{"id":109,"date":"2009-09-03T23:05:16","date_gmt":"2009-09-04T02:05:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.sarmento.eng.br\/2009\/09\/03\/historia-da-radio-nacional-do-rio-de-janeiro\/"},"modified":"2009-09-26T08:21:25","modified_gmt":"2009-09-26T11:21:25","slug":"historia-da-radio-nacional-do-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radio.sarmento.eng.br\/?p=109","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro &#8211; 1130 kHz"},"content":{"rendered":"<p><strong>RADIO NACIONAL<\/strong><\/p>\n<p>Perto de completar 74 anos de idade, a R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro se mistura com a hist\u00f3ria do Brasil. Se n\u00e3o bastasse o rico acervo cultural, a emissora \u00e9 privilegiada: fica no cora\u00e7\u00e3o da Pra\u00e7a Mau\u00e1, onde os governos estadual e federal v\u00e3o desenvolver um megaprojeto de revitaliza\u00e7\u00e3o, que inclui a zona portu\u00e1ria. A r\u00e1dio ocupa tr\u00eas dos 22 andares do edif\u00edcio A NOITE, o primeiro &#8220;arranha-c\u00e9u&#8221; da Am\u00e9rica Latina, que tamb\u00e9m passar\u00e1 por uma ampla reforma, pois j\u00e1 apresenta sinais dos seus 81 anos.<\/p>\n<p>Ali no alto, com vista panor\u00e2mica da cidade, \u00e9 que a R\u00e1dio Nacional continua escrevendo sua hist\u00f3ria e se adaptando aos novos tempos. Um dos diversos ve\u00edculos da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC), a R\u00e1dio Nacional nasceu em 1936, usufruindo dos bons ventos da economia. Naquele per\u00edodo, o pa\u00eds atra\u00eda investimentos estrangeiros e empresas multinacionais que traziam equipamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. O ex-presidente Get\u00falio Vargas a transformou na r\u00e1dio oficial do Governo brasileiro.<\/p>\n<p>Ao longo de sua vida, a R\u00e1dio Nacional serviu de palco para jornalistas e diversos artistas que, em suas salas e audit\u00f3rios come\u00e7aram suas carreiras. Entre eles, os atores Paulo Gracindo e Mario Lago e cantores como Angela Maria, Cauby Peixoto, Emilinha Borba e Marlene. E tantos outros.<\/p>\n<p>Presente na mem\u00f3ria afetiva da popula\u00e7\u00e3o, a R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro \u00e9 historicamente reconhecida como refer\u00eancia de programa\u00e7\u00e3o plural e popular. Ela \u00e9, na realidade, respons\u00e1vel pelas matrizes que fomam hoje o R\u00e1dio brasileiro: a m\u00fasica, a informa\u00e7\u00e3o, o humor, a dramaturgia, o esporte e os programas de audit\u00f3rio.<\/p>\n<p>Agora, como parte integrante da EBC, a emissora por onde passaram grandes int\u00e9rpretes, maestros e compositores de nossa m\u00fasica popular, de onde foram transmitidas as radionovelas que enriqueceram o imagin\u00e1rio do brasileiro, passa por ampla reformula\u00e7\u00e3o estrutural, t\u00e9cnica e de sua programa\u00e7\u00e3o com os olhos no futuro sem esquecer, por\u00e9m, das suas caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/\">http:\/\/www.ebc.com.br\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.sarmento.eng.br\/Fotos\/noite03.jpg\" alt=\"Predio A Noite - Estudios da Radio Nacional do Rio de Janeiro\" \/><br \/>\n<em>A R\u00e1dio Nacional ocupa os tr\u00eas \u00faltimos andares do edif\u00edcio &#8216;A Noite&#8217; na Pra\u00e7a Mau\u00e1 <\/em><\/p>\n<p><strong>Um pouco da hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>A R\u00e1dio Nacional se tornou l\u00edder de audi\u00eancia desde a sua funda\u00e7\u00e3o. Manteve-se no topo at\u00e9 o aparecimento da TV, que passou a controlar os novos rumos da comunica\u00e7\u00e3o. Ainda no ano de sua estreia, a r\u00e1dio levou ao ar as primeiras cenas de radioteatro intercaladas com n\u00fameros musicais. Em 1938, foi criada a Voz do Brasil.<\/p>\n<p>J\u00e1 no ano de 1941, a R\u00e1dio Nacional estreou a primeira radionovela do pa\u00eds, chamada &#8220;Em busca da Felicidade&#8221;. Em 42, inaugurou a primeira emissora de ondas curtas, o que deu a ela um novo status, elevando os programas a uma dimens\u00e3o nacional. Ficou conhecida como &#8220;A escola do R\u00e1dio&#8221;, o que por si s\u00f3 d\u00e1 o tamanho de sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>A r\u00e1dio tamb\u00e9m \u201cfabricava\u201d programas de humor como: \u201cBalan\u00e7a mas n\u00e3o cai\u201d com Paulo Gracindo, Brand\u00e3o Filho, Walter D\u2019\u00c1vila, entre outros. Sem contar o \u201cPRK-30\u201d, que simulava uma emissora clandestina que invadia a freq\u00fc\u00eancia da R\u00e1dio Nacional e parodiava outros programas &#8211; at\u00e9 mesmo da pr\u00f3pria r\u00e1dio &#8211; al\u00e9m de propagandas, cantores e m\u00fasicas.<\/p>\n<p>A Nacional foi pioneira, ainda, no radiojornalismo. Em 1941, durante a II Guerra Mundial, criou o Rep\u00f3rter Esso. Ele foi elaborado para noticiar a guerra sob a vis\u00e3o dos aliados e acabou criando um padr\u00e3o in\u00e9dito de qualidade no radiojornalismo brasileiro que, at\u00e9 ent\u00e3o, limitava-se a ler no ar as not\u00edcias dos jornais impressos.<\/p>\n<p>O Rep\u00f3rter Esso estreou um modo austero e preciso de noticiar, servindo de modelo para outros in\u00fameros programas de not\u00edcias que se seguiram, at\u00e9 mesmo na televis\u00e3o. Ficou no ar at\u00e9 1968 com o slogan: \u201ctestemunha ocular da hist\u00f3ria&#8221;. <\/p>\n<p><strong>Casos e lembran\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>A credibilidade do notici\u00e1rio era t\u00e3o grande que enquanto o Rep\u00f3rter Esso n\u00e3o deu a not\u00edcia do fim da guerra, o p\u00fablico n\u00e3o acreditou. Segundo relatos de funcion\u00e1rios antigos um jornal at\u00e9 publicou: \u201cA guerra s\u00f3 acabou depois que o Rep\u00f3rter Esso noticiou\u201d.<\/p>\n<p>Conta-se que, quando Get\u00falio Vargas morreu, Vitor Costa (ent\u00e3o diretor da r\u00e1dio) copiou a carta testamento e a levou para ser lida em primeira m\u00e3o por Eron Domingues, o locutor que deu voz ao jornal. S\u00f3 depois desse fato \u00e9 que, com as informa\u00e7\u00f5es corretas sobre suic\u00eddio de Get\u00falio, dadas pelo Rep\u00f3rter Esso, a popula\u00e7\u00e3o foi para as ruas.<\/p>\n<p>A radialista Dayse L\u00facidi, que mant\u00e9m h\u00e1 38 anos no ar seu programa di\u00e1rio \u201cAl\u00f4 Dayse\u201d, comenta sobre o profissionalismo da R\u00e1dio Nacional. \u201cConstantemente Leonei Mesquita, diretor de jornalismo da r\u00e1dio nos anos 60, alertava rep\u00f3rteres e locutores: \u201cse voc\u00eas derem que morreu algu\u00e9m, essa pessoa vai ter que morrer mesmo\u201d.<\/p>\n<p>De 1930 at\u00e9 o final de 1950, o r\u00e1dio possu\u00eda um enorme &#8220;glamour&#8221; no Brasil. Ser artista ou cantor de r\u00e1dio era um desejo acalentado por milhares de pessoas, especialmente os jovens. Pertencer ao &#8220;cast&#8221; de uma grande emissora como a R\u00e1dio Nacional era suficiente para que o artista conseguisse fazer sucesso em todo o pa\u00eds e obtivesse grande destaque e prest\u00edgio.<\/p>\n<p>Em suas publica\u00e7\u00f5es, o jornalista Jos\u00e9 Ramos Tinhor\u00e3o, um dos maiores pesquisadores da m\u00fasica popular brasileira, comenta: \u201cA R\u00e1dio Nacional n\u00e3o era s\u00f3 vitrol\u00e3o. Existiam os programas ao vivo com os cantores, como o programa de Francisco Alves aos domingos. Havia orquestras diferentes para quatro maestros diferentes. Era o maior quadro de m\u00fasicos contratados do Brasil. Voc\u00ea tinha uma orquestra sobre a reg\u00eancia do maestro Lazoli, outra sobre a reg\u00eancia dos dois irm\u00e3os Gnattali. Era uma coisa fant\u00e1stica, uma experi\u00eancia \u00fanica e irreproduz\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Um dos mais antigos funcion\u00e1rios da R\u00e1dio Nacional \u00e9 Djalma de Castro. Ele continua trabalhando e busca na mem\u00f3ria fatos inesquec\u00edveis. Por exemplo, conta que Roberto Carlos andava pelos corredores da r\u00e1dio esperando uma oportunidade para cantar em algum dos programas da r\u00e1dio, at\u00e9 que foi chamado por C\u00e9sar de Alencar. A partir de ent\u00e3o, passou a se apresentar frequentemente no programa de Carlos Imperial, seu amigo e conterr\u00e2neo.