{"id":133,"date":"2009-11-01T23:52:04","date_gmt":"2009-11-02T02:52:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.sarmento.eng.br\/2009\/11\/01\/brasil-e-mundo-redescobrem-o-padre-roberto-landell-de-moura\/"},"modified":"2009-11-01T23:57:51","modified_gmt":"2009-11-02T02:57:51","slug":"brasil-e-mundo-redescobrem-o-padre-roberto-landell-de-moura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radio.sarmento.eng.br\/?p=133","title":{"rendered":"Brasil e mundo (re)descobrem o Padre Roberto Landell de Moura"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.sarmento.eng.br\/Fotos\/Padre_Landell_Morua.gif\" alt=\"Padre Roberto Landell de Moura\" \/><br \/>\n<em>Padre Roberto Landell de Moura &#8211; Cientista brasileiro pioneiro na inven\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio e telefone sem fio<\/em><\/p>\n<p><strong>Por Eduardo Ribeiro<\/strong><br \/>\neduribeiro@megabrasil.com.br<\/p>\n<p>Era uma aula at\u00e9 certo ponto despretenciosa de R\u00e1dio-jornalismo, com o professor chileno J\u00falio Zapata.<\/p>\n<p>Viv\u00edamos tempos bicudos (1977 se a mem\u00f3ria n\u00e3o me falha) e v\u00edamos sombras em tudo e em todos. E com Zapata n\u00e3o era diferente: um chileno no Brasil, em plena ditadura, dando aulas no curso de jornalismo numa faculdade, digamos assim, burguesa, era, no m\u00ednimo, muito estranho. Mas como suas aulas situavam-se entre as mais agrad\u00e1veis e mobilizadoras do curso, pass\u00e1vamos por cima de eventuais desconfian\u00e7as, com participa\u00e7\u00f5es sempre marcantes.<\/p>\n<p>Naquela aula Zapata fez uma revela\u00e7\u00e3o que deixou a todos at\u00f4nitos e incr\u00e9dulos: o r\u00e1dio n\u00e3o havia sido inventado pelo italiano Guglielmo Marconi, como at\u00e9 os livros de hist\u00f3ria brasileiros ensinavam, e sim pelo padre e cientista ga\u00facho Roberto Landell de Moura, em fins do s\u00e9culo XIX, aqui mesmo no Brasil, em transmiss\u00f5es feitas (algumas delas) entre a Avenida Paulista e o Morro de Santana.<\/p>\n<p>Ficamos chocados e desconcertados com aquela revela\u00e7\u00e3o e mais ainda por ela ter sido feita por um professor estrangeiro, que certamente conhecia mais de nossa hist\u00f3ria do que qualquer um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Pela nossa cabe\u00e7a passou de tudo, inclusive a id\u00e9ia de ser aquela uma farsa ou uma brincadeira de mau gosto. Como poderia o r\u00e1dio ter sido inventado no Brasil, por um cientista brasileiro, e ningu\u00e9m, no pr\u00f3prio Pa\u00eds saber disso? Se na \u00e9poca j\u00e1 fossem conhecidas as tais pegadinhas, sem d\u00favida alguma aquela seria uma delas, para testar nossa capacidade de rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m o professor Zapata, no curso, deu evid\u00eancias mais do que suficientes para que todos n\u00f3s deix\u00e1ssemos de duvidar de suas afirma\u00e7\u00f5es e foi al\u00e9m: indignado com o desconhecimento (e desprezo) dos brasileiros com um de seus mais ilustres filhos, lan\u00e7ou na sala de aula um desafio: que o grupo tomasse para si aquela causa resgatando o padre ga\u00facho para a hist\u00f3ria. E certamente o fez por dever de of\u00edcio, como j\u00e1 devia ter feito in\u00fameras vezes, em outros ambientes profissionais e acad\u00eamicos, sem muita esperan\u00e7a de que a provoca\u00e7\u00e3o tivesse algum resultado pr\u00e1tico.<\/p>\n<p>E estava cert\u00edssimo, a n\u00e3o ser pela presen\u00e7a, entre n\u00f3s, de um tal Hamilton Almeida, que, \u00e0 \u00e9poca, cham\u00e1vamos de Ben\u00ea, apelido tirado de seu primeiro nome, Benedito.