00e9 justamente a inclina\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia dos r\u00e1dios solares em nosso planeta. <\/p>\n<p>Imagine que em determinado momento o hemisf\u00e9rio Norte est\u00e1 o mais perpendicular  poss\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o ao SOL, assim, quando os raios atingem a superf\u00edcie da Terra no menor \u00e2ngulo poss\u00edvel, ir\u00e1 aquecer mais a superf\u00edcie da Terra, causando assim mais calor. <\/p>\n<p>E ao mesmo tempo, o hemisf\u00e9rio SUL, estar\u00e1 mais inclinado em rela\u00e7\u00e3o o SOL, diminuindo o \u00e2ngulo de incid\u00eancia dos raios solares na superf\u00edcie da Terra, o que diminui a temperatura gerada na superf\u00edcie, causando assim o inverno.<\/p>\n<p>Experimente acender uma l\u00e2mpada bem potente em um abajur fixo na sua mesa, apontando exatamente de cima para baixo na superf\u00edcie da mesa, por alguns instantes, a uma determinada altura . Observe como a mesa naquele ponto que est\u00e1 concentrado a luz da l\u00e2mpada ir\u00e1 se aquecer. Agora, mantendo a mesma altura da l\u00e2mpada no abajur, experimente inclinar a l\u00e2mpada, digamos uns 45 graus, de forma a iluminar n\u00e3o s\u00f3 um pequeno ponto mas iluminar uma grande parte da mesa. Voc\u00ea ir\u00e1 perceber que a mesa n\u00e3o esquenta tanto. <\/p>\n<p>Este \u00e9 o principio das nossas quatro esta\u00e7\u00f5es do ano. <\/p>\n<p>E finalmente, isto gera um fen\u00f4meno bem interessante, alias, v\u00e1rios fen\u00f4menos que afetam a propaga\u00e7\u00e3o das ondas do r\u00e1dio diretamente. <\/p>\n<p>Como no inverno os dias duram menos do que a noite, o SOL n\u00e3o carrega a tanto a ionosfera, que \u00e9 a camada eletricamente carregada que est\u00e1 acima da atmosfera e que \u00e9 respons\u00e1veis por hora absorver as ondas de r\u00e1dio limitando o alcance das ondas de radio e hora refletindo as ondas, permitindo um alcance muito maior.<\/p>\n<p>Assim no inverno, a ionosfera recebe menos raios solares, fica menos carregada eletricamente, e absorve menos as ondas do r\u00e1dio, permitindo que as ondas de r\u00e1dio sejam refletidas na ionosfera atingindo assim longas distancias. E isto acontece exatamente para as freq\u00fc\u00eancias mais baixas das ondas curtas, ou seja, no inverno, recebemos melhor as freq\u00fc\u00eancias abaixo de 9.500 khz, que \u00e9 a faixa de 31 metros, passando pelos 49 metros, que \u00e9 em torno de 6000 kHz at\u00e9 as ondas m\u00e9dias.<\/p>\n<p>Por sua vez, as freq\u00fc\u00eancias mais altas, como por exemplo a faixa de 13 metros, que \u00e9 em torno de 21500 kHz, que necessitam de forte ioniza\u00e7\u00e3o da ionosfera para se propagarem, se tornam muito dif\u00edceis de atingir longas distancias.<\/p>\n<p>\u00c9 comum nesta \u00e9poca do ano, recebermos sinais das emissoras de ondas curtas que operam nas ondas tropicais dos estados do Nordeste e norte do Brasil, e o contr\u00e1rio \u00e9 verdadeiro, como demonstram as cartas que a R\u00e1dio Guaruja tem recebido de estados t\u00e3o distantes como Rond\u00f4nia por exemplo.<\/p>\n<p>E por sua vez, no hemisf\u00e9rio Norte que agora \u00e9 ver\u00e3o, a propaga\u00e7\u00e3o \u00e9 bem diferente, ou seja, como regra a t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, as melhoras freq\u00fc\u00eancias para a longa distancia s\u00e3o as mais altas, e n\u00e3o as mais baixas.<\/p>\n<p>Existem muitos outros aspectos interessantes sobre propaga\u00e7\u00e3o das ondas de r\u00e1dio, que nos possibilitam realizar a pr\u00e1tica do DX, que \u00e9 a sintonia de emissoras distantes e desconhecidas. Assim, sabendo em que \u00e9poca do ano n\u00f3s estamos, quais as faixas de freq\u00fc\u00eancias mais propicias a recebermos sinais de longa distancia, sabendo tamb\u00e9m quais s\u00e3o as horas do dia, tanto no amanhecer como no anoitecer onde a noite \u00e9 mais longa, podemos ouvir esta\u00e7\u00f5es do outro lado do mundo.<\/p>\n<p>Para fechar com um exemplo de um excelente DX, nosso amigo Celio Romais de Porto Alegre conseguiu sintonizar em Porto Alegre bem cedo, pr\u00f3ximo ao amanhecer, emissoras em ondas tropicais de Papua Nova Guin\u00e9 na Oceania e do Jap\u00e3o, que \u00e9 do outro lado do mundo.  <\/p>\n<p>E durante o encontro Brasil DX 2004, ap\u00f3s o anoitecer, foi poss\u00edvel ouvir diversas emissoras do extremos norte do Brasil, assim como diversas emissoras internacionais, inclusive da Europa, em ondas m\u00e9dias.<\/p>\n<p>Por isso, a dica \u00e9 : fique atento ao seu r\u00e1dio, pois conhecendo um pouco sobre esta ci\u00eancia t\u00e3o interessante que \u00e9 a propaga\u00e7\u00e3o, voc\u00ea poder\u00e1 escutar emissoras bem distantes que provavelmente s\u00f3 daqui a um ano voc\u00ea conseguir\u00e1 sintonizar de novo.<\/p>\n<p>Bem, este era o nosso tema de hoje, aguardamos seus coment\u00e1rios e sugest\u00f5es.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea deseja conhecer um pouco mais de nossa atividade dxista, escreva para n\u00f3s :<\/p>\n<p>DX Clube do Brasil<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"8PECZJcZgP\"><p><a href=\"https:\/\/www.ondascurtas.com\/\">Home<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Home&#8221; &#8212; Ondas Curtas\" src=\"https:\/\/www.ondascurtas.com\/embed\/#?secret=g7bfXx3HZU#?secret=8PECZJcZgP\" data-secret=\"8PECZJcZgP\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p><code><br \/>\n<script type=\"text\/javascript\">\nvar gaJsHost = ((\"https:\" == document.location.protocol) ? \"https:\/\/ssl.\" : \"http:\/\/www.\");\ndocument.write(unescape(\"%3Cscript src='\" + gaJsHost + \"google-analytics.com\/ga.js' type='text\/javascript'%3E%3C\/script%3E\"));\n<\/script><\/p>\n<p><script type=\"text\/javascript\">\ntry {var pageTracker = _gat._getTracker(\"UA-7192117-1\");\npageTracker._trackPageview();\n} catch(err) {};\n<\/script><br \/>\n<\/code><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sarmento Campos Estamos aqui para falar sobre radiodifus\u00e3o de ondas curtas, explorando os aspectos t\u00e9cnicos sobre a recep\u00e7\u00e3o de emissoras de r\u00e1dio. 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