<\/p>\n<p><strong>Nos dias de Hoje<\/strong><\/p>\n<p>A R\u00e1dio Nacional foi revitalizada em 2003. Um conv\u00eanio com a Petrobras foi fundamental para recuperar grande parte de sua hist\u00f3ria. Os tr\u00eas \u00faltimos andares do pr\u00e9dio de n\u00famero 7 da Pra\u00e7a Mau\u00e1 estavam praticamente inabit\u00e1veis. A emissora conta hoje com tr\u00eas est\u00fadios para grava\u00e7\u00e3o de programas di\u00e1rios de entretenimento, m\u00fasica, informa\u00e7\u00e3o e esporte. Al\u00e9m deles, o audit\u00f3rio Radam\u00e9s Gnattali (170 lugares) e o est\u00fadio Paulo Tapaj\u00f3s formam um conjunto para apresenta\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o de programas ao vivo, como o de Dorina Ponto Samba e pe\u00e7as teatrais.<\/p>\n<p>Ali tamb\u00e9m est\u00e1 guardada uma rel\u00edquia: um piano de calda Steinway &#038; Sons, um dos tr\u00eas \u00fanicos exemplares existentes no mundo. N\u00e3o \u00e9 raro presenciar o espanto e a admira\u00e7\u00e3o de diversos m\u00fasicos que n\u00e3o resistem aos encantos do velho piano alem\u00e3o. At\u00e9 param para dedilhar uma melodia nas teclas gastas do instrumento. Tamb\u00e9m resiste ao tempo a parede de vidro, importado da ex-Tchecoslov\u00e1quia, que separa um audit\u00f3rio do outro. A pe\u00e7a chegou de navio em 1936 e precisou subir pelo lado de fora do pr\u00e9dio por cabos de a\u00e7o, sob o olhar espantados de quem passava.<\/p>\n<p>Outra raridade guardada a sete chaves em uma das salas mais antigas e preservadas da R\u00e1dio Nacional \u00e9 a cabine telef\u00f4nica. Dali o diretor da R\u00e1dio se comunicava diariamente com o ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>O acervo da R\u00e1dio Nacional abriga 24 mil LPs de 33 rota\u00e7\u00f5es, 3.850 compacto simples e 1.800 LPs de 78 rota\u00e7\u00f5es. Sem contar os 3.500 discos de acetato que j\u00e1 est\u00e3o digitalizados. O arquivo cont\u00e9m ainda quase 1.500 fotografias, 595 registros de textos &#8211; somando aproximadamente 459 mil p\u00e1ginas &#8211; usados nas novelas de r\u00e1dio, programas de audit\u00f3rios, radioteatros e outros. Outra parte desse material encontra-se no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, com o nome de &#8220;Cole\u00e7\u00e3o R\u00e1dio Nacional&#8221;.<\/p>\n<p>Passear pelos corredores da emissora \u00e9 mergulhar na vida de personagens que fizeram hist\u00f3ria. Atores como Walter D`\u00c1vila, Oduvaldo Viana, Paulo Gracindo e Henriqueta Brieba. Nas fotografias estampadas nas paredes podemos lembrar destes e de tantos outros que ainda est\u00e3o t\u00e3o vivos na mem\u00f3ria musical dos brasileiros. Orlando Silva, Emilinha Borba, Marlene, \u00c2ngela Maria e Cauby Peixoto s\u00e3o s\u00f3 alguns dos v\u00e1rios nomes que est\u00e3o na entrada do foyer da R\u00e1dio.<\/p>\n<p><strong>Estr\u00e9ia <\/strong><\/p>\n<p>Bom! Bom! Bom! Um gongo toca tr\u00eas vezes. Ao som da m\u00fasica \u201cLuar do Sert\u00e3o\u201d, \u00e0s 21h do dia 12 de setembro de 1936, ouvia-se \u201cAl\u00f4, al\u00f4 Brasil! Aqui fala a R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro\u201d. Surge a PRE-8, a partir da compra da R\u00e1dio Philips que teria se dado por 50 contos de R\u00e9is. <\/p>\n<p>O programa inaugural teve a participa\u00e7\u00e3o da Orquestra do Teatro Municipal, sob a reg\u00eancia do maestro Henrique Spedini. Tamb\u00e9m estavam presentes Bidu Say\u00e3o, Maria Giuseppe Danise, Bruno Landi e Aur\u00e9lio Marcatu, al\u00e9m dos pianistas Mario Azevedo e Dyla Josetti. <\/p>\n<p>A segunda parte do programa foi realizada pela Orquestra de Concertos da Radio Nacional, sob a reg\u00eancia do maestro Romeu Ghipsman e com Radam\u00e9s Gnattali ao piano. A emissora se torna l\u00edder de audi\u00eancia desde a sua funda\u00e7\u00e3o. Mant\u00e9m-se no topo at\u00e9 o aparecimento da TV, que dita os novos rumos da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica e entretenimento <\/strong><\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o nas comunica\u00e7\u00f5es. Revolu\u00e7\u00e3o de 30. Era inevit\u00e1vel que essa coincid\u00eancia transformasse o r\u00e1dio num instrumento de primeira grandeza na luta pol\u00edtica, a ponto de muitos, \u00e0 \u00e9poca, considerarem-no t\u00e3o importante quanto o fuzil para a constru\u00e7\u00e3o de um Brasil moderno. Basta ouvir a marchinha G\u00ea-G\u00ea: \u201cS\u00f3 mesmo com revolu\u00e7\u00e3o\/ Gra\u00e7as ao r\u00e1dio e ao parabellum\/ N\u00f3s vamos ter transforma\u00e7\u00e3o\/ Neste Brasil verde-amarelo\u201d.<\/p>\n<p>Os programas esportivos, de humor, radionovelas e notici\u00e1rios s\u00e3o transmitidos dos v\u00e1rios est\u00fadios nos tr\u00eas \u00faltimos andares do edif\u00edcio \u201cA Noite\u201d, n\u00famero 7 da Pra\u00e7a Mau\u00e1, no centro do Rio de Janeiro. E viraram modelo para todas as r\u00e1dios do pa\u00eds. A m\u00fasica \u201cLuar do Sert\u00e3o\u201d, de Jo\u00e3o Pernambuco e Catulo da Paix\u00e3o, baseada em uma cantiga folcl\u00f3rica, \u00e9 tocada em vibrafone por Luciano Perrone e, em seguida, um locutor anuncia o prefixo da emissora: PRE-8. <\/p>\n<p><strong>Anos 30 <\/strong><\/p>\n<p>O final da d\u00e9cada de 30 marca a consolida\u00e7\u00e3o da emissora no imagin\u00e1rio do Pa\u00eds. Ainda em 36, \u00e9poca da estr\u00e9ia, vai ao ar as primeiras cenas de r\u00e1dio-teatro intercaladas com n\u00fameros musicais. Em 1937, \u00e9 inaugurado o \u201cTeatro em Casa\u201d para a transmiss\u00e3o de pe\u00e7as completas semanalmente.<\/p>\n<p>Em 30 de outubro de 1938, Orson Welles vai ao ar deixando milhares de pessoas em p\u00e2nico com a certeza de que a Terra estaria sendo invadida por extraterrestres com a transmiss\u00e3o de \u201cInvas\u00e3o dos Mundos\u201d, pe\u00e7a escrita por H.G. Wells. Em 1938, \u00e9 criada a Voz do Brasil. A partir de 1939, com o in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial, o r\u00e1dio passa a ter um papel fundamental na transmiss\u00e3o de fatos di\u00e1rios e not\u00edcias do front.<\/p>\n<p><strong>Financiamento<\/strong> <\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 30, o Brasil assiste ao crescimento da sua economia que atraia, pela primeira vez, investimentos estrangeiros. As empresas multinacionais come\u00e7am a se instalar no Brasil e com elas chegam aparelhos e tecnologia de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que as ind\u00fastrias el\u00e9trica e fonogr\u00e1fica come\u00e7am a crescer no pa\u00eds.<\/p>\n<p>As multinacionais n\u00e3o s\u00e3o apenas donas da tecnologia, mas se tornam as primeiras empresas a utilizar o r\u00e1dio como poderoso instrumento de publicidade. Na \u00e9poca, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o permitia que textos comerciais ocupassem mais de 10% da programa\u00e7\u00e3o, o que dificultava a sobreviv\u00eancia financeira das r\u00e1dios. <\/p>\n<p>As emissoras n\u00e3o tinham intervalos comerciais, como se v\u00ea hoje, mas programas patrocinados por anunciantes. Esse \u00e9 o caso, por exemplo, do programa \u201cClube Juvenil Toddy\u201d, que se manteve no ar de 1950 a 1957, inicialmente na R\u00e1dio Mayrink Veiga e, a partir de 1951, na R\u00e1dio Nacional. <\/p>\n<p>Essa foi tamb\u00e9m a estrat\u00e9gia escolhida pela Coca-Cola, quando la\u00e7ada no Brasil. O refrigerante escolhe o r\u00e1dio como melhor meio de propaganda e patrocina o programa \u201cUm Milh\u00e3o de Melodias\u201d, que estr\u00e9ia na R\u00e1dio Nacional criado especificamente para o lan\u00e7amento da Coca.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1932, com o Decreto Lei 21.111, o governo regulamenta e libera a propaganda comercial pelo r\u00e1dio. Nesse momento, o r\u00e1dio j\u00e1 \u00e9 visto como um setor economicamente rent\u00e1vel, tanto pelas empresas anunciantes como pelo governo.<br \/>\nO r\u00e1dio passa a ser o maior ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o e o melhor meio de promo\u00e7\u00e3o comercial. O aumento do n\u00famero de an\u00fancios permite o crescimento das r\u00e1dios. Elas caminham t\u00e3o bem que quando a R\u00e1dio Nacional passa a fazer parte do Governo Federal, em 1940, n\u00e3o \u00e9 sustentada por recursos p\u00fablicos. A r\u00e1dio continua a sobreviver e a montar seus est\u00fadios e malha tecnol\u00f3gica apenas com o dinheiro das propagandas.<\/p>\n<p>Em 1942, a R\u00e1dio Nacional inaugura a primeira emissora de ondas curtas do Brasil e passa a transmitir seus programas para todo o pa\u00eds, o que a torna ainda mais atrativa para os patrocinadores.