<\/p>\n<p>Hamilton comprou a pauta, foi \u00e0 luta e decidiu que ela seria a grande reportagem de sua vida. Faz mais de 20 anos que pesquisa a vida e a obra de Roberto Landell de Moura, padre cientista, renegado e perseguido pela Igreja Cat\u00f3lica, que esteve \u00e0 frente de seu tempo, com experimentos que anteciparam algumas das mais importantes inven\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Duas d\u00e9cadas depois de ter editado no Brasil os livros &#8220;O outro lado das telecomunica\u00e7\u00f5es &#8211; A saga do Padre Landell&#8221; (Editora Sulina) e &#8220;Landell de Moura&#8221; (Editora Tch\u00ea\/RBS &#8211; cole\u00e7\u00e3o Esses Ga\u00fachos), ele foi lan\u00e7ado na Alemanha pela Editora Debras Verlag, da cidade de Konstanz. O nome do livro \u00e9 &#8220;Pater und Wissenschaftler&#8221; (Padre e cientista) e o lan\u00e7amento ocorreu durante um evento para radioamadores realizado nos dias 4 e 5 de dezembro deste ano na cidade de Dortmund. Um segundo e maior lan\u00e7amento ser\u00e1 realizado em junho de 2005, provavelmente com a presen\u00e7a do autor, numa exposi\u00e7\u00e3o mundial de radioamadores &#8211; a Hamradio -, na cidade de Friedrichshafen.<\/p>\n<p>Hamilton precisou ser lan\u00e7ado na Alemanha para ganhar reconhecimento no Brasil. Suas primeiras obras, editadas no Sul, n\u00e3o conseguiram romper a barreira geogr\u00e1fica e desse modo perderam o efeito multiplicador t\u00e3o necess\u00e1rio para o reconhecimento de um trabalho dessa magnitude.<\/p>\n<p>Mais do que ele, obviamente perdeu o Brasil e, claro, a Hist\u00f3ria, que continuou, por mais este per\u00edodo, ignorando as perip\u00e9cias de um dos maiores g\u00eanios dos s\u00e9culos XIX e XX.<\/p>\n<p>Isso pode estar agora mudando, gra\u00e7as \u00e0 edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3. Por conta dela, Hamilton ganhou um espa\u00e7o privilegiado na m\u00eddia brasileira e a saga do Padre Landell, pelo visto, come\u00e7a a ser recontada. Jornais, sites e ag\u00eancias de todo o Pa\u00eds abriram espa\u00e7o para o livro e isso despertou o interesse de dezenas de pesquisadores, cienteistas e professores que procuraram o autor para saber outros detalhes dessa hist\u00f3ria desconcertante que quase ningu\u00e9m conhecia.<\/p>\n<p>Est\u00e1 aberto, portanto, o caminho para que novos pesquisadores se debrucem sobre o Padre Landell de Moura e sua obra e, mais do que isso, para que a Hist\u00f3ria do Brasil possa ganhar esse importante refor\u00e7o, ainda que tardiamente. Se isso ocorrer, logo logo Padre Landell estar\u00e1 sendo ensinado nos cursos b\u00e1sicos e tamb\u00e9m na Universidade, ganhando, quem sabe, o mundo, como nosso reconhecido Santos Dumont.<\/p>\n<p>Para contar a hist\u00f3ria do Padre Landell, Hamilton pesquisou durante v\u00e1rios anos em diversas cidades brasileiras. Revirou bibliotecas, entrevistou familiares e pessoas que tiveram algum tipo de envolvimento com Padre Landell ou seus inventos, manuseou jornais e revistas daquele per\u00edodo, checou, enfim, como bom rep\u00f3rter, todas as pistas e evid\u00eancias que obteve. E fez tudo isso com dinheiro do pr\u00f3prio bolso e nas horas vagas, sem qualquer apoio oficial.<\/p>\n<p>Desconhecido da m\u00eddia e do grande p\u00fablico, o trabalho de Hamilton circulava com certa desenvoltura entre radioamadores por raz\u00f5es \u00f3bvias. Um desses radioamadores era o editor alem\u00e3o Heinz Prange, e ele ficou simplesmente fascinado com a hist\u00f3ria. Nascia, desse modo, em meados do ano 2000, a decis\u00e3o de publicar uma nova obra de Hamilton sobre o Padre Landell, por\u00e9m em alem\u00e3o e na Alemanha. Trata-se, portanto, de uma obra nova, que atualiza e amplia significativamente os dois livros escritos anteriormente.