<\/p>\n<p><strong>D\u00e9cadas de ouro <\/strong><\/p>\n<p>Em 1940, a R\u00e1dio Nacional passa a fazer parte do Patrim\u00f4nio Nacional, a partir do decreto assinado pelo ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas. A programa\u00e7\u00e3o ganha novo formato sob a dire\u00e7\u00e3o de Gilberto de Andrade e participa\u00e7\u00e3o do radialista Jos\u00e9 Mauro, irm\u00e3o do cineasta Humberto Mauro.<\/p>\n<p>Decreto-Lei 2073, de Get\u00falio, cria as Empresas Incorporadas ao Patrim\u00f4nio da Uni\u00e3o que, entre outra, encampa a R\u00e1dio Nacional, de propriedade do grupo A Noite. Diferentemente do tratamento dispensado a outras emissoras estatais, a R\u00e1dio Nacional continuou a ser administrada como uma empresa privada, sendo sustentada financeiramente pelos recursos oriundos da venda de publicidade.<\/p>\n<p>Em 1941, vai ao ar a primeira radionovela, \u201cEm busca da Felicidade\u201d. O programa durou tr\u00eas anos, quando cedeu lugar a \u201cO Direito de Nascer\u201d. Com a troca a radionovela torna-se uma febre. No mesmo come\u00e7a o Rep\u00f3rter Esso, marco do jornalismo radiof\u00f4nico. Tr\u00eas anos depois o locutor Heron Domingues passa a apresentar o programa.<\/p>\n<p>Em 18 de abril de 1942 s\u00e3o inaugurados os novos est\u00fadios, no 21\u00ba andar. Com 486 lugares, as novas instala\u00e7\u00f5es traziam inova\u00e7\u00f5es como o piso flutuante sobre molas especiais do palco sinf\u00f4nico. No mesmo ano, a R\u00e1dio Nacional inaugurou a primeira emissora de ondas curtas do pa\u00eds passando a transmitir seus programas para todo o territ\u00f3rio nacional, o que a torna uma esta\u00e7\u00e3o ainda mais atrativa para os patrocinadores. Tamb\u00e9m \u00e9 lan\u00e7ada uma publica\u00e7\u00e3o semanal com a programa\u00e7\u00e3o da emissora. A capa traz, na maioria das vezes, a foto de cantores ou cantoras da Nacional.<\/p>\n<p>Em 1943, o programa \u201cUm Milh\u00e3o de Melodias\u201d estr\u00e9ia sob reg\u00eancia do maestro Radam\u00e9s Gnattali, tendo como patrocinador a Coca-Cola, que lan\u00e7a seu refrigerante no Pa\u00eds. Radam\u00e9s apresenta tamb\u00e9m \u201cA hist\u00f3ria do Rio pela M\u00fasica\u201d, \u201cClube dos Fantasmas e Vida Pitoresca\u201d e \u201cMusical dos Compositores da Nossa M\u00fasica Popular\u201d. Para o programa foi criada a Orquestra Brasileira, sob a reg\u00eancia de Radam\u00e9s.<\/p>\n<p>At\u00e9 meados de 50, o R\u00e1dio-Teatro Nacional j\u00e1 havia transmitido 861 novelas. A trajet\u00f3ria de crescimento segue pelas d\u00e9cadas. At\u00e9 que, em 1954, a TV a cores, inventada em 1940, entra em funcionamento.<\/p>\n<p><strong>Celebridades<\/strong><\/p>\n<p>Nos anos 40 e 50, o r\u00e1dio possu\u00eda glamour. Ser cantor ou ator de uma grande emissora carioca ou paulista era o suficiente para que o artista conseguisse sucesso em todo o pa\u00eds, obtivesse destaque na imprensa escrita e at\u00e9 mesmo freq\u00fcentasse os meios pol\u00edticos (como um convidado especial ou mesmo como candidato a algum cargo eletivo). <\/p>\n<p>Normalmente as turn\u00eas nacionais desses astros eram concorrid\u00edssimas. O maior sonho de muitos jovens de todo o pa\u00eds era o de se tornar artista de r\u00e1dio &#8211; seria o correspondente ao desejo de hoje de se tornarem artistas de televis\u00e3o. \u00c9 o caso, por exemplo, de Emilinha Borba, que em 1953 \u00e9 eleita a Rainha do R\u00e1dio e crava, definitivamente, seu nome na hist\u00f3ria da cultura brasileira.<\/p>\n<p><strong>Decl\u00ednio <\/strong><\/p>\n<p>Chega ao fim o apogeu do r\u00e1dio. Com a populariza\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o, no final da d\u00e9cada de 50, as r\u00e1dios s\u00e3o obrigadas a rever seus programas e redefinir objetivos. O decl\u00ednio da Nacional, que se iniciara com a inaugura\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o, acentuou-se de forma definitiva com o Golpe militar de 1964 que afastou 67 profissionais e colocou sob investiga\u00e7\u00e3o mais 81.<\/p>\n<p>Nos anos 60, o r\u00e1dio viveu tempos dif\u00edceis devido \u00e0 concorr\u00eancia mais ativa da televis\u00e3o. Os profissionais receberam propostas milion\u00e1rias para a \u00e9poca, para reeditar na telinha o sucesso do r\u00e1dio. Foi uma d\u00e9cada de esvaziamento do meio, que ficou mais pobre com o sumi\u00e7o dos grandes programas.<\/p>\n<p>Em 1972, os arquivos sonoros e partituras utilizadas em programas da R\u00e1dio foram doados ao Museu da Imagem e do Som (MIS). Durante as d\u00e9cadas de 1980 e 1990, o decl\u00ednio da Nacional se acentuou devido \u00e0 falta de investimentos e \u00e0 concorr\u00eancia cada vez maior da televis\u00e3o e tamb\u00e9m das r\u00e1dios FM. <\/p>\n<p>A emissora foi perdendo audi\u00eancia e deixando de disputar os primeiros lugares na prefer\u00eancia do p\u00fablico. Manteve, no entanto, durante todos esse anos, diversos programas tradicionais, apresentados por radialistas como Dayse Lucide e Gerdal dos Santos, que ainda conseguiam reunir a audi\u00eancia de ouvintes fi\u00e9is e saudosos dos tempos de gl\u00f3ria da emissora.<\/p>\n<p><strong>2004: a revitaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro ser\u00e1 reinaugurada no dia 3 de julho, quando terminam as obras de restaura\u00e7\u00e3o feita por meio de contrato firmado entre a Radiobr\u00e1s e a Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>O trabalhou come\u00e7ou no dia 5 de janeiro de 2004 e custar\u00e1 R$ 1,7 milh\u00e3o. A recupera\u00e7\u00e3o do famoso audit\u00f3rio, de est\u00fadios de r\u00e1dio e teatro, a constru\u00e7\u00e3o de novos e a restaura\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel onde est\u00e1 instalado o parque de transmissores de Ita\u00f3ca, no munic\u00edpio de S\u00e3o Gon\u00e7alo, fazem parte da reforma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das obras f\u00edsicas, o conv\u00eanio inclui a atualiza\u00e7\u00e3o da tecnologia da emissora com a aquisi\u00e7\u00e3o de novos equipamentos, como um transmissor de 50 quilowatts que ir\u00e1 substituir o antigo, de quase 30 anos. O novo aparelho far\u00e1 da Nacional a primeira r\u00e1dio digital AM do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 constru\u00eddo ainda o Museu R\u00e1dio Nacional e criada a Sociedade dos Amigos da R\u00e1dio Nacional, que ser\u00e1 um instrumento para o desenvolvimento do museu. A id\u00e9ia abrange tamb\u00e9m um restaurante que ser\u00e1 um ponto de encontro de cariocas e turistas.<\/p>\n<p><strong>R\u00e1dio-novelas<\/strong><\/p>\n<p>As r\u00e1dio-novelas inauguram tend\u00eancias e fazem escola. Tr\u00eas meses depois da inaugura\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Nacional, em 1936, s\u00e3o inclu\u00eddos trechos de r\u00e1dio-teatro entre os n\u00fameros musicais. Em 1937, \u00e9 inaugurado o \u201cTeatro em Casa\u201d para a transmiss\u00e3o de pe\u00e7as completas semanalmente. Mas \u00e9 em 1941, que vai ao ar a primeira r\u00e1dio-novela, \u201cEm busca da Felicidade\u201d, que dura tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>\u201cEm busca da felicidade\u201d \u00e9 uma hist\u00f3ria cubana escrita por Leandro Blanco e adaptada para o r\u00e1dio por Gilberto Martins. A r\u00e1dio-novela teria sido patrocinada pela \u201cStandart Propaganda\u201d, que escolhe o hor\u00e1rio matinal para seu lan\u00e7amento. Para captar os ouvintes, j\u00e1 que o hor\u00e1rio normalmente \u00e9 de baixa audi\u00eancia, teria resolvido oferecer brindes a quem enviasse um r\u00f3tulo do creme dental Colgate. J\u00e1 no primeiro m\u00eas de programa\u00e7\u00e3o, 48 mil ouvintes teriam enviado os r\u00f3tulos. A hist\u00f3ria \u00e9 contada ainda hoje e marca o uso de estrat\u00e9gias de marketing, n\u00e3o s\u00f3 no r\u00e1dio, mas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A segunda r\u00e1dio-novela a ir ao ar pela Nacional \u00e9 \u201cO Direito de Nascer\u201d, posteriormente adaptada \u00e0 televis\u00e3o. Com texto do escritor cubano, F\u00e9lix Caignet, o romance muda hor\u00e1rios e compromissos dos brasileiros, que n\u00e3o queriam perder nem um cap\u00edtulo e se torna um dos maiores sucessos radiof\u00f4nicos de todos os tempos.<\/p>\n<p>Era o in\u00edcio dessa mania brasileira, eternizada pelas TVs. A televis\u00e3o aprende com o r\u00e1dio como fazer novelas. A vers\u00e3o da TV Tupi de \u201cO Direito de Nascer\u201d, que vai ao ar em 1965, teria alcan\u00e7ado 73% de \u00edndice de audi\u00eancia no Rio de Janeiro. Anos mais tarde, j\u00e1 na d\u00e9cada de 90, ainda se pode observar o quanto a televis\u00e3o brasileira foi influenciada pelo r\u00e1dio. Basta lembrar que a maior batalha dominical pela audi\u00eancia \u00e9 travada pelos apresentadores Silvio Santos e Fausto Silva, ambos ex-radialistas.<\/p>\n<p>Outro destaque da programa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Nacional s\u00e3o os seriados &#8220;Ger\u00f4nimo, o her\u00f3i do sert\u00e3o&#8221; e &#8220;O Sombra&#8221;, inesquec\u00edveis pelos truques de sonoplastia. Pela R\u00e1dio Nacional passam atores como Walter D`\u00c1vila, M\u00e1rio Lago, Oduvaldo Viana, Paulo Gracindo e Henriqueta Brieba. O escritor, compositor e ator M\u00e1rio Lago \u00e9 um dos maiores respons\u00e1veis pelas adapta\u00e7\u00f5es feitas na Nacional.<\/p>\n<p><strong>Depoimentos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Roberto Salvador<\/strong><\/p>\n<p>Roberto Salvador \u00e9 professor de r\u00e1dio e televis\u00e3o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e no Centro Universit\u00e1rio Moacyr Bastos, tamb\u00e9m no Rio de Janeiro. Mas foi na R\u00e1dio Nacional que aprendeu o seu atual of\u00edcio. L\u00e1 entrou aos 13 anos, exatamente no dia 18 de setembro de 1952. Inicialmente, como r\u00e1dio-ator, fez pap\u00e9is infantis no programa Clube Juvenil Toddy. Ficou at\u00e9 acabar o programa, em 1957. Foi, ent\u00e3o, trabalhar nas r\u00e1dio-novelas e, posteriormente, no notici\u00e1rio Rep\u00f3rter Esso. <\/p>\n<p><strong>Estatal<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNo mesmo pr\u00e9dio onde est\u00e1 a R\u00e1dio hoje, tinha um jornal matutino, que se chamava \u201cA manh\u00e3\u201d e um vespertino chamado \u201cA Noite\u201d. O edif\u00edcio chama-se \u201cA Noite\u201d e a R\u00e1dio Nacional pertencia a esses jornais. No in\u00edcio, ela dava muito preju\u00edzo. Mas Get\u00falio Vargas sabia do poder e da for\u00e7a do r\u00e1dio. Como a R\u00e1dio estava em m\u00e1 situa\u00e7\u00e3o, ele a incorporou ao governo. Colocou, na dire\u00e7\u00e3o, Gilberto de Andrade e disse a ele: \u201co governo n\u00e3o quer dinheiro da R\u00e1dio Nacional. Ele quer o poder da R\u00e1dio, quer for\u00e7a, quer que a r\u00e1dio seja o porta-voz da cultura brasileira\u201d. Ent\u00e3o, Gilberto reuniu os diretores da Nacional e disse assim: \u201colha, a partir de agora, voc\u00eas podem gastar dinheiro \u00e0 vontade. Arranjem os anunciantes e tudo o que der de lucro \u00e9 para ser reinvestido na pr\u00f3pria r\u00e1dio\u201d. Ent\u00e3o, a r\u00e1dio come\u00e7ou a contratar tudo que existia de melhor, a comprar equipamentos mais modernos e se transformou, de imediato, na maior emissora da Am\u00e9rica Latina porque veio justamente para se produzir r\u00e1dio e n\u00e3o para dar lucro ao governo\u201d.<\/p>\n<p><strong>R\u00e1dio-novelas<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA R\u00e1dio Nacional tinha v\u00e1rios est\u00fadios. Cada programa, dependendo do perfil e formato, era transmitido em um ou em outro. Ent\u00e3o, t\u00ednhamos o \u201cgongo eletr\u00f4nico\u201d. Quando entrava uma novela no ar, o locutor que passava para o est\u00fadio de r\u00e1dio-teatro tinha que dizer a seguinte frase: \u201cNesse ponto, a R\u00e1dio Nacional passa a transmitir diretamente de seu est\u00fadio de r\u00e1dio-teatro\u201d e vinha o gongo eletr\u00f4nico, \u201cgooooo!!!!\u201d. O gongo era uma solenidade especial\u00edssima, que s\u00f3 a r\u00e1dio tinha. Esse gongo era a senha para que os ouvintes do Brasil inteiro aumentassem os seus volumes porque ia come\u00e7ar uma atra\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio-teatro. Era como uma senha, que ligava o Brasil inteiro em determinados hor\u00e1rios para a apresenta\u00e7\u00e3o dos cap\u00edtulos de novelas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Decad\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTrabalhei na R\u00e1dio at\u00e9 1962. Neste ano, ela j\u00e1 estava em processo de decad\u00eancia porque a televis\u00e3o come\u00e7ava a levar n\u00e3o s\u00f3 os artistas. Os grandes anunciantes da R\u00e1dio Nacional migraram para a televis\u00e3o e levaram tamb\u00e9m os seus grandes astros. O r\u00e1dio estava passando por profundas modifica\u00e7\u00f5es. Os programas de audit\u00f3rio j\u00e1 n\u00e3o tinham o apelo de antes e passaram a acontecer coisas muito desagrad\u00e1veis porque o perfil dos freq\u00fcentadores come\u00e7ou a mudar. Aquela rivalidade saud\u00e1vel que tinha entre as cantoras Marlene, Emilinha, \u00c2ngela Maria e Dalva de Oliveira, por exemplo, era extremamente saud\u00e1vel e bonita na \u00e9poca. Mas come\u00e7ou a descambar, o termo \u00e9 esse, para algo quase como um precursor dos momentos de viol\u00eancia que a gente foi viver nas d\u00e9cadas seguintes. A pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Nacional temia perder o controle da viol\u00eancia no seu audit\u00f3rio. Os programas come\u00e7aram a sofrer com isso e a dire\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ava a perder o pulso sobre esses freq\u00fcentadores. E come\u00e7ou a haver ent\u00e3o o esvaziamento dos pr\u00f3prios programas de audit\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Sonho de ser TV<\/strong><\/p>\n<p>\u201cUm outro fator importante foi a perda do canal de TV que a R\u00e1dio Nacional contava com muito entusiasmo. Era o famoso Canal 4, que acabou indo para as m\u00e3os da TV Globo. A r\u00e1dio perdeu seu canal e, progressivamente, seus patrocinadores e verbas publicit\u00e1rias para televis\u00e3o. N\u00e3o podendo mais arcar com o pagamento de artistas, que passaram a emigrar para a TV, houve necessidade de se rever o perfil da R\u00e1dio. A R\u00e1dio Tamoio foi pioneira ao rever o seu perfil. Ela se transformou exclusivamente em m\u00fasica. Mas a R\u00e1dio Nacional custou a acreditar que ia cair de seu pedestal\u201d.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter Esso<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Rep\u00f3rter Esso foi criado para dar not\u00edcias da guerra e tamb\u00e9m, na verdade, para atrair o povo brasileiro para a causa aliada porque o Get\u00falio, nesta \u00e9poca, estava ainda em cima do muro entre o nazifascismo e os americanos. Mas, depois, o Get\u00falio acabou se definindo contra o nazifascismo. Esse notici\u00e1rio n\u00e3o era redigido na R\u00e1dio Nacional, que fica ainda hoje na Pra\u00e7a Mau\u00e1. Era redigido na Cinel\u00e2ndia, que fica seguramente aos tr\u00eas quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Vinha um ciclista, um estafeta, subindo a Avenida Rio Branco e entregava o notici\u00e1rio, no 22\u00ba andar do edif\u00edcio \u201cA Noite\u201d, na R\u00e1dio Nacional, isso minutos antes do Rep\u00f3rter Esso entrar no ar. A \u00faltima not\u00edcia vinha por telefone porque, nesta \u00e9poca, n\u00e3o existia fax.<\/p>\n<p>Quando o Heron entrava no est\u00fadio para ler o Rep\u00f3rter Esso, cinco minutos antes, a \u00faltima not\u00edcia, \u00e0s vezes, ainda estava sendo preparada. O locutor lia o notici\u00e1rio de forma pausada e lia o comercial de forma pausada, que era de um produto Esso. Ele fazia ao mesmo tempo a revis\u00e3o da \u00faltima not\u00edcia que o redator havia depositado sobre a sua mesa no est\u00fadio. Ent\u00e3o ele parecia que tinha o c\u00e9rebro divido em duas partes. A parte esquerda lia o comercial e a parte direita fazia a revis\u00e3o da \u00faltima not\u00edcia. Isso eu o vi fazendo\u201d.<\/p>\n<p><strong>O fim da Guerra<\/strong><\/p>\n<p>Em 1945, quando a guerra acabou, os japoneses j\u00e1 estavam praticamente para se render. O Heron (referindo-se ao locutor Heron Domingues) mudou para a r\u00e1dio, botou cama de campanha, levou escova de dente, roupa e ficou morando na Radiobr\u00e1s. \u201cAcabou a guerra! Acabou a guerra! Acabou a guerra!\u201d. O Heron tinha este disco guardado, mostrou pra todo mundo e disse: \u201colha, se eu estiver l\u00e1 fora, voc\u00eas botam este disco\u201d. Assim foi, at\u00e9 que ele resolveu ir a um restaurante. Quando estava l\u00e1, escuta um foguet\u00f3rio na rua, chama o gar\u00e7om e diz: \u201co que est\u00e1 acontecendo?\u201d. A\u00ed o gar\u00e7om olhou pra ele, levou um susto: \u201cU\u00e9, o senhor n\u00e3o est\u00e1 sabendo!?. Acaba de dar no Rep\u00f3rter Esso que acabou guerra\u201d. Ele saiu esbaforido, pegou um t\u00e1xi e veio para a r\u00e1dio e ai sim, em sucessivas edi\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias, ele come\u00e7ou a dar detalhes da rendi\u00e7\u00e3o japonesa.