<\/p>\n<p>Nela se descobre que Padre Landell foi precursor n\u00e3o s\u00f3 do r\u00e1dio, mas tamb\u00e9m da televis\u00e3o e do teletipo, entre outras descobertas. E que, apesar da sua genialidade, o padre cientista n\u00e3o recebeu apoio de ningu\u00e9m, tendo sido, ao contr\u00e1rio, ignorado e perseguido. Quis unir a religi\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia e acabou acusado de ter pacto com o diabo. Patenteou seus inventos no Brasil e nos Estados Unidos, realizou experimentos e, ainda assim, n\u00e3o foi reconhecido em sua \u00e9poca. No Brasil, chegaram a destruir os seus aparelhos e impedir seus estudos, por consider\u00e1-lo uma esp\u00e9cie de bruxo.<\/p>\n<p>Padre Landell tamb\u00e9m aperfei\u00e7oou o sistema de telegrafia sem fio e transmitiu pela primeira vez no mundo em ondas cont\u00ednuas, que s\u00e3o superiores \u00e0s ondas amortecidas utilizadas nos primeiros tempos das radiocomunica\u00e7\u00f5es por outros cientistas. Recomendou o emprego das ondas curtas para aumentar as dist\u00e2ncias das transmiss\u00f5es quando elas n\u00e3o eram sequer cogitadas pelos outros cientistas. Para a transmiss\u00e3o de mensagens, ele tamb\u00e9m se utilizava da luz, o mesmo princ\u00edpio que aperfei\u00e7oou as comunica\u00e7\u00f5es modernas, empregando-se o laser e as fibras \u00f3pticas. Numa \u00e9poca em que as telecomunica\u00e7\u00f5es eram prec\u00e1rias at\u00e9 mesmo entre cidades vizinhas, ele j\u00e1 acreditava na possibilidade das comunica\u00e7\u00f5es interplanet\u00e1rias. Morreu no anonimato e sua obra at\u00e9 hoje \u00e9 pouco conhecida. Com o tempo, as suas inven\u00e7\u00f5es acabaram sendo reinventadas por outros cientistas, que ficaram com a fama e a gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>O jornalista Hamilton Almeida, nascido na cidade de Guarulhos (S\u00e3o Paulo), come\u00e7ou sua carreira em revistas t\u00e9cnicas na capital paulista, e em meados dos anos 80 mudou-se para Porto Alegre. Ali trabalhou por v\u00e1rios anos na editoria de Economia do Zero Hora, sendo posteriormente transferido para Buenos Aires, como correspondente. Ficou cerca de oito anos na capital argentina, os \u00faltimos pela Gazeta Mercantil Latino-americana. Em 2000, regressou ao Brasil deixando pouco depois o jornal, num dos cortes feitos pela empresa, \u00e0quela altura j\u00e1 em crise. Atualmente, ele integra a equipe do Departamento de An\u00e1lise<\/p>\n<p>Fonte: Site Comunique-se, 22\/12\/2004<\/p>\n<p>Saiba mais sobre a hist\u00f3ria de Padre Roberto Landell de Moura acessando :<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sarmento.eng.br\/Padre_Roberto_Landell_de_Moura.htm\">https:\/\/www.sarmento.eng.br\/Padre_Roberto_Landell_de_Moura.htm<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.sarmento.eng.br\/Fotos\/Patente_Telefone_Sem_Fio_Eua.jpg\" alt=\"Patente da inven\u00e7\u00e3o do telefone sem fio - Padre Landell de Moura\" \/><br \/>\n<em>Patente da inven\u00e7\u00e3o do telefone sem fio concedida ao Padre Landell de Moura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Roberto Landell de Moura &#8211; Cientista brasileiro pioneiro na inven\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio e telefone sem fio Por Eduardo Ribeiro eduribeiro@megabrasil.com.br Era uma aula at\u00e9 certo ponto despretenciosa de R\u00e1dio-jornalismo, com o professor chileno J\u00falio Zapata. 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