<\/p>\n<p>Acontece, que na hora que vieram os telegramas dizendo que os japoneses tinham assinado a rendi\u00e7\u00e3o, procura daqui, cad\u00ea o disco?. Nesta hist\u00f3ria toda, a R\u00e1dio Tupi, com o locutor D\u00e9rcio Luiz, deu a not\u00edcia primeiro. Acontece que o povo n\u00e3o acreditou. Muita gente dizia \u201cOlha, escutei na R\u00e1dio Tupi. Mas s\u00f3 acredito quando der no Rep\u00f3rter Esso\u201d. Tamanha era a credibilidade do notici\u00e1rio do Esso. Isso \u00e9 hist\u00f3rico. Foi um fato marcante. Enquanto o Rep\u00f3rter Esso n\u00e3o deu, o p\u00fablico n\u00e3o acreditou. Isso, na \u00e9poca, foi muito comentado. Teve at\u00e9 um jornal que disse assim: \u201cA guerra s\u00f3 acabou depois que o Rep\u00f3rter Esso noticiou\u201d.<\/p>\n<p><strong>Luiz Carlos Saroldi<\/strong><\/p>\n<p>Professor, escritor e radialista, um dos autores do livro \u201cR\u00e1dio Nacional: o Brasil em Sintonia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Um fen\u00f4meno<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA R\u00e1dio Nacional est\u00e1 muito ligada \u00e0 emo\u00e7\u00e3o do brasileiro, n\u00e3o s\u00f3 pelo lado musical e das novelas, que eram lacrimog\u00eaneas, melodramas sem pretens\u00e3o \u00e0 grande literatura. Mas a R\u00e1dio Nacional capitalizou at\u00e9 mesmo o sentido de unidade nacional, de integra\u00e7\u00e3o dos brasileiros com o Brasil e at\u00e9 dos estrangeiros com o Brasil porque usando ondas curtas, tamb\u00e9m mandou pra fora do pa\u00eds todo o seu som e tudo aquilo que fazia.A R\u00e1dio foi realmente muito importante, foi um grande fen\u00f4meno. Talvez o \u00fanico fen\u00f4meno parecido com o da R\u00e1dio Nacional, foi o da Revista Cruzeiro, dos Di\u00e1rios Associados, que se preocupava com a fotografia, que mostrava muito o Brasil para os brasileiros. A Nacional mostrava o Brasil para os brasileiros de uma maneira at\u00e9 mais sugestiva porque era sem imagem, s\u00f3 o som\u201d.<\/p>\n<p><strong>Na\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201cGet\u00falio Vargas percebeu, antes mesmo de ser presidente, que a m\u00fasica popular era importante. Quando ainda era deputado, em 1928, fez uma lei, conhecida como Lei Get\u00falio Vargas, regulamentando o uso da m\u00fasica nos lugares p\u00fablicos e defendendo os direitos autorais dos compositores. Antes mesmo que se fosse um grande assunto, que se falasse muito nisso, ele j\u00e1 estava se antecipando. Em 1931, Vargas lan\u00e7a o primeiro decreto que vai regulamentar as normas t\u00e9cnicas para a concess\u00e3o de emissoras. Em seguida, em 32, lan\u00e7a um decreto regulamentando a publicidade no r\u00e1dio, que n\u00e3o era permitida. A partir disso, \u00e9 que o r\u00e1dio realmente ganha for\u00e7a porque descobre que n\u00e3o pode viver s\u00f3 da contribui\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios, que pagavam uma quantia de 5 mil R\u00e9is na \u00e9poca. E v\u00e3o buscar, no mercado publicit\u00e1rio, patroc\u00ednios para as r\u00e1dios poderem sobreviver e pagar algum tipo de cach\u00ea aos seus artistas\u201d.<\/p>\n<p><strong>An\u00fancios<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAntes do decreto, os anunciantes n\u00e3o acreditavam muito no an\u00fancio radiof\u00f4nico, acreditavam mais na imagem, nos outdoors e no an\u00fancio da revista. Quando o r\u00e1dio come\u00e7a a procurar o anunciante, esse anunciante fica meio indeciso, se vale a pena botar dinheiro numa coisa que \u00e9 s\u00f3 falada. Mas ai, um homem aparece, e se torna um grande vendedor. Era Ademar Case, que come\u00e7a pela R\u00e1dio Phillips e sai em campo procurando patrocinadores. Mas, onde a coisa vai tomar impulso e seriedade, \u00e9 na R\u00e1dio Nacional, em 1936, quando ela \u00e9 lan\u00e7ada pelo Jornal \u201c\u00c0 Noite\u201d, no alto daquele pr\u00e9dio da Pra\u00e7a Mau\u00e1, que era sempre majestoso, um arranha c\u00e9u, o primeiro da Am\u00e9rica Latina e o \u00fanico da cidade. Ele se destacava quase tanto quanto o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar. A R\u00e1dio Nacional vai tentar chamar a aten\u00e7\u00e3o para \u00e0quela emissora. E chamou at\u00e9 nas menores coisas. Um vidro enorme que eles compraram para botar no audit\u00f3rio era da Tchecoslov\u00e1quia, chegou de navio e teve que subir pelo lado de fora, levantado por cabos e a multid\u00e3o ficou olhando aquela coisa\u201d.<\/p>\n<p><strong>Marketing<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs anunciantes come\u00e7am a botar dinheiro mas depois acharam que, em certos bairros, a R\u00e1dio n\u00e3o era ouvida. Ent\u00e3o, come\u00e7aram a retrair a publicidade. Get\u00falio Vargas, 4 anos depois, em 1940, nomeou como diretor, Gilberto de Andrade. Ele j\u00e1 sabia de todos os defeitos t\u00e9cnicos. A r\u00e1dio ia futuramente partir para o mercado, procurar patrocinadores para ganhar dinheiro e reinvestir no crescimento e aperfei\u00e7oamento da pr\u00f3pria r\u00e1dio. A primeira coisa que eles fazem \u00e9 mudar os transmissores de lugar, botar antenas novas, conseguir dinheiro para colocar transmissores de ondas curtas e, dois anos depois, inaugurar o audit\u00f3rio de quatrocentos e oitenta e poucos lugares, ningu\u00e9m tinha um audit\u00f3rio daquele tamanho. Com isso a r\u00e1dio ganhou seriedade e uma administra\u00e7\u00e3o inteligente, no sentido moderno, at\u00e9 de marketing. Montam um servi\u00e7o de estat\u00edstica para descobrir qual dos artistas do elenco recebiam o maior n\u00famero de cartas, qual dos programas interessavam mais ao p\u00fablico porque n\u00e3o existia o Ibope naquela \u00e9poca\u201d.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Ramos Tinhor\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O jornalista Jos\u00e9 Ramos Tinhor\u00e3o \u00e9 um dos principais pesquisadores da m\u00fasica popular brasileira. Nascido em 1928, em Santos, Tinhor\u00e3o reuniu um acervo de mais de 7 mil livros e revistas sobre m\u00fasica, al\u00e9m de 10 mil discos, entre 78 rota\u00e7\u00f5es e LPs. O pesquisador \u00e9 autor de livros essenciais para entender a hist\u00f3ria da cultura do pa\u00eds, entre eles \u201cA m\u00fasica popular no romance brasileiro\u201d, \u201cHist\u00f3ria social da m\u00fasica popular brasileira\u201d, \u201cE o samba agora vai&#8230;\u201d e \u201cCultura popular: temas e quest\u00f5es\u201d. <\/p>\n<p><strong>Fun\u00e7\u00e3o unificadora<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO papel da R\u00e1dio Nacional foi muito importante. Em primeiro lugar, como ela tinha mais pot\u00eancia do que as outras, ela era ouvida em todo o Brasil. Ent\u00e3o come\u00e7a por cumprir um papel de pol\u00edtica cultural, ou seja, passa a ter um papel unificador. Dentro de um conceito moderno, ela n\u00e3o unificava o Brasil a partir de uma cultura regional e, sim, a partir de um produto de cultura de massa que eram as chamadas \u2018m\u00fasicas de sucesso\u2019. Consagrava artistas em programas de audit\u00f3rios que se tornavam \u00eddolos nacionais, como Emilinha Borba e outras. Isso tudo quando j\u00e1 existia a influ\u00eancia da m\u00fasica estrangeira que se acentua com a Segunda Guerra Mundial. A R\u00e1dio Nacional mantinha programas com artistas brasileiros. Lan\u00e7ou toda a m\u00fasica brasileira produzida pelas f\u00e1bricas, como RCA Victor e a Odeon. Esse papel ningu\u00e9m pode tirar da R\u00e1dio Nacional. Ela marca um momento de consci\u00eancia nacional das massas urbanas. Ela \u00e9 ouvida nos n\u00facleos urbanos j\u00e1 mais desenvolvidos que tinham luz el\u00e9trica, pessoas que podiam comprar aparelhos de r\u00e1dio para ter em casa. A R\u00e1dio Nacional contribui para uma tentativa de criar um car\u00e1ter nacional, que era o objetivo do Get\u00falio Vargas no Estado Novo, que deixava as pol\u00edticas regionais da Primeira Rep\u00fablica para uma pol\u00edtica centralizada. E a R\u00e1dio Nacional representa a contrapartida cultural dessa proposta de centraliza\u00e7\u00e3o do governo Vargas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Artistas<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNaquela \u00e9poca, esses chamados \u00eddolos de massas na m\u00fasica popular eram chamados de \u2018cartazes\u2019. Por exemplo, Orlando Silva aparece como grande cartaz, Francisco Alves tamb\u00e9m. Lan\u00e7a, inclusive, \u00eddolos fabricados, como Cauby Peixoto. \u00c9 o extremo da profissionaliza\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da m\u00fasica de consumo. Existiam programas com pr\u00eamios e \u00e0s vezes os caminh\u00f5es da R\u00e1dio Nacional iam fazer os programas nos bairros e nos cinemas. Eles congregavam a pr\u00f3pria cidade. N\u00e3o era um neg\u00f3cio isolado na Pra\u00e7a Mau\u00e1. tinha programas que iam para os bairros, faziam sorteios em cima do caminh\u00e3o com equipamento transmitindo ao vivo. Foi uma coisa muito rica. O Brasil come\u00e7a imitando o r\u00e1dio americano e depois faz coisas que eles nunca fizeram como fazer o programa numa pra\u00e7a de um bairro\u201d.<\/p>\n<p><strong>Programa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNa \u00e9poca, a R\u00e1dio Nacional n\u00e3o era s\u00f3 vitrol\u00e3o. Existiam os programas ao vivo com os cantores, como o programa do Francisco Alves ao meio dia de domingo. Havia orquestras diferentes para quatro maestros diferentes. Era o maior quadro de m\u00fasicos contratados do Brasil. Voc\u00ea tinha uma orquestra sobre a reg\u00eancia do maestro Lazoli, outra sobre a reg\u00eancia dos dois irm\u00e3os Gnattali, era uma coisa fant\u00e1stica, uma experi\u00eancia \u00fanica e irreproduz\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p><strong>Arquivos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQuando a R\u00e1dio Nacional entra em decad\u00eancia, n\u00e3o havia essa mentalidade. O Sergio Cabral (jornalista e pesquisador musical) conta que um dia ele foi ao banheiro da R\u00e1dio Nacional e l\u00e1 estavam pilhas de disco de 78 rota\u00e7\u00f5es. Eu pergunto: onde \u00e9 que est\u00e3o aquelas milhares de partituras manuscritas dos maestros da Radio Nacional? Se voc\u00ea pusesse em ordem cronol\u00f3gica os manuscritos do Radam\u00e9s Gnattali e outros maestros da Radio Nacional, ter\u00edamos uma id\u00e9ia da evolu\u00e7\u00e3o dos arranjos e da instrumenta\u00e7\u00e3o de musica popular para orquestra. Isso sumiu tudo. Existem algumas fitas, mas se voc\u00ea considerar que ela levou anos, fazendo horas e horas di\u00e1rias de programa\u00e7\u00e3o musical, isso praticamente \u00e9 uma gota d\u2019\u00e1gua no oceano\u201d.<\/p>\n<p>Emissora de R\u00e1dio criada no Rio de Janeiro em 1936 a partir da compra da R\u00e1dio Philips, por 50 contos de r\u00e9is. Seu primeiro prefixo, &#8220;Luar do sert\u00e3o&#8221;, de Jo\u00e3o Pernambuco e Catulo da Paix\u00e3o Cearense, era tocado em vibrafone por Luciano Perrone e em seguida um locutor anunciava o prefixo da emissora: PRE-8.<br \/>\nNesse ano mesmo, come\u00e7ou a apresentar pequenas cenas de r\u00e1dio-teatro intercalados com n\u00fameros musicais. Foi nos anos 1940 e 1950 a principal emissora do pa\u00eds e verdadeiro s\u00edmbolo da chamada &#8220;Era do R\u00e1dio&#8221;. Em 1937, foi inaugurado o &#8220;Teatro em Casa&#8221; para a irradia\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as completas, semanalmente. Sua programa\u00e7\u00e3o ao vivo passou depois a ser retransmitida para todo o pa\u00eds, o que a tornou uma pioneira na integra\u00e7\u00e3o cultural do pa\u00eds. Seus programas de audit\u00f3rio, radionovelas, programas humor\u00edsticos e musicais marcaram a Hist\u00f3ria do R\u00e1dio no Brasil. <\/p>\n<p>Foi l\u00edder de audi\u00eancia praticamente desde a funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 que o aparecimento da TV ditasse novos rumos para a comunica\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Seus programas eram transmitidos diretamente dos muitos est\u00fadios espec\u00edficos, inclusive do audit\u00f3rio da R\u00e1dio, todos localizados nos tr\u00eas \u00faltimos andares do edif\u00edcio &#8220;A Noite&#8221;, Pra\u00e7a Mau\u00e1, 7, Rio de Janeiro. Se seus programas de humor, suas radionovelas, seus programas notici\u00e1rios e os esportivos viraram modelo para muitas outras R\u00e1dios do pa\u00eds, foi fundamental tamb\u00e9m para o desenvolvimento da m\u00fasica popular brasileira. Os primeiro nomes de cantores a formar seu casting foram Sonia Carvalho, Elisinha Coelho, Silvinha Melo, Orlando Silva, Nuno Roland, Aracy de Almeida e Mar\u00edlia Batista. Segundo depoimento do radialista e compositor Haroldo Barbosa ao pesquisador Luis Carlos Saroldi, &#8220;Nos primeiros anos, a R\u00e1dio Nacional apresentava uma estrutura muito simples: uma se\u00e7\u00e3o art\u00edstica e uma se\u00e7\u00e3o administrativa, nada mais que isso. A emissora contava com menos de 30 pessoas para cantar, executar m\u00fasicas, contabilizar e realizar outras tarefas menores&#8221;. <\/p>\n<p>As r\u00e1dionovelas da emissora marcaram \u00e9poca a partir da primeira transmitida em 1941, &#8220;Em busca da felicidade&#8221;, que durou tr\u00eas anos, at\u00e9 &#8220;O direito de nascer&#8221;, que chegou a mudar h\u00e1bitos das pessoas que tinham compromisso marcado com as transmiss\u00f5es dessa radionovela, posteriormente adaptada para a televis\u00e3o. At\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1950, o R\u00e1dio-Teatro Nacional irradiou 861 novelas, as mais ouvidas do r\u00e1dio brasileiro, segundo as mais seguras pesquisas de audi\u00eancia. Pode-se observar que a m\u00fasica popular brasileira foi uma antes e outra depois da Nacional, que se transformou numa verdadeira criadora de \u00eddolos atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de concursos como &#8220;A Rainha do R\u00e1dio&#8221;, que consagrou diversas cantoras, como Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira e \u00c2ngela Maria. <\/p>\n<p>Um dos cantores que ficou marcado como s\u00edmbolo dessa era foi Cauby Peixoto, que enchia o audit\u00f3ria da R\u00e1dio em suas apresenta\u00e7\u00f5es. Em 1936, Linda Batista foi eleita a primeira &#8220;Rainha do R\u00e1dio&#8221;, permanecendo no posto por doze anos. Em 1938, Almirante estreou o primeiro programa de montagem, ou montado, que foi &#8220;Curiosidades musicais&#8221;, sob o patroc\u00ednio dos produtos Eucalol. O mesmo artista lan\u00e7ou no mesmo ano o primeiro programa de brincadeiras de audit\u00f3rio, o &#8220;Caixa de perguntas&#8221;. Outro programa de destaque na emissora surgido no mesmo per\u00edodo foi &#8220;Instant\u00e2neos sonoros brasileiros&#8221;, produzido por Jos\u00e9 Mauro com dire\u00e7\u00e3o musical de Radam\u00e9s Gnattali, regente da orquestra. Em 1939, Lamartine Babo passou a apresentar o programa &#8220;Vida pitoresca e musical dos compositores&#8221;. <\/p>\n<p>Em 1940, a R\u00e1dio Nacional passou a fazer parte do Patrim\u00f4nio Nacional, a partir de decreto assinado pelo presidente Get\u00falio Vargas, sendo ent\u00e3o, dirigida por Gilberto de Andrade, que tratou de dar uma nova cara \u00e0 programa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio, no que muito foi auxiliado pelo radialista Jos\u00e9 Mauro, irm\u00e3o do cineasta Humberto Mauro. No ano seguinte, passou a ser apresentado o noticioso &#8220;Reporter Esso&#8221;, marco do jornalismo radiof\u00f4nico e que passaria a ter como apresentador tr\u00eas anos depois o locutor Heron Domingues. O prefixo do &#8220;Reporter Esso&#8221; foi escrito pelo maestro Carioca e executado por Luciano Perrone na bateria, Carioca no trombone e Francisco Sergio e Marino Pissiani nos pistons. <\/p>\n<p>A R\u00e1dio Nacional foi a primeira emissora do Brasil a organizar uma reda\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para notici\u00e1rios, com a rotina de um grande jornal di\u00e1rio impresso. A emissora da Pra\u00e7a Mau\u00e1 possu\u00eda construiu uma divis\u00e3o de r\u00e1dio-jornalismo com mais de uma dezena de redatores, secret\u00e1rios de reda\u00e7\u00e3o, r\u00e1dio- rep\u00f3rteres, informantes e outros auxiliares, al\u00e9m de uma sess\u00e3o de divulga\u00e7\u00e3o e uma sess\u00e3o de esportes completa, e um boletim de not\u00edcias em idioma estrangeiro, que cobria todo o continente. Em 18 de abril de 1942, foram inaugurados os novos est\u00fadios da R\u00e1dio Nacional, no vis\u00e9gimo primeiro andar do edif\u00edcio &#8220;A Noite&#8221;. <\/p>\n<p>Com 486 lugares, as novas instala\u00e7\u00f5es traziam inova\u00e7\u00f5es como o piso flutuante sobre molas especiais do palco sinf\u00f4nico. Ainda em 1942, Almirante estreou o programa &#8220;A hist\u00f3ria do Rio pela m\u00fasica&#8221;. Nesse ano iniciou-se uma publica\u00e7\u00e3o semanal com a programa\u00e7\u00e3o da emissora e cuja capa na maioria das vezes estampava a foto de cantores ou cantoras ligados \u00e0 emissora. Tamb\u00e9m nesse ano, as ondas curtas da PRE-8 passaram a ser ouvidas em v\u00e1rios pa\u00edses. <\/p>\n<p>Em 1943, a programa\u00e7\u00e3o da emissora tomou impulso com a estr\u00e9ia do programa &#8220;Um milh\u00e3o de melodias&#8221;, patrocinado pelo refrigerante Coca-Cola, que estava sendo lan\u00e7ado no Brasil. Para esse programa foi criada a Orquestra Brasileira, com dire\u00e7\u00e3o de Radam\u00e9s Gnatalli. O repert\u00f3rio do programa apresentava duas m\u00fasicas brasileiras atuais, duas antigas e tr\u00eas m\u00fasicas estrangeiras de grande sucesso. A Orquestra Brasileira de Radam\u00e9s Gnatalli era formada pela mescla de grandes m\u00fasicos como Luciano Perrone na bateria, vibrafone e t\u00edmpano, Chiquinho no Acorde\u00e3o, Vidal no contrabaixo, Garoto e Bola Sete nos viol\u00f5es, Jos\u00e9 Meneses no cavaquinho, al\u00e9m dos m\u00fasicos da velha guarda do samba carioca como Jo\u00e3o da Baiana no pandeiro, Bide no ganz\u00e1 e Heitor dos Prazeres tocando prato e faca e caixeta.Tamb\u00e9m para atuar no programa foram criados os Trios Melodia e As Tr\u00eas Marias. Nesse ano, estreou com grande sucesso o programa &#8220;Trem da alegria&#8221;, apresentado pelo Trio de Osso, formado por Heber de B\u00f3scoli, Yara Sales e Lamartine Babo. <\/p>\n<p>Entre as muitas inova\u00e7\u00f5es surgidas na R\u00e1dio Nacional e que influ\u00edram no pr\u00f3prio desenvolvimento da m\u00fasica popular brasileira est\u00e3o os arranjos para pequenos conjuntos, trios e quartetos de Radam\u00e9s Gnattali e os acompanhamentos r\u00edtmicos do baterista Luciano Perrone que causaram uma pequena revolu\u00e7\u00e3o no samba orquestrado feito at\u00e9 ent\u00e3o. Foi Luciano Perrone quem sugeriu a Radam\u00e9s Gnatalli a utiliza\u00e7\u00e3o dos metais, at\u00e9 ent\u00e3o com fun\u00e7\u00f5es exclusivamente mel\u00f3dicas, como mais um elemento de fun\u00e7\u00e3o r\u00edtmica na interpreta\u00e7\u00e3o dos sambas gravados. Na d\u00e9cada de 1940, pelo menos tr\u00eas dos maiores cantores brasileiros eram contratados da R\u00e1dio Nacional: Francisco Alves, S\u00edlvio Caldas e Orlando Silva. Ainda em 1943, estreou na R\u00e1dio Nacional o sanfoneiro Luiz Gonzaga que inspirado no sanfoneiro Pedro Raimundo que se vestia com trajes t\u00edpicos do sul, resolveu vestir-se com trajes t\u00edpicos do nordeste e dessa forma passou a divulgar a m\u00fasica e a cultura nordestinas. Em 1946, um dos maiores sucessos musicais foi o samba-can\u00e7\u00e3o &#8220;Fracasso&#8221;, de M\u00e1rio Lago gravado por Francisco Alves e tema extra\u00eddo da radionovela com o mesmo t\u00edtulo. <\/p>\n<p>Nesse ano, a R\u00e1dio Nacional inovou na forma de transmitir partidas de futebol, adotando o chamado &#8220;sistema duplo&#8221;, que dividia o campo de jogo em dois setores, cada qual com um locutor acompanhando de prefer\u00eancia o ataque de cada um dos times. O &#8220;sistema duplo&#8221; foi inspirado no ent\u00e3o moderno m\u00e9todo de arbitragem em trio, com os bandeirinhas colocados em \u00e2ngulos opostos. A d\u00e9cada de 1950 ficou marcada pela acirrada competi\u00e7\u00e3o pelo t\u00edtulo de &#8220;Rainha do R\u00e1dio&#8221; que envolveu em disputas memor\u00e1veis cantoras como Emilinha Borba, Marlene e \u00c2ngela Maria. Nessa d\u00e9cada, os programas de audit\u00f3rio da emissora tornaram-se t\u00e3o concorridos que era cobrado ingresso at\u00e9 para assistir os programas em p\u00e9. Outra disputa musical que marcou \u00e9poca no Rio de Janeiro, tendo a R\u00e1dio Nacional como centro, era a da divulga\u00e7\u00e3o de marchas e sambas carnavalescos, dos quais um dos muitos destaques foi o cantor e compositor Blecaute, sempre presente aos programas de audit\u00f3rio da R\u00e1dio. <\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo fizeram parte o &#8220;cast&#8221; da emissora artistas que marcaram a m\u00fasica popular brasileira como: Orlano Silva, Ataulfo Alves, Carlos Galhardo, Linda Batista, Luiz Gonzaga, Carmen Costa, Nelson Gon\u00e7alves, Nuno Roland, Paulo Tapaj\u00f3s, Albertinho Fortuna, Carm\u00e9lia Alves, Luiz Vieira, Zez\u00e9 Gonzaga, Gilberto Milfont, Heleninha Costa, Ademilde Fonseca, Bidu Reis, Nora Ney, Jorge Goulart, Neuza Maria, Adelaide Chiozzo, Jorge Fernandes, Dolores Duran, Lenita Bruno, Carminha Mascarenhas, Violeta Cavalc\u00e2nti, Vera L\u00facia, etc. <\/p>\n<p>Em 1948, Dircinha Batista foi eleita &#8220;Rainha do R\u00e1dio&#8221; substituindo a irm\u00e3 Linda Batista. No ano seguinte, teve in\u00edcio a eletrizante disputa pelo t\u00edtulo de &#8220;Rainha o R\u00e1dio&#8221; entre as cantoras Emilinha Borba e Marlene. Esta \u00faltima, foi eleita no ano seguinte com o apoio da Companhia Ant\u00e1rtica Paulista, que lan\u00e7ava o Guaran\u00e1 Ca\u00e7ula e fez dela sua garota propaganda, tendo o total de 529.982 votos. Marlene repetiu o feito no ano seguinte. <\/p>\n<p>Em 1952 e 1953, a Rainha foi Mary Gon\u00e7alves. Por volta de 1950 foi criado na emissora o Departamento de M\u00fasica Brasileira, que obteve um de seus maiores \u00eaxitos no ano seguinte no programa &#8220;Cancioneiro Rayol&#8221; com a s\u00e9rie &#8220;No mundo do bai\u00e3o&#8221;, apresentada pelo radialista Paulo Roberto. A chefia do Departamento de M\u00fasica Brasileira foi entregue inicialmente ao compositor Humberto Teixeira. Outro programa musical ligado ao departamento de M\u00fasica Brasileira e que fez muito sucesso foi &#8220;Lira de Xopot\u00f3&#8221;, apresentado pelo radialista Paulo Roberto e que incentivava as bandas do interior que apresentavam m\u00fasicas com arranjos do maestro L\u00edrio Panicali. Igualmente Programa marcante dessa \u00e9poca foi &#8220;M\u00fasica em surdina&#8221;, criado por Paulo Tapaj\u00f3s e apresentado em est\u00fadio no final da noite por Chiquinho, no acordeom, Garoto, ao viol\u00e3o e Faf\u00e1 Lemos ao violino, interpretando um repert\u00f3rio ecl\u00e9tico e que deu ensejo ao sugimento do Trio Surdina. <\/p>\n<p>O violinista Garoto por sinal, foi um dos artistas que se destacou na R\u00e1dio Nacional nos anos 1950, quando passou por diferentes grupos nos seus dez anos de perman\u00eancia na programa\u00e7\u00e3o. Atuou na Orquestra Brasileira de Radam\u00e9s Gnattali e pelo Bossa Clube ao lado de Luis Bittencourt, Luis Bonf\u00e1, Valzinho, Bide, Sebasti\u00e3o Gomes e Hanestaldo. Ainda na d\u00e9cada de 1950, destacaram-se os programas &#8220;Sua excel\u00eancia a m\u00fasica&#8221; e &#8220;Quando os maestros se encontram&#8221;. <\/p>\n<p>Esse \u00faltimo reunia cinco arranjadores da emissora, quase sempre os maestros Alexandre Gnattali, L\u00edrio Panicali, Alberto Lazzoli, L\u00e9o Peracchi e Alceo Bocchino. Ainda no come\u00e7o da d\u00e9cada houve a tentativa frustada de criar o selo Nacional para grava\u00e7\u00e3o de discos que ficou apenas no primeiro, com Manezinho Ara\u00fajo gravando o bai\u00e3o &#8220;Torei o pau&#8221;, de Luiz Bandeira e a marcha &#8220;Um cheirinho s\u00f3&#8221;, de Manezinho Ara\u00fajo e Armando Rosas. Destacaram-se tamb\u00e9m nessa d\u00e9cada in\u00fameros programas mistos como &#8220;Coisas do Arco da Velha&#8221;, de Floriano Faissal; &#8220;Gente que brilha&#8221; e &#8220;Nada al\u00e9m de 2 minutos&#8221;, de Paulo Roberto; &#8220;Clube das donas de casa&#8221;, de Lourival Marques; &#8220;Grande espet\u00e1culo Brahma&#8221;, de Mario Meira Guimar\u00e3es; &#8220;Hoje tem espet\u00e1culo&#8221;, de Paulo Gracindo; &#8220;M\u00fasica e beleza&#8221;, de Roberto Faissal; &#8220;Nova Historia do Rio pela m\u00fasica&#8221; e &#8220;Recolhendo o folclore&#8221;, de Almirante; &#8220;Passatempo Gessy&#8221;, de Jota Rui; &#8220;R\u00e1diosemana&#8221;, de H\u00e9lio do Soveral; &#8220;Roteiro 21&#8221;, de Dinarte Armando; &#8220;Seu criador Superflit&#8221;, de Lourival Marques e &#8220;Todos cantam sua terra&#8221;, de Dias Gomes. Entre os programas de R\u00e1dio-teatro merecem cita\u00e7\u00e3o, &#8220;A vida que a gente leva&#8221; e &#8220;Boa tarde, madame&#8221;, com Lucia Helena; &#8220;Consult\u00f3rio sentimental&#8221;, com Helena Sangirardi; &#8220;Divertimentos Brankiol&#8221;, com Ary Picaluga; &#8220;Edif\u00edcio Balan\u00e7a mas n\u00e3o cai&#8221;, com Paulo Gracindo; &#8220;Grande Teatro De Milus&#8221;, com Dias Gomes; &#8220;Jararaca e Ratinho&#8221;, com Joe Lester; &#8220;Marlene meu bem&#8221;, com M\u00e1rio Lago; &#8220;Os grandes amores da Hist\u00f3ria&#8221;, com Saint Clair Lopes; &#8220;Sabe da \u00faltima?&#8221;, com Rui Amaral e &#8220;Tancredo e Trancado&#8221;, com Ghiaroni. <\/p>\n<p>Em 1951, Paulo Tapaj\u00f3s criou o programa &#8220;A turma do sereno&#8221;, de grande sucesso e no qual um repert\u00f3rio de serestas era apresentado por Abel Ferreira no clarinete, Irany Pinto no violino, Jo\u00e3o de Deus na flauta, Sandoval Dias no clarone, Waldemar de Melo no cavaquinho e Carlos Lentini e Rubem Bergman nos viol\u00f5es. ]<\/p>\n<p>Segundo as palavras de Paulo Tapaj\u00f3s, o programa &#8220;Turma do sereno ocupava apenas um cavaquinho, uma flauta, um clarinete, um clarone e um violino, al\u00e9m dos cantores e outros solistas convidados. A &#8220;Turma do sereno&#8221; era o reencontro da m\u00fasica com a rua mal iluminada pelo lampi\u00e3o a g\u00e1s, era o momento em que a gente imaginava que numa esquina de rua encontravam-se os velhos amigos para fazer choro, para cantar valsas e modinhas; era a oportunidade da gente tirar dos velhos ba\u00fas alguns xotes, maxixes, polcas, j\u00e1 um tanto amarelados&#8221;. Nos anos de 1953 e 1954, a cantora Emilinha Borba foi eleita &#8220;Rainha do R\u00e1dio&#8221;. Nos dois anos seguinte, a consagrada foi \u00c2ngela Maria que chegou a obter o total de 1.464.996 votos. Em 1955, o radialista Almirante retornou \u00e0 R\u00e1dio Nacional e criou os programas &#8220;A nova hist\u00f3ria do Rio pela m\u00fasica&#8221; e &#8220;Recolhendo o folclore&#8221;. Por essa \u00e9poca, Renato Murce apresentou o programa &#8220;Alma do sert\u00e3o&#8221;, um dos maiores sucessos entre os programas sertanejos. Em 1959, o cantor e compositor Z\u00e9 Prax\u00e9di passou a apresentar diariamente o programa &#8220;Alvorada sertaneja&#8221;. <\/p>\n<p>Um dos mais famosos programas da d\u00e9cada de 1950 foi o &#8220;Programa C\u00e9sar de Alencar&#8221;, que comemorou os dez anos no ar com um show para 20 mil pessoas no Maracan\u00e3zinho. Outros programas com animadores ficaram tamb\u00e9m c\u00e9lebres, como os de Paulo Gracindo e Manoel Barcelos. Outro estaque de sua hist\u00f3ria, foi o est\u00fadio para r\u00e1dio novelas e seriados diversos , como &#8220;Ger\u00f4nimo, o her\u00f3i do sert\u00e3o&#8221; e &#8220;O Sombra&#8221;, onde os truques de sonoplastia ficaram c\u00e9lebres especialmente os truques do sonotecnico Edmo do Valle. Entre os programas de audit\u00f3rio apresentados na R\u00e1dio na d\u00e9cada de 1950 podemos destacar: &#8220;Alegria, meus senhores&#8221; e &#8220;Este mundo \u00e9 uma bola&#8221;, apresentados por Fernando Lobo; &#8220;Al\u00f4, mem\u00f3ria&#8221;, &#8220;Dr. Infezulino&#8221; e &#8220;Enquanto o mundo gira&#8221;, apresentados por Paulo Gracindo; &#8220;Ganha tempo Duchen&#8221;, &#8220;O Cartaz da Semana&#8221; e &#8220;Parada dos Maiorais&#8221;, com H\u00e9lio do Soveral; &#8220;Nas asas da can\u00e7\u00e3o&#8221;, com Dinarte Armando; &#8220;Qualquer semelhan\u00e7a \u00e9 mera coincid\u00eancia&#8221;, com Waldir Buentes; &#8220;Papel Carbono&#8221;, Renato Murce e &#8220;Placar musical&#8221;, com Nestor de Holanda Cavalc\u00e2nti. Entre os programas musicais tamb\u00e9m merecem destaque, &#8221; A can\u00e7\u00e3o da lembran\u00e7a&#8221;, com Lourival Marques; &#8220;Audi\u00e7\u00f5es Cauby Peixoto&#8221;, apresentado por M\u00e1rio Lago; &#8220;Audi\u00e7\u00f5es Orlando Silva&#8221;, com Ghiaroni; &#8220;Cancioneiro Royal&#8221;, com Paulo Tapaj\u00f3s; &#8220;Cancioneiro rom\u00e2ntico&#8221;, com Rui Amaral; &#8220;Carrossel musical&#8221;, com Ouranice Franco; &#8220;Clube do samba&#8221; e &#8220;Pelas estradas do mundo&#8221;, com Fernando Lobo; &#8220;Fama e popularidade&#8221;, com Oswaldo Elias; &#8220;Festivais G. E.&#8221;, com Leo Peracchi; &#8220;Festivais de gaitas&#8221;, com Cahu\u00ea Filho; &#8220;Hor\u00e1rio dos cartazes&#8221;, com Almeida Rego e &#8220;Prefer\u00eancias musicais&#8221;, com Dinarte Armando. Dentre seus muitos locutores famosos est\u00e1 C\u00e9sar Ladeira, uma das vozes de excel\u00eancia de toda a hist\u00f3ria do R\u00e1dio no Brasil, especialmente lembrado com o programa &#8220;A cr\u00f4nica da cidade&#8221;. O decl\u00ednio da R\u00e1dio, que se iniciara com a inaugura\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o acentuou-se de forma definitiva com o Golpe militar de 1964 que afastou 67 profissionais e colocou sob investiga\u00e7\u00e3o mais 81.<\/p>\n<p>Em 1972, os arquivos sonoros e partituras utilizadas em programas da R\u00e1dio foram doados ao Museu da Imagem e do Som, MIS. Durante as d\u00e9cadas de 1980 e 1990 o decl\u00ednio da R\u00e1dio se acentuou devido \u00e0 falta de investimentos e \u00e0 concorr\u00eancia cada vez maior da televis\u00e3o e tamb\u00e9m das R\u00e1dios FM. A emissora foi perdendo audi\u00eancia e deixando de disputar os primeiros lugares na prefer\u00eancia do p\u00fablico. Manteve no entanto durante esse tempo diversos programas tradicionais da emissora apresentados por radialistas como Dayse Lucide, Gerdal dos Santos e outros que ainda arrastavam atr\u00e1s de si a audi\u00eaencia de ouvintes fi\u00e9is e saudosos dos tempos de gl\u00f3ria da emissora. A partir de junho de 2003, passou a estar sob a dire\u00e7\u00e3o de Cristiano Menezes, que iniciou um plano de revitaliza\u00e7\u00e3o da PRE &#8211; 8. Em 2004, foi assinado um conv\u00eanio entre a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro e a Petrobras, que acertou a digitaliza\u00e7\u00e3o de todo o acervo de partituras da R\u00e1dio. Entre as obras est\u00e3o raridades dos maestros Radam\u00e9s Gnattali e Guerra-Peixe. <\/p>\n<p>Nesse ano, a R\u00e1dio saiu do ar por 15 dias para passar por reformas que incluem a troca de transmissores e instala\u00e7\u00e3o de novos est\u00fadios no antigo pr\u00e9dio da Pra\u00e7a Mau\u00e1, no Rio de Janeiro. Al\u00e9m disso, a R\u00e1dio Nacional passar\u00e1 a ser a primeira R\u00e1dio Digital AM. Tudo dentro de um plano de revitaliza\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio. O famoso audit\u00f3rio da R\u00e1dio ser\u00e1 reformado e ter\u00e1 sua capacidade reduzida de 500 para 150 lugares e voltar\u00e1 a abrigar shows. Entre os novos programas est\u00e3o previstos, o &#8220;Homenagem Nacional&#8221;, no qual um sexteto permanente acompanhar\u00e1 a homenagem a um grande nome da hist\u00f3ria da m\u00fasica popular brasileira, com um astro atual interpretando sucessos do artista homenageado. Programa-se ainda o &#8220;Mem\u00f3ria Nacional&#8221;, que dever\u00e1 ser apresentando ao vivo, reunindo nomes como Cauby Peixoto, Marlene, Emilinha, Carm\u00e9lia Alves, Carminha Mascarenhas e Adelaide Chiozzo, que foram sucessos nos anos de ouro da R\u00e1dio Nacional. Ela ficou conhecida como &#8220;A escola do R\u00e1dio&#8221;, o que por si s\u00f3 d\u00e1 o tamanho de sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica. <\/p>\n<p><strong>Fontes<\/strong><\/p>\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA CR\u00cdTICA: CABRAL, S\u00e9rgio. A MPB na Era do R\u00e1dio. S\u00e3o Paulo: Moderna, 1996. MURCE, Renato. Bastidores do r\u00e1dio &#8211; fragmentos do r\u00e1dio de ontem e de hoje. Rio de Janeiro: Imago, 1976. SAROLDI, Luiz Carlos e MOREIRA, Sonia Virginia. R\u00e1dio Nacional &#8211; O Brasil em sintonia. Rio de Janeiro: Funarte, 1984.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.tvbrasil.org.br\/saladeimprensa\/radionacional.asp\">http:\/\/www.tvbrasil.org.br\/saladeimprensa\/radionacional.asp<\/a><\/p>\n<p><code><br \/>\n<script type=\"text\/javascript\">\nvar gaJsHost = ((\"https:\" == document.location.protocol) ? \"https:\/\/ssl.\" : \"http:\/\/www.\");\ndocument.write(unescape(\"%3Cscript src='\" + gaJsHost + \"google-analytics.com\/ga.js' type='text\/javascript'%3E%3C\/script%3E\"));\n<\/script><\/p>\n<p><script type=\"text\/javascript\">\ntry {var pageTracker = _gat._getTracker(\"UA-7192117-1\");\npageTracker._trackPageview();\n} catch(err) {};\n<\/script><br \/>\n<\/code><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RADIO NACIONAL Perto de completar 74 anos de idade, a R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro se mistura com a hist\u00f3ria do Brasil. 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